Eleuda de Carvalho
da Redação
Estrigas e Nice apresentam novos trabalhos a partir de hoje, no Museu de Arte da UFC - Mauc. Ele traz óleos, aquarelas e desenhos; ela mostra técnicas mistas. Na abertura, às 19h, Estrigas será homenageado pela Universidade Federal do Ceará com a Medalha do Mérito Cultural
17/05/2007 01:32

Do sítio em Mondubim para as salas do Museu de Arte da UFC (Mauc). Os artistas plásticos Estrigas e Nice Firmeza apresentam, a partir de hoje, cerca de 50 trabalhos recentes, feitos de agosto do ano passado para cá. A abertura da exposição será logo mais, às sete da noite, quando Estrigas também será homenageado, por sua relevante contribuição à cultura e a arte, com a Medalha do Mérito Cultural, outorgada pela Universidade Federal do Ceará (UFC). A sugestão da honraria foi da diretora do Instituto de Cultura e Arte da UFC, professora Angela Gutiérrez, proposta acolhida unanimemente pelo conselho da universidade. Além de todo o seu trabalho singular, Estrigas é também um historiador da arte, autor de diversos livros, alguns publicados pelas Edições UFC, em que ele trata do panorama contemporâneo das artes no Ceará, desde a pioneira Sociedade Cearense de Artes Plásticas (Scap), passando pelos Salões de Abril, a relevantes artistas cearenses, como os mestres Barrica, Raimundo Cela e Mário Baratta.
Nice e Estrigas, pinturas e desenhos - o nome singelo da exposição, sintetiza a simplicidade e parceria do casal e ao mesmo tempo tem a objetividade de ir direto ao assunto, sem rodeios (bem ao modo simpático, despachado e feliz destes dois parceiros de vida e arte). Estrigas vai apresentar cerca de 30 e poucos óleos, desenhos e aquarelas. Nice comparece com cerca de 23 trabalhos, em técnica mista e "aquilo que ela chama pintura com linhas. Tão bonito!", gaba Estrigas. Juntos há mais de 50 anos, na hora de criar, diz Estrigas, é "ela pra lá e eu pra cá. O colorido dela, o assunto dela, a composição de Nice é tudo muito diferente do meu trabalho. Às vezes, a gente faz observações no trabalho um do outro. Assim como a gente observa o trabalho de todo mundo". Sem interferências, entenda-se.
"Os meus temas são temas de qualquer canto, temas que a vida me dá. Faço paisagens, trechos de ruas... Da minha cabeça. São realidades da imaginação, não vou mais olhar aqui, acolá. As cenas vão saindo automaticamente da minha cabeça", diz Estrigas. No começo, lá pela década de 50, ele, Nice e a turma da Scap saíam para criar ao ar livre, numa cidade que era bem outra. Eles faziam uma espécie de piquenique com arte, ou "piquinicarte", matriz do tema das paisagens nos trabalhos de Estrigas, de Nice. Se a cidade cresceu em concreto e vem sufocando a natureza, ainda resta este pequeno paraíso pontuado de verde, árvores, flores, as plantas tratadas com zelo e amor pelo casal. O Mondubim, um mundo.
Mas nas cenas de Estrigas, há a presença marcante das criaturas. "Me prendo à figura, sempre presente no meu trabalho, mesmo quando pendo para o abstracionismo. Porque as pessoas associam a suas próprias impressões, vivências. As pessoas complementam", pondera. O encontro deles no Museu de Arte da UFC não é de agora. A primeira vez que expuseram juntos no Mauc foi em 1971. No catálogo, texto do cronista Milton Dias, que escreveu, sobre Estrigas, o múltiplo: "Ele vale, sozinho, por uma antologia e um cartório". Além deste encontro no Mauc, a casa do Mondubim, com seu Minimuseu Firmeza, é ponto de encontro certo. "Sempre tem gente por aqui, pra conversar. Artistas, amigos, pessoas que vão passando e pedem pra entrar, gente que viu uma notícia no jornal".
Sobre a Medalha do Mérito Cultural, Estrigas fala: "É de muita importância. Só as pessoas abençoadas... A gente não pode nem dizer em palavras, tem um valor simbólico tão grande. A medalha dá a dimensão da importância universal da cultura. Não estou achando que sou eu... O que pesou foi a sala Aldemir Martins, que eu doei pra UFC, em 1979. Com a condição apenas de que a sala fosse instalada no museu, para visitação pública". Na verdade, a doação que Estrigas fez ao Mauc é um dos motivos pelos quais a UFC reconhece o artista. Mas é por todo o seu trabalho, ligado à cultura, que ele, merecidamente, ganha a honraria. Estrigas, brincalhão, diz mais. Primeiro, sério: "Tô contrariado...". Por que, Estrigas? "O papa veio ao Brasil só pra benzer a medalha e não conseguiu", e dá uma risada!
SERVIÇO
Nice e Estrigas, pinturas e desenhos - exposição reunindo cerca de 50 trabalhos do casal de artistas plásticos. A abertura será logo mais, às 19h, quando Estrigas será homenageado com a Medalha do Mérito Cultural. A exposição fica em cartaz até 17 de junho, no Museu de Arte da UFC-Mauc (av. da Universidade, 2854 - esquina com av. 13 de Maio). O Mauc abre de segunda a sexta, de 8h ao meio dia e de 14h às 18h. Inf.: 3366.7481 ou no site www.mauc.ufc.br.