Os 30 anos de carreira do artista plástico Eduardo Eloy são revistos na mostra Na Margem dos 30, que abre amanhã no Centro Cultural Banco do Nordeste. Dessa vez, as gravuras e pinturas multicoloridas do artista se misturam à arte digital
07/05/2007 01:01

Haja palavras para alimentar o discurso do artista plástico Eduardo Eloy. A inspiração poética que ele prospecta para sua arte parece mesmo contagiar as lembranças da vida e da carreira que ele reconta nas duas horas de conversa com o Vida & Arte em seu ateliê. Jogado nos fundos de sua casa, perdida entre espigões no bairro Papicu, o espaço acumula ferramentas de trabalho, obras prontas, livros e boa parte das memórias coletadas por um dos mais importantes gravuristas do Brasil ao longo do seus mais de 30 anos de arte. É exatamente essa data que ele celebra com o público a partir de amanhã, no Centro Cultural Banco do Nordeste, com a abertura da exposição Eduardo Eloy - Na Margem dos 30. Na programação, também são 30 os trabalhos apresentados que resumem a trajetória do artista.
Inquieto, Eloy não consegue permanecer sentado por muito tempo. A cada lembrança, vem a necessidade de mostrar algo, de concretizar em imagem, para a reportagem, aquela história contada sobre cada período de sua carreira. Logo após recordar os cinco anos vividos na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, no Rio de Janeiro, ele se levanta para buscar um catálogo que reúne os principais expoentes da chamada Geração 80. Ao lado de nomes como os de Leda Catunda e Leonilson, está o dele. Após um período de investimento na instalação e na performance, nos anos 70, os novos artistas da época ousaram retornar para a pintura e brincar com as possibilidades gerada por ela. Apesar de não ter participado da exposição antológica que marcou o início dessa geração, em 1984, o trabalho de Eloy está muito próximo a essa linha de atuação.
"Fortaleza era acanhadíssima. Meu conflito com a cidade imperou por conta disso. Eu era um rebelde com causa; queria estudar arte", lembra ele, explicando ter deixado a capital cearense em busca de formação na área. Com o apoio de sua maior "mecenas", a mãe Terezinha Eloy, ele se encaminhou ao Rio de Janeiro, em 1976, aos 21 anos, retornando apenas em 1982. Ao retornar do mergulho pelo universo carioca, no qual aprendeu de tudo um pouco, Eloy trouxe consigo a primeira prensa moderna de gravura do Ceará. Ajudava a renovar, assim, a concepção existente dessa arte no Estado, até então arraigada nas xilos feitas em madeira encontradas nos cordéis.
Na volta, ele também resolveu inverter os papéis e desde então administra as carreiras de artista e de professor. Em sua obra, exposta nos mais diversos estados brasileiros e também no Exterior, arquétipos regionais se fazem presentes a todo momento. A brincadeira com as cores se torna um dos suportes por meio dos quais eles são representados. "Tenho que ter prazer nisso, senão não vale a pena", pontua. Atualmente, Eloy também se diverte recortando sua obras e interferindo nelas digitalmente, colando umas nas outras em fundos pretos. Esses trabalhos, denominadas de "instabilidades" do artista, estarão na exposição de logo mais. Com a carreira consolidada, mudam as plataformas, mas não a linha de trabalho que Eloy vem seguindo desde 1976. "Quem sabe a minha coerência não seja, na verdade, talento limitado, né?", afirma modesto, sorrindo.
SERVIÇO
NA MARGEM DOS 30 - Exposição de retrospectiva da obra do artista plástico Eduardo Eloy. A abertura acontece amanhã (8), às 19h, no Centro Cultural Banco do Nordeste (R. Floriano Peixoto, 941 - Centro) e segue até 30 de junho. O horário de visitação é de 10h às 20h, de terças a sábado, e das 10h às 18h aos domingos. Grátis. Informações: 3464.3108
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