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Vida & Arte

FESTA JUNINA

Anavantur!

O mês de junho está chegando e esquentam os preparativos para as festas de São João na cidade. O Vida & Arte procurou saber como surgiram os festejos juninos, uma das mais antigas manifestações da cultura popular


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29/05/2007 01:09


É tempo de São João! O mês de maio vai chegando ao fim e os preparativos para os festejos juninos já começam a esquentar por todo o Brasil. É, nesse momento, que se celebra uma das principais e mais antigas festas da cultura popular nacional. São montados arraiais, barracas de comidas típicas, além das famosas quadrilhas que alegram as noites juninas. No entanto, tal manifestação popular é fruto de um processo histórico. Seus primeiros indícios surgiram até mesmo antes do cristianismo. Em rituais pagãos, camponeses celebravam a fartura das colheitas realizadas durante os solstícios de verão, que iniciam em 21 de junho. "São festas oriundas antes do calendário católico. O homem simples do campo realizava estas festas para agradecer aos deuses e dar graças à fertilidade do solo", explica a folclorista e presidente da Comissão Cearense de Folclore, Lourdes Macena.

No século 6, o catolicismo se apropria do espírito destas festas campesinas para homenagear São João no dia 24 de junho, próximo ao solstício de verão. Anteriormente acesas para livrar maus espíritos das colheitas, as fogueiras agora passaram a ser também uma homenagem ao nascimento de São João. No século 13, outros santos ganharam espaço e completaram o ciclo de festas juninas. "Foi a partir daí que se institui o dia de São João, Santo Antônio, São Pedro e São Paulo. Além de incorporar as novenas nas festas", afirma Ângelo Tomasini, jurado da Federação de Quadrilhas Juninas do Ceará e estudante de Comunicação Social da Fanor, onde desenvolve pesquisa sobre a espetacularização das quadrilhas.

A partir da interferência do cristianismo, os festejos e as quadrilhas juninas migram para as cortes européias, principalmente da França e da Inglaterra, durante a Guerra dos 100 Anos. "A corte se apropriou desses festejos pela alegria que eles possibilitavam, tentando aclimatar ou sistematizar a quadrilha pro seu mundo", diz Lourdes. O costume chegou às terras brasileiras, quando a família real portuguesa veio ao Brasil. Durante o Império, a quadrilha era a dança preferida para abrir os bailes da Corte. Restrita no início ao confinamento dos salões palacianos, comunidades caboclas e mestiças - que entravam nas cortes apenas para servir os nobres - começaram a realizar seus próprios festejos nas ruas a partir do que observavam na corte. "Quando o Brasil passa a receber essa influência, os festejos adentram nos sertões, acompanhando o processo de formação brasileira do litoral para interior", pontua Lourdes.

Como as coreografias eram indicadas em francês, o povo acabou aportuguesando algumas palavras ou frases das marcações, dando origem ao "matutês", mistura do linguajar matuto com o francês, que caracteriza a maioria dos passos da quadrilha junina. É o caso do anavantur (originalmente "en avant tout") e anarriê ("en derriÕre"). Novos passos foram acrescentados, como "Olha a chuva!", "É mentira", "A Ponte quebrou". Outra característica da quadrilha matuta é o casamento, com noivo e noiva, padre, pai da noiva, juiz e delegado. "Inclusive o casamento na quadrilha acaba fazendo uma sátira do mundo burguês, que oprime o homem do campo", comenta Lourdes.

Nos dias atuais, a quadrilha matuta coexiste com mais duas vertentes: a temática e a estilizada. Enquanto a primeira conta com figurinos simples (roupa de chita e chapéu de palha) e coreografia tradicional (com marcha ao som da zabumba, triângulo e sanfona), as quadrilhas estilizadas preferem roupas mais coloridas e incrementadas de adereços, com músicas próprias. As mulheres usam vestidos cheios de anáguas e esponjas para dar volume nas saias, aplique nos cabelos e até cinta-liga. Cada vestido custa em média de R$ 400 a R$ 500.

Já as quadrilhas temáticas mantém os mesmos atributos das estilizadas, no entanto escolhem um tema específico que é trabalhado todos os anos. É o caso da quadrilha Arraiá do Zé Testinha, que há 30 anos apresenta o cangaço como tema de suas apresentações. "Vejo a quadrilha junina como um dos movimentos populares mais fortes, no sentido de um teatro possível, de uma coreografia possível. Boa parte das quadrilhas no Ceará mantém a efervescência da comunidade de bairro. Independente de ser federadas ou não, de estar no circuito de festivais ou não, essas quadrilhas existem de alguma forma nessa cidade. As políticas públicas deveriam dar mais atenção a essa manifestação".


SERVIÇO

VILA SÃO JOÃO

Arraiá dos 20 e Poucos Anos, 9 de junho

Onde: Sítio Três Amores
Atrações: Messias Holanda, Paulo Ney, Aldo Sena e os Mestres da Guitarra e Eliane.
Primeiro lote de ingressos: R$ 20,00 (meia). À venda em dinheiro nas lojas Pahilly (Maraponga Mart Moda - Rua Francisco Glicério, 290. Fone: 3495.2886; North Shopping - Av.
Bezerra de Menezes 2450. Fone: 3286.4514; Av. dos Expedicionários. Fone: 3493.3000), Ibyte (Av. Rui Barbosa, 2456. Fone: 3535.7777; Av. Dom Luís, 100. Fone: 4011.5000) e Casas dos Relojoeiros (Shopping Avenida, Shopping Iguatemi e North Shopping).

Arraiá do Colher de Pau, 16 de junho
Onde: Clube do Vaqueiro
Atrações: Felipão & Forró Moral, Chico Pessoa e Banda Esquema.

Arraiá do Comodoro, 16 de junho
Onde: Iate Clube
Atrações: Dona Zefa, Os Maneiros e Trio Danado de Bom.

Arraiá do Marina, 30 de junho
Onde: Marina Park Hotel
Atrações: Bruno e Marrone, Forró Balancear, Forró Real e Gata Garota.

Mais informações: (85) 3230.1917.


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  • » gostaria de saber se a prefeitura este ano ira realizar as festas juninas no aterro da praia de iracema . obrigado - mg51


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