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Marcelo do bom

Tudo certo! Marcelo D2 vai fazer muito barulho amanhã, no Siará Hall, na comemoração de dois anos da rádio Mix, do Grupo O POVO de Comunicação. Antes, fala ao O POVO, por telefone, sobre drogas, violência, família e referências musicais. Polêmico por defender a legalização da maconha, D2 se define como "um moleque", prestes a completar 40 anos

Dalviane Pires
da Redação

30 Mar 2007 - 01h05min

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Quando comandava o Planet Hemp, entre um show e outro, Marcelo D2 pautava a mídia, a política e a sociedade para discutir a legalização da maconha. Foi preso, teve alguns shows cancelados, fez muito barulho com letras que não deixam dúvidas: D2 é realmente um cara polêmico. "Continuo pensando a mesma coisa (sobre a legalização da maconha), mas não dá pra ficar batendo na mesma tecla sempre", afirma ao O POVO, por telefone. Em carreira solo, a temática ainda é abordada em seus shows, com o aval dos milhares de fãs. No entanto, de maneira mais tranqüila, inclusive com boas doses de samba.

Samba? Siiiiim! Carioca bem no estilo malandro, D2 achou que em alguns momentos o samba poderia ser um bom parceiro do rap. A mistura tem dado certo. "Comecei me interessar pelo rap aos 16, 17 anos. Mais tarde vi que era legal misturar rap com um ritmo que é nosso", explica. O samba que D2 coloca com tanto entusiasmo em suas músicas, tem influências importantes como Bezerra da Silva, que ainda em vida, cantou a malandragem, abusou dos trocadilhos, chocou os mais conservadores com seu jeito escrachado. "O Bezerra (da Silva) foi o cara que me apresentou o samba. Foi uma pessoa muito importante", lembra. Perguntei se ele se considerava uma espécie de "Bezerra do Rap" e depois de uma risada gostosa soltou: "O Bezerra é único". Pelo jeito, o D2 também!

Prestes a completar 40 anos, Marcelo Maldonato Gomes Peixoto - nome de batismo - diz ainda não se sente um quarentão. "Sou um moleque. Mais criança do que meus filhos", comenta rindo. E de filhos ele entende bem. São quatro. O mais velho, hoje com 15 anos, já cantou com D2 - em Loandeano - e longe dos palcos recebe do pai Marcelo conselhos que vão desde o uso da camisinha até o uso de drogas. Define-se como um pai camarada. "O exemplo é a melhor coisa. Falo com ele sobre a importância de usar camisinha. Explico que tudo em excesso é ruim. Quero que meus filhos sejam felizes", diz D2.

Tendo na lembrança uma infância difícil, D2 busca proporcionar aos filhos o melhor, especialmente no que diz respeito à educação. Com orgulho, comenta que os filhos estudam em bons colégios, estão aprendendo outra língua, praticam esportes. "Ganhei um pouco de dinheiro, mas continuo tendo uma vida simples. Aposto na educação dos meus filhos. Uma diferença grande da minha infância pra dos meus filhos é a rua. No meu tempo você podia curtir a rua. Hoje não dá mais", diz D2, mostrando-se preocupado com a violência que aumenta a cada dia no país. O motivo de tanta violência? D2 arrisca: "A culpa é das desigualdades sociais".

Consciente dos problemas do Brasil, D2 mostra-se esperançoso quanto ao que chama de "amadurecimento da sociedade como um todo". Para ele, houve avanços no que diz respeito a liberdade, mas alerta que está longe do ideal. "Avançamos. Não da forma como eu gostaria, mas o Brasil está melhor. Há 10 anos atrás era muito mais difícil", compara. Através da repórter, ficou sabendo da polêmica em torno da retirada dos outdoors pela do show de amanhã por conta da expressão: "Vamos fazer barulho, porra!" - que para o Ministério Público Estadual atenta contra a moral e o bom costume, além de estar em desacordo com a legislação municipal - "Sério?! Eu falo porra toda hora! Temos tantos problemas para resolver. Em uma outra época da minha vida, mandaria todo mundo se fuder, mas estou focando minhas energias em outras coisas", ironiza.

Para o show de amanhã, D2 vai mesclar novos e antigos sucessos. Quem já curtia o som dele nos tempos do Planet Hemp, vai poder fazer barulho ao som de Legalize Já e Mantenha o Respeito, por exemplo. E o próximo disco, Marcelo, sai quando? "Vai demorar um pouco. Vamos voltar à Europa antes e fazer outros shows(o artista chegou a reunir 70 mil pessoas em shows pela Europa)". Faz mal não, Marcelo, a gente espera!


SERVIÇO
Marcelo D2 e Pitty, amanhã (31), no Siará Hall (av. Washington Soares, 3199, Edson Queiroz). Os ingressos estão à venda no local do show e em qualquer loja das Casas dos Relojoeiros. Preço: R$ 20,00 (pista); R$ 60,00 (camarote 1º piso); R$ 50,00 (camarote 2º piso). Devem ser pagos somente à vista. Às 22 horas, os portões do Siará Hall serão abertos. Mais informações: (85) 3278.4888. Site: www.siarahall.com.br.


PROMOÇÃO

O POVO vai sortear 5 ingressos com acompanhante para os shows de Marcelo D2 e Pitty, amanhã, no Siará Hall. Basta responder a seguinte pergunta: Em que dia Marcelo D2 completa 40 anos? As cinco primeiras respostas corretas ganhaum. As respostas devem ser enviadas para promoeventos@opovo.com.br.

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