07/06/2007 01:50
Depois de encontrar a ogra da sua vida e ter que enfrentar os sogros e o concorrente Príncipe Encantado, Shrek está prestes a se tornar pai. Isso acontece logo quando o reino de Tão, Tão distante está sem rei. Harold, o pai da princesa Fiona, se transformou em sapo e Shrek precisa buscar um sucessor para o trono. Sua missão é convencer o ainda adolescente Artie, o futuro Rei Arthur, a assumir o papel. Enquanto isso, Fiona precisa enfrentar sozinha o golpe de Estado que o Príncipe Encantado está tramando com os vilões de contos de fadas. A saga de Shrek não deve parar no terceiro episódio. No embalo do sucesso, outras duas seqüências estão programadas. A previsão de lançamento da próxima está para 2010. Em seu primeiro fim-de-semana de estréia nos EUA, o filme arrebatou US$ 122 milhões de bilheteria, batendo todos os outros filmes da série e sucessos da temporada como Homem-Aranha 3.
O PERFIL DO DUBLADOR
A dublagem é uma especialização do trabalho de ator. Por conta disso, para atuar na área, é preciso uma licença expedida pela Delegacia Regional do Trabalho (DRT). Como a maior parte dos estúdios de dublagem está localizada no eixo Rio-São Paulo, é também nessa região que se concentram cursos para quem deseja seguir a profissão. Existem duas opções. Um deles, com carga horária menor (cerca de 40h), é voltado para quem já é ator e deseja ampliar a atuação. Outro, com carga horária de 590h, forma tanto o ator como o especializa para a dublagem. Os dubladores gravam todas as suas falas sozinhos e de uma vez. Só depois é que as vozes de todos os personagens se encontram e são mixadas e sincronizadas pelo diretor de dublagem.
PRESTE ATENÇÃO
Como também são atores, alguns dubladores costumam bater ponto tanto no teatro quanto na tela da TV. Quando isso acontece, fica fácil a sua identificação. É o caso de Isaac Bardavid, que atualmente está no ar como Zequinha da novela Eterna Magia. Ele é também o responsável pelas vozes dos personagens Esqueleto (de He-Man) e Wolverine (X-Men). O mesmo acontece com o ator Orlando Drummond, um dos veteranos da dublagem. Aos 87 anos, ele continua emprestando a voz ao personagem Scooby Doo, ao mesmo tempo que atua em quadros no humorístico Zorra Total, da TV Globo. Ele também é o responsável pelas vozes do personagem Alf (o E.Teimoso) e Popeye e, por muitos anos, interpretou paralelamente o personagem Seu Peru, no programa Escolinha do Professor Raimundo. Apesar do tom parecido, o ator se preocupa em criar uma maneira de falar para cada personagem, que mantém inalterada ao longo dos anos.
VOCÊ SABIA?
No Japão, os dubladores dos populares animes (desenhos animados com traços orientais) têm o mesmo status de atores famosos e celebridades. Esse movimento acontece desde a década de 60 e se acentuou dos anos 90 para cá com a proliferação de títulos novos no mercado da animação japonesa. Cavaleiros do Zodíaco, Sailor Moon e Evangelion têm alguns dos dubladores que mais fazem sucesso no país, sendo comum a existência de fã-clubes dedicados a eles. Uma das características mais fortes da dublagem japonesa é o seu caráter visceral, colocando os atores para gritarem e ofegarem como se eles próprios estivessem realmente em um filme. Além disso, outro fator chama a atenção nesses dubladores. É comum que eles ampliem sua atuação e também participam de programas de rádio, atuam em peças, dançam, cantam e ainda fazem as vezes de DJs. Hoje existe todo um mercado paralelo de atuação desses atores, que inclui shows com as vozes dos personagens, CDs e até mesmo revistas especializadas falando da vida dos dubladores.
QUEM É HERBERT RICHERS?
Quem vidrava nos filmes da Sessão da Tarde, da TV Globo, cansou de ouvir, à abertura, o bordão "Versão Brasileira: Herbert Richers". Não é à toa que esse nome se repetia à exaustão. A empresa homônima comandada pelo tal Herbert foi uma das pioneiras em dublagens para TV no Brasil. Paulista de Araraquara, nascido em 1923, ele começou a trabalhar com cinema em 1942, quando se mudou para o Rio de Janeiro. Ali fundou, em 1950, o estúdio de cinema Herbet Richers S.A para a produção de telejornais e longas-metragens. Com o advento da TV nos anos 60, o estúdio descobriu um novo nicho de mercado. As dublagens eram necessárias para adequar os filmes ao caráter massivo da televisão. Entre os fatores de estímulo à dublagem, estavam o alto índice de analfabetismo - que, segundo o IBGE, chegava a 56,6% da população brasileira do início da década - e a baixa qualidade da imagem (além das falhas na transmissão, todas as TVs operavam apenas em preto e branco), o que dificultava a leitura das legendas. Aos 84 anos, Herbert continua no comando de seu estúdio no Rio de Janeiro.
Leia mais sobre esse assunto