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Vida & Arte

EXPOSIÇÃO

É permitido tocar

Daniela Nogueira
da Redação

Pinturas, esculturas, pedras, formações cristalinas e outros objetos que desafiam os sentidos. O trabalho, mais do que uma exposição, é um convite à interatividade e ao toque do público nas peças. Afinal, é assim que é feita a arte, segundo a artista Amelia Toledo


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29/03/2007 01:34

OBRAS de Amelia Prado: Situação tendendo ao Infinito, 1971 (acima) e Espaço Elástico, 1966/ FOTOS DIVULGAÇÃO
OBRAS de Amelia Prado: Situação tendendo ao Infinito, 1971 (acima) e Espaço Elástico, 1966/ FOTOS DIVULGAÇÃO

Entre, a obra está aberta. O título da exposição já sugere o convite à participação, à interatividade, ao contato do público com as peças à mostra. Afinal, para isso é que o trabalho foi feito, de acordo com a autora, a escultora e pintora Amelia Toledo. Segundo ela, que já coleciona 60 anos de carreira, o trabalho é uma mistura de pinturas, esculturas e outros objetos que é difícil separá-los em uma só categoria. "Não é um trabalho que precise de idéias formuladas. O importante é que se tenha um contato. E sem preconceito", adverte.

A exposição, além do convite ao toque na peça, sugere também vários olhares sob diferentes ângulos para que o público possa observar o mesmo objeto e ter dele várias interpretações. Nas salas do Museu de Arte Contemporânea, do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, os nove ambientes que compõem a exposição dão um ar marrom, que confere a quem vê a sensação de terra e de estabilidade.

São mais de 50 peças, que nascem meio despretensiosamente, com a espontaneidade típica de todo artista. "Eu amanheço com a idéia pronta, com o projeto na minha cabeça. Assim como todo processo crativo, tanto na ciência como na arte, eu trabalho com o lado da intuição do cérebro", diz a autora, tentando explicar a criação. Aí, a imaginação se junta ao talento e, "no repouso da noite, a intuição ajuda".

A exposição Entre, a obra está aberta tem a curadoria de Ana Maria Belluzo e foi criada especialmente para o ambiente que a abriga em Fortaleza. A partir do largo espaço oferecido na Capital, a paulista Amelia Toledo criou a instalação inédita Caminho dos terras e, junto com ela, além das esculturas e pinturas, vêm as pedras, as formações cristalinas, as jóias e objetos que desafiam os sentidos.

O trabalho também tem seu lado lúdico e talvez seja isso o que atrai o público, independente de sua faixa etária. Só em Florianópolis (SC), em dois meses de exposição, as obras foram vistas por cerca de cinco mil crianças e três mil adultos. "Algumas crianças dizem que querem morar lá nas peças. É o lado lúdico que o trabalho tem, que estimula a brincar com os discos tácteis, com a bola com espuma dentro...". Para a autora, as obras são destinadas às crianças que cultivamos em nós mesmos.

Esferas Hápticas, obra de 1969, reúne globos de aço coloridos que se encontram e capturam a luminosidade, quase num pedido de toque ao espectador. Figura como uma metáfora do munfo, refletindo o olho do visitante, que tenta descobrir o que vê, além da imagem de si próprio. Em Gambiarra, ostras, conchas e caramujos se enfileiram em um fio náilon, atraindo o observador acerca da estrutura interna desses objetos. A escultora, no próximo sábado (31), participa do programa Fala das Sete, na sala de aula do MAC. Depois de Fortaleza, onde fica até 28 de maio, a exposição segue para Curitiba (PR).


SERVIÇO
Entre, a obra está aberta - Exposição da artista paulista Amelia Toledo. Abertura hoje no Museu de Arte Contemporânea do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura (rua Dragão do Mar, 81, Praia de Iracema), a partir das 19h. A visitação segue até 28 de maio. De terça-feira a domingo, pode ser feita das 14h às 21h30. Ingressos: R$ 2,00 (inteira) e R$ 1,00 (meia). Aos domingos, a visitação é gratuita. Mais informações: (85) 3488.8622.


TRAJETÓRIA DE AMELIA
Amelia Toledo começou nas artes frequentando o ateliê da modernista Anita Malfatti, em São Paulo, nos fins de 1930. Estudou desenho, pintura e modelagem com Yoshiya Takaoka de 1943 a 1947. Em Londres, em 1958, freqüentou a London County Council Central School of Arts and Crafts e, já no Brasil, anos depois, estudou gravura em metal com João Luís Chaves, no Estúdio Gravura. No mesmo ano, ganhou o prêmio Melhor Jóia Moderna, no Concurso H. Stern.

Pela Universidade de Brasília (UnB), obteve o título de mestre, concedido por "reconhecido saber", em 1964. Foi professora, tendo lecionado na Sociedade Nacional de Belas Artes, em Portugal, de 1966 a 1967; na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Mackenzie, de 1967 a 1968; e na Faculdade Armando Álvares Penteado, de 1973 a 1974. De lá pra cá, tem desenvolvido projetos e obras em exposições mundo afora. O magistério ela deixou. Porque a arte falou mais alto e exigiu mais tempo de Amelia. "Foi uma boa escolha. A gente deve sempre trabalhar com aquilo de que mais gosta", diz a artista de 80 anos.


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