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Vida & Arte

JUM NAKAO

O invisível essencial

Paula Lima
da Redação

Mais que um estilista, um criador. Assim é Jum Nakao


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28/05/2007 01:54


Ele é autor do que foi considerado o desfile do século. Em 2004, na passarela da São Paulo Fashion Week, Jum Nakao desconstruiu o conto de fadas que propôs e rasgou as roupas de papel que acabara de desfilar. O sucesso deu origem ao livro A Costura do ­Invisível, que conta o processo de criação do artista. A obra de Jum é preocupada em conciliar os recursos da tecnologia digital à sofisticação de peças únicas confeccionadas a mão, como o encontro em clima de suspense e contos de fadas, da elaborada moda do século XIX com o universo lúdico dos bonecos playmobil.

Em entrevista por telefone, ele estende-se nas respostas. Procura lentamente as definições do seu trabalho e fala sobre moda, criação e mercado. Quase uma hora ao telefone, ele diz que o importante nesse universo é viver o lúdico e derrubar conceitos. Engajado, acredita no consumo regional como ferramenta para o universo da moda se expandir.

O discurso não se distancia do poético nem para falar de sustentabilidade econômica - Jum já desistiu de comercializar a própria grife, “os custos são muito altos”. Olhando para o futuro conta que a moda brasileira ainda não se achou, não tem identidade, apenas rótulos. E Jum Nakao reinventa toda essa história


O POVO - Quando a moda surgiu na sua vida?
Jum Nakao - Na verdade eu me imaginava trabalhando com Criteologia. Tudo que girasse em torno de inspiração, interface. Eu pensei muito nessa possibilidade de ampliar, de criar novas possibilidades através das tecnologias novas. Eu fui estudar computação, porém o que acontece é que na época eu não imaginava que faria moda, e o pessoal no curso tinham um viés acadêmico clássico e conservador, então eu só estava estudando números e como eu trabalhava na linha de produção, indústria e técnicas de aplicação, e eu fui buscando novas mídias, outros caminhos que não fosse a eletrônica. Foi aí que eu descobri em moda essa interface, porque moda é algo tão próximo, está na nossa pele, essa interface que eu imaginava que as pessoas poderiam ter, ela já era uma relação estabelecida com as pessoas ao entorno dela.

OP -
Como aconteceu esse primeiro contato, você se interessava em estar na moda, era algo presente desde sempre pra você?
Jum - Não, eu observava a moda tanto como a forma de se vestir que identificava determinados grupos, o quanto ela definia essa postura essa individualidade, o quanto ela funcionava como ferramenta de auto-afirmação. Ela era essa bandeira visível, essa forma clara e explícita do que aquela pessoa se portava, de limitação mesmo. Eu lembro de uma vez que encontrei um colega com quem eu trabalhava, numa boate e ele veio me cumprimentar correndo, me abraçou, estava com o cabelo punk e eu comentei: é o deslocado que usa terno e gravata durante o dia, né? Para mim foi um choque de como a roupa ao mesmo tempo revela e ofusca. E o que aconteceu é que naquela época eu já estava pretendendo o que hoje a gente vê em qualquer bienal, em exposição de artes que apresenta a narrativa da eletrônica como suporte, tem a tecnologia como ferramenta de arte.

OP - E o interesse pela tecnologia é coisa que surgiu mais cedo ainda?
Jum - Eu sempre tive interesse em codificar, alterar, em montar, construir e reconstruir. Desde pequeno eu sempre me interessei por abrir equipamentos para remontar. Quebra-cabeças que eu tinha montado eu tentava reconstruir de maneira diferente, remontar criava meus próprios brinquedos. Graças a essa curiosidade, a essa vontade de estar criando, acabei por trabalhar com arte, que é como a gente dá o nosso melhor.

OP - Seus avós são japoneses, mas você foi criado no Brasil. Quais influências da cultura japonesa existem no seu trabalho?
Jum - Meu avô sempre valorizou muito a cultura, então é uma pessoa que tem uma relação muito sensorial. O japonês é um povo muito perceptivo. As influências japonesas no meu trabalho vêm disso, de que eu estou sensível a percepções, em todas as possibilidades que eu enxergo de dialogar com o espectador. Não vejo essa percepção de diálogo acontecendo apenas por um canal, e vejo o espectador como algo múltiplo.

OP - Você formulou um conceito de consciência criativa na moda, que tem a intenção de mostrar a alma da roupa. Como é possível mostrar a alma de uma roupa?
Jum - Na verdade essa consciência, essa ética é importante porque existe um conceito, uma dimensão do objeto, a materialização. Você estar fazendo algo que tem uma funcionalidade, que tem uma alma, que tem um sentido, não é algo vazio. Então é extremamente importante que as pessoas tenham consciência dessa mecânica, dessa dinâmica aonde mais importante do que a forma é um conceito, um objeto resultante. A obra em si é a materialização desse interface. Ela é palpável, senão não tem sentido. É a mesma coisa de você falar palavras soltas, frases sem sentido. Tem que ir além da palavra, escrever uma mensagem.

OP - Qual o conceito de moda que você compartilha?
Jum - Moda pra mim é algo resultante de "N" conceitos de mundo, é algo real que acontece em termos culturais, políticos, sociais. Envolve individualidade, posicionamento e se utiliza de "N" recursos. A moda é comportamento. Comportamento das pessoas se vestirem, ouvirem música, de se maquiarem, de cultura, de tudo. Ela é resultante de uma combinação muito grande de tudo. Tudo isso faz parte de um universo e a moda simplesmente materializa essa complexidade. A moda é algo muito complexo, não é necessariamente uma roupa que a pessoa está usando. Ela, quando bem elaborada, é uma reunião de tudo que a envolve.

OP - Seguindo esse pensamento, moda é arte?
Jum - Na verdade, hoje em dia, o que é arte? É o que está nas galerias? Muitas vezes você vê coisas incompreensíveis que são chamadas de arte. Eu acho que nesse querer segmentar, rotular perde-se o mais importante que é o conteúdo. Se eu faço uma instalação de arte e apresento, aquilo não é simplesmente uma obra de arte, mas o que a derroca é que é arte. Então a arte não existe no plano material. Eu acho que ela existe no plano transformador, independente de forma, formato, rótulo, suporte, pode ser uma roupa, um desfile.

OP - No seu desfile na São Paulo Fashion Week, em 2004, que deu origem ao livro e documentário Costura do Invisível, você usou o papel para fazer as roupas. Por que o papel?
Jum - O papel é algo pouco durável, é uma matéria que faz parte da criação. O papel em branco é como a palavra para a poesia. É algo que não permanece, algo vazio. Então para mim é como se eu pudesse a partir do nada fazer uma obra sem limites. Mais sem limites ainda é destruir a obra dessa forma, através de rasgos, e se transformar em algo invisível, que se transformou na Costura do Invisível, que é o nome do trabalho.

OP - O desfile é hoje considerado o desfile do século. O objetivo que você tinha ao fazer do desfile uma performance foi alcançado?
Jum - Pra mim extrapolou até o que eu imaginava. Aquilo aconteceu numa época em que eu questionava, e ainda questiono muito, as referências, aquilo que estava acontecendo no nosso espaço. Somos expostos a uma quantidade de informação tão grande que as pessoas não mais digerem, não mais decodificam, elas apenas engolem. Então era um momento em que era importante eu realizar um trabalho questionando esse conteúdo, o conceito para enxergar dessa forma. E se eu conseguisse mostrar um trabalho que, mesmo destruído, mesmo rasgado, permanecesse vivo na memória, que criasse esse questionamento. É como se você sacrificasse para tornar o trabalho eterno. E num lugar que não é uma galeria de arte. E como você está me perguntando hoje é um trabalho que está perpetuando, trazendo um questionamento sobre a materialidade, sobre o valor, mostrando que somos conscientes da qualidade e da ética profissional de qualquer área e buscamos mais alguma coisa. Também para criar referência, até para os novos criadores, mostrar que existem caminhos de valores.

OP - No fim do desfile as pessoas guardaram os pedaços de papel, sua moda propõe uma interação com o espectador. De que maneira isso acontece?
Jum - Interação acontece a partir do momento que o espectador faz parte da obra. Então foi um trabalho que foi pensado para a interação. Desde a trilha ele convidava as pessoas para o que elas iriam ver na seqüência. A música dialogava com o público, trazia melancolia, e as pessoas iam sendo cúmplices da fragilidade do papel. Por isso, também, peruca playmobil, que é um objeto lúdico. Então era ampliar o momento de leveza um tanto lúdico, conectando as pessoas com o real onde as pessoas estavam vendo algo a respeito de um conto de fadas. E quando aquele conto de fadas, aparentemente, terminava de uma maneira convencional, harmônica e seria aplaudido no fim de desfile, veio abaixo, porque nós rasgamos tudo. Aquilo tirou o chão das pessoas. Fazendo com que elas se perguntassem o que era aquilo que estava acontecendo. Puxamos o tapete das pessoas. É como se as acordássemos para o real. Algumas pessoas se perguntavam o que estava acontecendo. Então é um trabalho que permite uma leitura, permite visualizar, é um trabalho de arte.

OP - Para chegar a esse grau de interação, para a pessoa se sentir atingida, é necessário desconstruir conceitos?
Jum - É necessário primeiro você tocar na defesa das pessoas, você desconstruir barreiras, você fazer com que elas sejam levadas para um campo desconhecido. O trabalho concreto de maneira que ela se perca, que ela tenha a sua percepção mais sensível e que a mostre aberta para novas experiências, é uma troca.

OP - Esse desconstruir barreiras, se perder, entrar num campo desconhecido, você sente tudo isso no seu processo criativo?
Jum - Sim, ele é iminente ao criador.

OP - Depois desse desfile, você se separou e demitiu uma equipe de seis funcionários. Foi efeito desse processo?
Jum - Na verdade eu encerrei essa parte de confecção e inseri as seis pessoas que trabalhavam comigo no mercado. Porque eu senti, de certa forma, mais forte a minha insatisfação em relação ao mercado. Para estar no mercado é praticamente inviável o trabalho autoral. Viver com um trabalho de ideologia, num mercado que cultua o preço, quando você tem uma cultura independente, você se sente num ambiente out. Toda a escala que eu produzo - que são 50, 60 peças - tem que diluir iguais a empresas que diluem 1000 peças. Tenho o mesmo custo disso. Na hora de adquirir matéria-prima a minha custava o dobro, porque eu não comprava no atacadista, e a mão-de-obra era três vezes mais cara. Na hora de colocar o produto no mercado eu não tinha como cobrir os custos. Então eu fiz durante dois, três anos e chegou um momento que eu queria a possibilidade de fazer um produto que pudesse ter um posicionamento onde eu faria aquilo que acredito. Então o desfile foi, também, um corte, um rasgo onde ou eu faço da maneira que eu acredito, sem macular os meus princípios ou eu não faço. Pra que ter marca própria se a economia e a cultura de mercado me obrigam a abdicar? Então não vou fazer. Hoje trabalho no processo criativo, para algumas marcas, não sou o comerciante.

OP - Você já orientou uma turma de alunas num projeto que pretendia comprovar que o rigor e o pensamento criativo não são incompatíveis com essa sustentabilidade comercial. Deu certo?
Jum - Sim, porque o que acontece é que essas alunas têm estrutura comercial por trás, que eu não tinha. Então o talento é compatível com o mercado, desde que a indústria ou a cadeia te sustente. Não basta você criar, tem que ter alguém que garante a estrutura comercial e promocional e que o produto chegue ao mercado. É um processo que já acontece lá fora, existem grandes marcas como Gil Sander, Marc Jacobs, que grandes grupos dão suporte. Fica possível compatibilizar esse lado criativo, essa ética do criador em dialogar com o mercado.

OP - Essa moda comercial a que a maioria da população tem acesso, esses modismos de personagens de novelas, você encara como moda inferior, sem qualidade?
Jum - Não, eu acho que aquilo que está em exposição pode ser, pelo consumidor, bem ordenada. A moda tem muita liberdade, você não precisa comprar roupa de catálogo e usar como eles propõem. Existem mil possibilidades de recombinação. A maneira como recombina é que gera um sentido. O que você tem que perceber é essa dinâmica, essa mecânica, não ser refém. É importante que haja essa cultura de moda.

OP - Como você se veste? Onde você compra roupa?
Jum - Eu não tenho lugar específico, compro roupas em viagens, meu olhar é muito mais técnico. Eu observo a qualidade técnica, a qualidade criativa, percebo a engenharia que agrega um novo olhar para o meu trabalho. Então não sou um consumidor comum, sou um consumidor científico. Não estou nem aí para cor, quero algo que agregue valor.

OP - Como é possível para o consumidor comum fugir dessa banalização da moda, dessa fogueira de vaidades do mundo fashion?
Jum - Eu acho que a moda não deve definir o que você vai comprar. Você que tem que definir com qual bolso você está pagando, em qual empresa você está consumindo e o que você está pretendendo. Você define de que maneira você está interferindo no entorno ou em algo que faz relação com o seu próximo. Então a maneira que eu concordo em consumir a moda é primeiro olhando para perto, olhando para que tipo de cultura ela retrata. Que a pessoa pense em harmonia, que fique elegante. É importante consumir algo da sua cidade, que vá gerar dinheiro para o local, incentivar a economia local. Acho que deve haver sim um certo regionalismo, nesse sentido de você promover o local que você se encontra. É importante você pensar: quem que eu vou privilegiar, incentivar. De que adianta você estar comprando de marcas de fora se perto de você não existissem idéias? É o seu diálogo com o mundo.

OP - Você assinou o figurino da primeira temporada da minissérie Hoje é Dia de Maria. Como foi entrar naquele universo lúdico?
Jum - A televisão é o meio mais incorreto, existe muito mais uma ditadura da televisão do que uma ditadura da moda. Porém, hoje em dia existe um leque enorme de opções, aonde eu decido quais informações quero acessar, como e onde. O contato com a TV veio através do diretor Luis Fernando Carvalho, que dentro da TV tem um trabalho de muita ética. Eu aceitei fazer um trabalho como foi feito, aonde mais do que criar figurinos eu pudesse interagir com a estética, ir além das roupas e fazer com que as pessoas se conectassem quando estivessem assistindo a minissérie a um universo tão lúdico quanto o Hoje é Dia de Maria. Foi um trabalho livre, sem regras.

OP - Que processo é esse de criar uma roupa capaz de transportar as pessoas para um universo lúdico?
Jum - Na verdade eu só faço roupas assim, faço obras e trabalhos que despertem novos sentidos, novas possibilidades. O processo é sempre começar do zero, você vai fazer algo novo, sem fazer nenhuma conexão com outros trabalhos, ter sensibilidade, se desarmar e tentar compreender qual a melhor forma de pensar e concluir aquilo o que o trabalho propõe. Eu paro e penso sobre o que eu tenho que fazer até chegar a uma materialização.

OP - Como coordenador de moda da Faap, como você enxerga a produção da nova geração da moda brasileira? E os rumos da moda brasileira?
Jum - Eu enxergo de uma maneira positiva. Acho que tem muito valor agregado, a moda está fazendo conexão com o real, porque é muito importante que a criação dialogue com o mercado, de forma palpável, não apenas ideologicamente, e está tendo um comprometimento generoso com o consumidor, aonde ele percebe as criações, quais são os limites e dentro desses limites vê possibilidades. Existe mercado e criadores.

OP - Já existe uma identidade da moda brasileira?
Jum - Não diria identidade, acho que ainda não. Existem rótulos, uma tentativa de definir como nossa roupas que não retratam mais a realidade, roupas de praia e é decorrência de não termos afirmado nenhuma identidade permanente. Os rótulos são coqueiros, arara, samba, macaco, vitória-régia, coco, praia, favela e por aí vai.


PERFIL

O paulista e neto de japoneses Jum Nakao é estilista e diretor de criação, que percebeu na moda a possibilidade de aproximação entre a eletrônica e a computação. Iniciou sua formação em moda, em 1984, através do CIT - Coordenação Industrial têxtil. Cursou Licenciatura em Artes Plásticas na Faculdade Armando Álvares Penteado e fez extensão universitária em História da Vestimenta no Instituto de Museologia de São Paulo e História da Moda no Senac.

Foi o primeiro estilista a participar da Mostra de Arte e Fotografia - Imagética - onde um espaço de honra é destinado para uma instalação que narra o processo de uma de suas coleções - Tributo a Brothers Quay. Os trabalhos realizados na área de artes gráficas pelo studio de design Lobo - books: Future Kitsch e Tributo a Brothers Quay - arrebatam prêmios e citações internacionais como: The One Show (EUA), "How Design" (EUA), "Creative Review" (Inglaterra) e ADG (Brasil). Na 6° Edição do Phytoervas Fashion, ele foi considerado a grande revelação e passa a ocupar o cargo de Diretor de Estilo da Zoomp. Nakao também passou pela Direção Criativa da Vivavida e assinou uma linha esportiva para a Nike e para o tenista Guga Kuerten.

Mas foi no São Paulo Fashion Week, em junho de 2004, que Jum ganhou maior visibilidade ao apresentar uma performance em que, ao final do desfile, modelos rasgaram elaboradas roupas feitas de papel vegetal - confeccionadas em mais de 700 horas de trabalho. Respondeu também pela concepção e criação da microssérie Hoje é Dia de Maria 1, exibida em 2005 na TV Globo. No mesmo ano, Jum lançou, no calendário geral do São Paulo Fashion Week (SPFW), o livro e documentário A costura do invisível, realizados a partir de referências do desfile da coleção primavera/verão de 2004. Com esta performance, Jum Nakao foi eleito pela SPFW o desfile da década na moda brasileira.

Em parceria com a Curtlo, lançou em 2006 uma coleção de bolsas: Curtlo por Jum Nakao que foi selecionada para a I Bienal Brasileira de Design. Participou ainda da Mostra Internacional no Fashion Museum of Paris, como um dos mais representativos trabalhos de Moda de todo o século XX até hoje. Atualmente, Jum é coordenador do coletivo Faap Moda Brasil - formado por alunas do curso de pós-graduação em direção de criação em moda da Faculdade Armando Álvares Penteado - e, ainda, realiza diversas palestras e workshops pelo País e no exterior sobre o processo criativo. Em sua produção, Jum Nakao é marcado pela capacidade de conciliar os recursos da tecnologia digital à sofisticação de peças únicas confeccionadas à mão (Viviane Gonçalves).


SAIBA MAIS

Site oficial
www.jumnakao.com.br
Comunidade Jum Nakao

VEJA MAIS
Documentário A cultura do invisível


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