02/06/2007 17:19
Numa moeda portuguesa antiga
pelo uso polida,
por dedos puída,
há uma esfera armilar.
Os saberes de um mestre de Mileto
a esfera detém mais os segredos
do poder com fortuna navegar.
Augúrio de conquistas e aventuras
num e noutro hemisfério,
por improbalíssimas lonjuras
era emblema do Império.
Lavrada em lioz
nas quatro duras faces do padrão,
entrelaçada à Cruz
era luz,
era voz
e traço-de-união.
Auribordada em campos prata e goles,
afoita perlustrava os oceanos
em peregrinação
por longas rotas de navegação
e gastos portulanos.
Mas sobre um outro mar
soube, sob outro céu, suster e suplantar,
um após um, os golpes desferidos,
doídas estocadas e alaridos
de invasores tiranos:
foi nos canaviais pernambucanos.
Encima, agora, timbre de brasão,
numa inscrição mural,
à argila o verso unido pelo fogo,
a epopéia de um povo
e seus heróis,
labaredas e sóis
da confederação armorial.
Virgílio Maia
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