Vida & Arte
ENTREVISTA
Embalos de sábado à noite
Eliane, Geraldo Azevedo e Billy Paul comandam a festa deste sábado à noite em Fortaleza. Os três converasaram com O Vida & Arte e falaram dos seus trabalhos e da expectativa para os shows que prometem agitar a cidade
Paula Lima
da Redação
09 Jun 2007 - 03h40min
Para quem já entrou em clima de festa junina, o Arraiá 20 e Poucos Anos leva para os 3 Amores - é, aquele sítio no Eusébio onde essa faixa etária aí ia para ouvir Asa de Águia, Cheiro de Amor...- a dona da festa, Eliana. De visual novo, ela disse que o show vai relembrar os antigos sucessos, mas que está cheio de novidades. Se depender do alto-astral da conversa, quem estiver na festa vai, realmente, se esbaldar em forrós, xotes e marchinhas.
Sem perder a animação, nem ir tão longe, ali na Praia do Futuro, a Barraca Atlantidz recebe o "homem do Dia Branco", que prefere não adjetivar seu trabalho. "Faço arte, visando representar o meu tempo, através da natureza, da beleza e da emoção", explica por telefone, de sua casa no Rio de Janeiro. Conta que vem à Fortaleza para, junto com o público, "celebrar a vida e espantar os males".
O Mucuripe Club abre as portas para a black music e recebe Billy Paul. Um dos maiores nomes da soul music mundial, recebeu O POVO no hall do hotel que está hospedado, e contou que cantar no Brasil é sempre muito emocionante. Fã dos brasileiros e da música, cumprimenta em português e até mistura com o inglês na conversa. Bem-humorado, Billy Paul garante que o show vai deixar todo mundo "sentindo-se muito bem". Agendem-se, difícil é conseguir decidir o que fazer na noite de hoje
Eliane
O POVO - Quais as maiores dificuldades, boas histórias e lições dos seus 24 anos de carreira?
Eliane - Resumir é complicado, foram momentos que eu lutei bastante, não foi fácil começar no Ceará. Com os primeiros trabalhos tive dificuldade de apresentar na TV. Com muita luta conseguimos que a TV e as rádios FMs tocassem o forró, e aí ele se expandiu e acredito que minha música tenha aberto portas para outros cantores e conseguiu espaço em outros estados. As gravadoras se apaixonaram pelo meu trabalho. Fiz contrato com a Continental, Warner e a RGE e graças a Deus nesse período todo recebi disco de ouro e conheci vários apresentadores famosos. Tive a oportunidade de conhecer Jô Soares, Xuxa e Gugu, tudo isso foi um respaldo muito grande. O meu nome cresceu e hoje as pessoas sabem quem eu sou, e sou considerada a rainha do forró, né?
OP - O que título de "Rainha do Forró" representa para você? Em que momento da sua carreira ele surgiu?
Eliane - Eu não me intitulo como rainha do forró, recebo isso como um carinho do público. Até porque sou uma cantora diversificada, não quero ser rotulada. Canto xote, marchinha, as coisas tradicionais do Nordeste, mas recebo o título como um presente. Eu sou uma mistura de forró pop, quero ser um pouco do Brasil, está na hora de desenvolver um trabalho não só do Ceará e que chegue ao mundo, um show pop (risos).
OP - Essa mistura de pop no meio de um discurso sobre música nordestina, é uma briga antiga do tradicional forró pé-de-serra com o forró eletrônico. Como você enxerga essa rivalidade?
Eliane - Na verdade eu nunca comecei com o forró pé-de-serra, mas nunca deixei de acoplar o acordeon e outros instrumentos do forró tradicional, como a zabumba. Mas meu trabalho é diferente do forró. Canto as marchinhas, o xote e o forrobodó, que é um ritmo contagiante, como nas músicas Brilho da Lua, Amor ou Paixão, Meu Nego. Mas eu não tenho rivalidade com ninguém. Meu trabalho sempre foi diversificado.
OP - O que as pessoas podem esperar do show de logo mais à noite?
Eliane - Vou cantar os maiores sucessos da minha carreira, até por ser uma festa 20 e poucos anos. Mas não vai ser um show para relembrar a antiga Eliane, é um show novo, com meu visual novo. Vou cantar música do novo disco, que vou lançar no próximo mês. Ainda não posso falar sobre ele, mas está cheio de novidade e estilos que vão agradar a todos. Também vou cantar música de outros cantores, estou muito feliz. Eu creio com fé na vitória que a partir de agora vai ser o melhor momento da minha carreira.
Serviço:
Arraia dos 20 e Poucos Anos.
Sítio 3 Amores, a partis das 21h.
Quanto: R$ 20.
Geraldo Azevedo
O POVO - Como você define seu trabalho hoje em dia?
Geraldo Azevedo - Faço um trabalho com raiz brasileira, com certas influencias da música do mundo, já que música não têm fronteiras. A fonte da minha música é brasileira, tenho muito orgulho do som que é feito no Brasil. Quando faço show aqui no Rio me colocam na categoria regional, quando estou no Nordeste, sou MPB, e no exterior sou World Music. Mas isso é apenas um adjetivo, o que faço é um trabalho de arte, visando representar o meu tempo, através da natureza, da beleza e da emoção.
OP - Como você vê as festas de São João de hoje em dia? O que não pode faltar numa festa junina?
Geraldo - Eu acho que as festas de São João as melhores do Brasil. Pra mim esse é o melhor momento festivo, mais que o Carnaval, que Natal, adoro São João. Acho até que nesses últimos anos o Brasil desenvolveu mais ainda essa beleza. Em Aracaju a festa já está grandessíssima, já fiz shows lá várias vezes. Essa é uma época que viajo muito, o mês junino é sempre de muita alegria, de fazer as pessoas felizes. O que não pode faltar numa festa junina é justamente essa alegria e o colorido dos olhos das pessoas, das roupas, é uma alegria só.
OP - Existe a possibilidade de haver mais um "Grande Encontro"?
Geraldo - Sim, até porque no primeiro a coisa aconteceu sem ninguém planejar muito e poderá acontecer de novo. O fato de a gente estar aí já torna possível, o fato é que tempos trabalhos pessoais, individuais, por isso não aconteceu ainda, mas é uma coisa possível já que foi grande o sucesso. E como todo mundo gosta de sucesso, e nós quatro continuamos amigos, nos dando bem, é bem possível sim.
OP - Qual a expectativa para o show, o que as pessoas podem esperar desse sábado à noite?
Geraldo - Ah, vai ser maravilhoso, e pretendo voltar aí antes do fim do ano. Qero voltar no segundo semestre, para lançar o disco O Brasil existe em mim, que já está nas lojas. Cantar aí é um prazer imenso. Já considero Fortaleza uma cidade minha, tenho sobrinhos, parentes, uma irmã aí, além da musicalidade do povo, que é fantástica. As pessoas vão cantar muito comigo, como sempre fazem. Vai ser um momento de celebrar a vida e espantar os males. No repertório: Dia branco, Táxi lunar, Dona de minha cabeça, minhas músicas com Fausto Nilo. Além de duas músicas do novo disco e como é mês junino vou cantar uma coisa de Luiz Gonzaga.
Serviço:
Show de Geraldo Azevedo e banda. Hoje, a partir das 22h. Barraca Atlantidz (Av. Zezé Diogo, 5581 - Praia do Futuro). Quanto: R$ 25. Informações: 3249-4606 ou 3249-4607.
Billy Paul
O POVO - Existe uma emoção diferente quando você vem cantar no Brasil?
Billy Paul - É sempre muito emocionante. Os brasileiros são emocionantes, é um povo muito musical, e muito amável. As famílias são muito unidas, diferente dos Estados Unidos onde as pessoas nunca têm tempo uns para os outros. O Brasil tem muita música e vive isso mais de perto do que a cultura dos Estados Unidos. Por isso, é sempre melhor tocar aqui.
OP - Como você vê o cenário da soul music no Brasil? Quem é o brasileiro que você apontaria como o melhor nome nesse gênero?
Billy Paul - Eu conheço a música brasileira desde 1976. O Brasil é o berço do samba, a soul music despontou aqui com Tim Maia, que fez da música brasileira um som internacional, viajando para a América. Tom Jobim também levou a música brasileira para fora do País e a fez conhecida. Esses brasileiros são incríveis, adoráveis, ótimos artistas que arduamente, trabalharam dia e noite e foram em frente. Nomes da soul music brasileira seriam Tim Maia, Jorge Ben Jor, Ed Motta e um cara que tenho escutado recentemente é o Djavan, que tem uma voz ótima.
OP - Qual a avaliação que você faz dos seus mais de 30 anos de carreira?
Billy Paul - Eu vivo a música todos os dias, vejo minha carreira como algo que está no caminho certo. São anos trabalhando muito, então me sinto bastante confortável por ter trilhado esse caminho.
OP - Qual a expectativa para o show de logo mais à noite?
Billy Paul - O show vai ser ótimo! Depois você vai me dizer que o show foi ótimo e ainda vai sair sentindo-se muito bem (risos).
Serviço:
Love Disco com Billy Paul. Mucuripe Club (Travessa Maranguape, 108), a partir de 22h.
Quanto: R$ 25 (pista), R$ 50 (camarote) e R$ 60 (individual, em mesa para seis pessoas)
Informações: 3254.3020
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