Vida & Arte
PRÉ-ESTRÉIA
Terror em Hollywood
The Morgue, longa do cearense Halder Gomes e do carioca Gerson Sanginitto, tem exibição especial hoje no Sesc Luiz Severiano Ribeiro, como parte da programação do 17º Cine Ceará
07 Jun 2007 - 01h50min
Em um necrotério, uma série de estranhos acontecimentos passa a ocorrer. Margo (Lisa Crilley), servente do lugar, é a protagonista que nos traz para dentro de uma trama não-linear que mistura eventos reais (olho-câmera que reporta uma realidade) e percepções subjetivas (sonhos e alucinações da protagonista). No melhor estilo Sexto Sentido (1999, de M. Night Shyamalan), Os Outros (2001, de Alejandro Amenábar) e A Passagem (2005, de Marc Forster), The Morgue ("o necrotério", em inglês) discorre sobre seis estranhos que passam a noite numa casa funerária perdida no interior dos Estados Unidos. O thriller sobrenatural é assinado pelo cearense Halder Gomes e pelo carioca Gerson Sanginitto, em empreitada realizada na Meca do cinemão mundial: Hollywood (Los Angeles, EUA). Com previsão de estréia no segundo semestre deste ano, o filme tem exibição especial no 17º Cine Ceará hoje, às 21h30, no Sesc Luiz Severiano Ribeiro.
Para o cineasta cearense - que, no curta Cine Holiúdy (2004), retratou a infância embevecida pelos cinemas-poeira em Senador Pompeu, nos anos 1970 -, trata-se da primeira experiência pesada em Hollywood. Antes de assumir a direção de The Morgue, Halder já havia sido assistente de Gerson em Beyond The Ring (2005), cujo protagonista é André Lima, quem uniu os dois cineastas brasileiros. André foi professor de taekwondo de Halder, mas, depois, abriu academia em Los Angeles - onde Gerson passou a dar aulas de jiu-jitsu quando se mudou para os EUA, há mais de dez anos, antes de abrir a produtora Reef Pictures. "Então, sempre que eu tava lá a gente tava se encontrando e sonhando em fazer filme. O Gerson na escola (de cinema na Universidade Estadual da Califórnia em Long Beach) e eu quebrando a cabeça pra fazer Sunland Heat (seu primeiro longa). Até chegar o momento em que as coisas foram começando a acontecer", conta Halder. Em novembro de 2006, Gerson procurava parceiro para seu próximo projeto e o encontro com Halder foi providencial. Ao invés de dirigir a grua (tarefa que teve de desempenhar em Beyond The Ring), agora Halder foi dirigir o filme.
The Morgue teve orçamento baixo, para os padrões hollywoodianos: U$ 1 milhão, 50 vezes menos que A Passagem, por exemplo. Mas foi pelo menos seis vezes mais que o orçamento dos longas anteriores de Gerson e Halder. De forma bastante pragmática, para ambos trata-se tanto de um passo à frente na carreira como cineastas quanto, sobretudo, do aproveitamento de um nicho de mercado. "Em Hollywood, três gêneros têm nicho certo: ação, comédia e terror. Então, fiz dois de artes marciais e agora estou fazendo um de terror. Tenho certeza absoluta de que a gente vai ter distribuição, internacional e doméstica. Na minha produtora, a gente não pode arriscar. Eu não posso ter um filme avant-garde, uma coisa extremamente artística que, de repente, vai prejudicar na venda", pontua Gerson. Halder já tinha saído de filmes de ação e comédia e, também, queria fazer "algo completamente diferente". Aproveitou o roteiro de um curta em desenvolvimento, também um thriller sobrenatural, e misturou ao de The Morgue.
Gerson conta que o roteiro ganhou sete tratamentos - a parte slasher (sangue, cortes e membros decepados) foi diminuída, a fim de se conseguir um roteiro mais "character-driven", onde a subjetividade dos personagens fosse priorizada. As filmagens foram de 17 de janeiro a 17 de fevereiro - mas o filme só foi finalizado, mesmo, no último sábado (!), um dia antes da viagem de Gerson para Fortaleza. Para Halder, que já havia filmado um longa e três curtas, a diferença de filmar em Hollywood, ainda que de forma independente de grandes estúdios, é a agilidade e a pressão. Rapidez em ver o material filmado e em ter acesso ao conhecimento técnico. Pressão por se exigir uma precisão muito grande em relação ao cronograma de filmagens - afinal, há dificuldades em se arranjar locações e em seguir a série de regulamentos dos sindicatos. "E outra coisa é você fazer um filme onde, no set, todo mundo sabe cinema, todo mundo estudou. É uma pressão muito grande. Como aprendizado, como diretor, eu posso dizer que pra mim foi uma experiência muito grande. Hoje sou outro".
SERVIÇO:
17º Cine Ceará - Exibição especial do longa-metragem The Morgue. Hoje, às 21h30, no Sesc Severiano Ribeiro (antigo Cine São Luiz, Centro).
Para o cineasta cearense - que, no curta Cine Holiúdy (2004), retratou a infância embevecida pelos cinemas-poeira em Senador Pompeu, nos anos 1970 -, trata-se da primeira experiência pesada em Hollywood. Antes de assumir a direção de The Morgue, Halder já havia sido assistente de Gerson em Beyond The Ring (2005), cujo protagonista é André Lima, quem uniu os dois cineastas brasileiros. André foi professor de taekwondo de Halder, mas, depois, abriu academia em Los Angeles - onde Gerson passou a dar aulas de jiu-jitsu quando se mudou para os EUA, há mais de dez anos, antes de abrir a produtora Reef Pictures. "Então, sempre que eu tava lá a gente tava se encontrando e sonhando em fazer filme. O Gerson na escola (de cinema na Universidade Estadual da Califórnia em Long Beach) e eu quebrando a cabeça pra fazer Sunland Heat (seu primeiro longa). Até chegar o momento em que as coisas foram começando a acontecer", conta Halder. Em novembro de 2006, Gerson procurava parceiro para seu próximo projeto e o encontro com Halder foi providencial. Ao invés de dirigir a grua (tarefa que teve de desempenhar em Beyond The Ring), agora Halder foi dirigir o filme.
The Morgue teve orçamento baixo, para os padrões hollywoodianos: U$ 1 milhão, 50 vezes menos que A Passagem, por exemplo. Mas foi pelo menos seis vezes mais que o orçamento dos longas anteriores de Gerson e Halder. De forma bastante pragmática, para ambos trata-se tanto de um passo à frente na carreira como cineastas quanto, sobretudo, do aproveitamento de um nicho de mercado. "Em Hollywood, três gêneros têm nicho certo: ação, comédia e terror. Então, fiz dois de artes marciais e agora estou fazendo um de terror. Tenho certeza absoluta de que a gente vai ter distribuição, internacional e doméstica. Na minha produtora, a gente não pode arriscar. Eu não posso ter um filme avant-garde, uma coisa extremamente artística que, de repente, vai prejudicar na venda", pontua Gerson. Halder já tinha saído de filmes de ação e comédia e, também, queria fazer "algo completamente diferente". Aproveitou o roteiro de um curta em desenvolvimento, também um thriller sobrenatural, e misturou ao de The Morgue.
Gerson conta que o roteiro ganhou sete tratamentos - a parte slasher (sangue, cortes e membros decepados) foi diminuída, a fim de se conseguir um roteiro mais "character-driven", onde a subjetividade dos personagens fosse priorizada. As filmagens foram de 17 de janeiro a 17 de fevereiro - mas o filme só foi finalizado, mesmo, no último sábado (!), um dia antes da viagem de Gerson para Fortaleza. Para Halder, que já havia filmado um longa e três curtas, a diferença de filmar em Hollywood, ainda que de forma independente de grandes estúdios, é a agilidade e a pressão. Rapidez em ver o material filmado e em ter acesso ao conhecimento técnico. Pressão por se exigir uma precisão muito grande em relação ao cronograma de filmagens - afinal, há dificuldades em se arranjar locações e em seguir a série de regulamentos dos sindicatos. "E outra coisa é você fazer um filme onde, no set, todo mundo sabe cinema, todo mundo estudou. É uma pressão muito grande. Como aprendizado, como diretor, eu posso dizer que pra mim foi uma experiência muito grande. Hoje sou outro".
SERVIÇO:
17º Cine Ceará - Exibição especial do longa-metragem The Morgue. Hoje, às 21h30, no Sesc Severiano Ribeiro (antigo Cine São Luiz, Centro).
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