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Além das fronteiras

Os filmes de João Moreira e Eduardo Coutinho são as novidades deste ano


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19/05/2007 15:43

Fernão Pessoa Ramos, Consuelo Lins e Amir Labaki fazem coro ao avaliar o atual momento do documentário brasileiro como extremamente profícuo. "Ele me parece hoje um universo mais inovador do que a produção ficcional. O papel atual da não-ficção brasileira é o de desbravar novas fronteiras", avalia o organizador do É Tudo Verdade, ocorrido em São Paulo no fim de março. Para Labaki, as duas tendências que lhe parecem mais fortes, nestes dois últimos anos, são a da retomada do documentário político e a do que ele chama de "documentarismo de atmosfera", ancorado na experiência da vídeo-arte e em autores como Lucas Bambozzi e Cao Guimarães.

Para Ramos, há duas 'correntes' fortes no documentário contemporâneo, brasileiro ou não. Uma é o "documentário-cabo", que trabalha com roteiro, depoimentos, material de arquivo, reconstituição e encenação. Outra é o documentário autoral, que tende a se aproximar do cinema experimental. Sua maior tendência é o filme em primeira pessoa. "Essa tendência está em sintonia com a sensação pós-moderna de esgotamento dos horizontes ideológicos. O documentário clássico tem um saber sobre o mundo. O contemporâneo não tem mais o que saber, fala sobre si mesmo. Essa é uma das maneiras de pensar esse documentário".

Lins aponta para o fato de que, este ano, vão haver dois 'acontecimentos' no documentário brasileiro. O primeiro é Santiago, de João Moreira Salles, exibido no fim de março no Festival Internacional de Documentários, no Rio de Janeiro, e no É Tudo Verdade. O segundo é Jogo de Cena, de Eduardo Coutinho, que deve ser lançado somente em outubro. "Trata-se de um grupo de mulheres com mais de 18 anos que foram ao teatro e contaram coisas das vidas delas. E, meses depois, eu chamei algumas atrizes que interpretaram literalmente o papel delas. No final, ficou atriz junto com personagem - ou separado, às vezes você não sabe se é atriz ou se é personagem. Enfim, ficou uma relativa confusão que pode ser interessante", adianta, ao O POVO, o próprio Coutinho. Para Lins, trata-se de dois filmes "que abrem caminho". (NP)

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