Luiz Henrique Campos
e Patrícia Araújo (fotos)
da Redação
Da Gentilândia à orla marítima, a Fortaleza do poeta Airton Monte é atual sem perder as referências do passado
09/04/2007 01:38

A Fortaleza do poeta não é bela nem é feia, não é nova ou velha. A Fortaleza do poeta é a cidade na justa medida de seu tempo em uma simbiose entre o passado e o futuro. Onde a estética predomina mais em vista dos personagens que ilustram o momento, do que pelo local que venha a servir de cenário para qualquer encontro. Traçar o roteiro da Capital com Airton Monte é um pouco isso. Rir do passado que foi bom e celebrar a vida na esperança de que o futuro venha a ser melhor.
A Fortaleza do poeta é família. Família que se traduz no octogenário seu Airton e no solar dos Monte, na Gentilândia, casa dos pais, popularizada nas crônicas diárias publicadas no O POVO. Foi ali onde a cidade nasceu para Airton Monte, como gosta de dizer. Ao pai, hoje viúvo, afirma dever o referencial de leitura, humor e boemia, além do amor pelo futebol e pelo bairro onde nasceu.
A Fortaleza do poeta é gentil. Gentil... Gentilândia, que até hoje lhe permite caminhar pelas praças, bares e casas de contemporâneos da juventude, não mais tão jovens, que por ali ainda residem. No roteiro de Airton Monte, os campinhos de futebol do bairro foram o passo seguinte na descoberta da cidade. Com os rachas, vieram os amigos, as farras, e a necessidade de conhecer e experimentar outras coisas.
A Fortaleza do poeta é gregária. Como são as pessoas que estão de bem com a vida. Clube do Bode, Flórida Bar, bar do Chaguinha, Memorial da Gentilândia, são alguns dos locais que o poeta frenqüenta sem perigo de ficar só. Gregária e plural, é bom que se diga. Sim, porque como o próprio Airton filosofa, não há nada escrito indicando que a vida deva ser levada tão a sério e à base do pensamento único. Ainda mais em Fortaleza.
A Fortaleza do poeta é feminina. Não no sentido de gênero propriamente dito. Mas em sentimento, lirismo, paixão, alegria e prazer, coisas que o esteriótipo masculino prefere esconder. Na visão de Airton, que morou e trabalha hoje na Praia de Iracema, nada explica melhor essa relação da cidade com a alma feminina que o mar. É ali, destaca, que as pessoas se desponjam e se abrem para a vida, para o namoro, para as revelações.
A Fortaleza do poeta é aristocrática. De frente para o mar, é no restaurante do Ideal Clube que ele diz se sentir em um dos melhores lugares da Capital hoje em dia. É ali, também, onde podem se encontrar artistas sem alarde para celebrar à vida. A Fortaleza de Airton Monte é assim, lúdica e sincera, em meio às dificuldades cotidianas. Mas ninguém tem culpa de ter nascido poeta. Muito menos, em Fortaleza.