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SHOW

Vamos comer Caetano

Luciano Almeida Filho
da Redação

O cantor e compositor baiano Caetano Veloso apresenta hoje o show Cê no Parque Ecológico do Cocó, dentro da programação de 25 anos de aniversário do Shopping Iguatemi. Caetano volta ao local que diz ter feito um dos melhores shows de sua vida, há 15 anos


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28/04/2007 01:58

CAETANO VELOSO pretende seguir à risca o repertório de Cê mas deixa margem para improvisações/ FOTO DIVULGAÇÃO
CAETANO VELOSO pretende seguir à risca o repertório de Cê mas deixa margem para improvisações/ FOTO DIVULGAÇÃO

Vamos comer Caetano... assim canta provocativa Adriana Calcanhotto. Desta vez quem faz o convite para o público cearense desfrutar do cantor e compositor baiano é o Shopping Iguatemi que, dentro das comemorações de seus 25 anos, programou para hoje uma apresentação gratuita de Caetano Veloso no Parque Ecológico do Cocó, às 21 horas. Para quem é fã de carteirinha, caetanófilo mesmo, a idéia é chegar cedo para pegar um bom lugar para devorar, deglutir, mastigar tudo que o veterano ídolo tropicalista pode nos oferecer na bandeja de seu novo espetáculo, Cê, baseado em seu mais recente CD - lançado em outubro passado.

Caetano volta ao local onde fez um de seus shows memoráveis. Não só para quem esteve no Cocó há 15 anos quando ele, depois de uma temporada do show Circuladô no Theatro José de Alencar, encerrou sua passagem por aqui com um espetáculo gratuito absolutamente sensacional. Mas memorável também para o próprio Caetano que, em entrevista por telefone direto do Rio, antes do início da turnê de Cê, se mostrou empolgado em voltar a cantar no Parque do Cocó. "Eu, em geral, digo que o show que mais gostei em minha vida foi um show do Circuladô que eu fiz no Rio de Janeiro, na praça em frente ao quartel em Realengo. E o segundo show que mais gostei em minha vida foi o mesmo Circuladô que eu fiz no Parque do Cocó, em Fortaleza", declarou inequivocamente.

O artista deixa bem claro que a linha mestra do show é o espetáculo Cê e não pretende fugir muito. No repertório, Caetano canta 11 das 12 músicas do CD. E passeia por músicas de várias fases de sua carreira. "Escolhi as canções que tivessem mais coerência, tanto artística quanto conteudística, com o repertório e a formação do disco Cê. São as canções que tem a ver com as canções do Cê, por uma razão ou por outra", reforça. Chama especial atenção composições da fase do exílio em Londres (1969-1972) e da época do disco Velô (1984), não por acaso épocas que trabalhou com formações novas e antenadas com o que era produzido com o rock e pop mundial (ver repertório). Ele ainda interpreta músicas de Francisco Alves, Moraes Moreira (Chão da Praça, parceria com o cearense Fausto Nilo) e Jorge Ben Jor.

Mas Caetano conhece seu público e dá a deixa: "Neste show, Cê, é da estrutura do show que eu cante só UMA (enfatiza) canção no violão e é aquela canção. (...) Agora, no final... Nunca se sabe. Pode ser que haja uma coisa ou outra... porque a gente tem uma capacidade de improvisação. Mas a esta altura eu espero que o show já tenha ganho o show desde a primeira música". É neste momento que a interação de público e artística precisa estar bem azeitada para que Caetano se sinta à vontade para, inclusive, atender pedidos - como aconteceu há 15 anos no mesmo Parque do Cocó.

Outro destaque do repertório do show de logo mais é a composição inédita, Amor mais que discreto, feita já depois da gravação do Cê, com direito a citação de Ilusão à Toa, de Johnny Alf. A canção vem causando polêmica (mais uma para a coleção de Caetano) por tratar da relação entre um homem maduro e um rapaz jovem (leia a letra). Caetano fala que é a música soa diferente do tom sexual das músicas do disco Cê justamente por ser mais 'gay'.

O disco/show Cê representa um redirecionamento na carreira de Caetano Veloso, eterno mutante da música popular brasileira mesmo aos 64 anos. Junto com o guitarrista Pedro Sá e contando com o filho Moreno Veloso na produção, ele se aproxima esteticamente do rock, especialmente das tendências contemporâneas do indie-rock, fruto de sua convivência com músicos bem mais jovens e até de seu filho mais novo, Zeca, de 14 anos. Ele vem citando nomes como Arctic Monkeys, Pixies, White Stripes e Strokes em entrevistas recentes, como bandas que vem ouvindo do convívio com as novas gerações. A crítica aponta também para Los Hermanos, banda cujos integrantes são amigos da turma de Moreno e Pedro.

Pedro Sá assina os arranjos, toca guitarra e comanda a banda convocada por ele mesmo: os amigos Ricardo Dias Gomes (baixo) e Marcello Gomes (bateria). "Os meninos me foram apresentado por Pedro, que já é de casa, é amigo de infância de Moreno, e vem colaborando comigo há alguns anos", disse Caetano. Caetano mantém apenas a colaboração com o artista plástico Hélio Eichbauer, que assina o cenário de Cê como vem fazendo desde de Estrangeiro (1989). Depois de estrear em Brasília e fazer temporadas no Rio e São Paulo, este mês de abril deu início à turnê nacional passando por Vitória (ES), Salvador e Porto Seguro (BA), Aracaju (SE), Natal (RN) e João Pessoa (PB). Depois de Fortaleza, segue para São Luiz (MA) e Recife (PE).


SERVIÇO
Cê - Show do cantor e compositor baiano Caetano Veloso, em comemoração ao aniversário de 25 anos do Shopping Iguatemi. Hoje (28), às 21h, no anfiteatro Parque do Cocó (Av. Engenheiro Santana Júnior, s/n - Cocó). Grátis.

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