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Para alemão ver o Ceará


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05/05/2007 02:51

Quem diria. Um filme com um despretensioso tempero cearense conquistou seu posto em um dos mais tradicionais festivais de cinema do mundo. Às vezes é melhor lavar a pia do que a louça, dos irmãos cariocas Luiz e Ricardo Pretti, é um dos quatro curtas-metragens brasileiros selecionados para a 53ª edição do Festival Internacional de Curtas de Oberhausen, que inicia hoje e prossegue até o dia 8 na Alemanha. O filme deles tem exibição prevista para depois de amanhã como parte da competição internacional, na qual ele disputa com outros 63 trabalhos.

Onde o Ceará entra nessa história? Todas as cenas foram gravadas na região da praia de Sabiaguaba, na Região Metropolitana de Fortaleza. Não por um capricho de locação, mas, simplesmente, porque deu na telha gravar justamente quando os irmãos - gêmeos - aportaram por aqui. De um dia de gravação, saiu Às vezes... .

É assim como funciona o ritmo de produção dos irmãos Pretti, que deixaram a bobeira de lado no Rio de Janeiro e há oito meses aportaram aqui para fazer cinema em novos ares. "Assim que chegamos a Fortaleza, ficamos um mês na casa do Ivo (Lopes Araújo, cineasta cearense), que fica na Sabiaguaba. O filme fala da nossa relação com aquele lugar, um espaço diferente da cidade de Fortaleza, mantido ainda em certo isolamento, num estilo meio hippie", explica Ricardo.

Os irmãos fazem cinema há sete anos e produzem longas-metragens em um ritmo avassalador. Aos 25 anos, os dois têm já assinaram quatro filmes do tipo: Estética da Solidão (2001), Performance (2004), Dias em Branco (2004) e Um Homem Sem Mulher (2005). Mais um está a caminho. O Desejo é Mais Forte que a Morte é o título provisório do projeto que já teve as cenas rodadas em Guaramiranga e está em fase de edição.

"O vídeo é uma espécie de escola. A gente aproveita as possibilidades dele e faz mesmo por conta própria sem precisar de um esquema de produção grande. Com pouca grana e alguns amigos já dá pra fazer", afirma Ricardo. Para ele, cinema se aprende colocando a mão na massa, por isso a insistência em estar sempre por trás das câmeras. A proliferação do vídeo e do formato digital tem ajudado os dois a conseguir o feito de uma produção contínua de longas-metragens.

"A gente busca um novo tipo de cinema e a linguagem que a gente está querendo vem por meio do vídeo. Com ele, a gente pode montar sem medo de errar. No cinema, geralmente se demora muito para ver um filme pronto. No nosso caso não. A gente vê o resultado ainda como um processo de criação", conclui. Ricardo já se encontra na Alemanha par acompanhar de perto o Festival. Luiz segue somente no dia 5 para conferir de perto a exibição do filme, apelidado de Sabiaguaba. Além de Às vezes..., também participam do evento os curtas Ãgtux, de Tania Anaya (na competição internacional), As Coisas que Moram nas Coisas, de Bel Bechara e Sandro Serpa, e Leonel Pé-de-Vento, de Jair Giacomini (ambos na competição de jovens e crianças).


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