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MATÉRIA DE CAPA

Polêmica no Irã

Como tudo que envolve Ocidente versus Oriente, os iranianos vêm acusando Os 300 de Esparta de "filme hollywoodiano antiiraniano" e reclamando do teor homoerótico protagonizadas pelo rei babilônico Xerxez, papel de Rodrigo Santoro


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20/03/2007 01:19

O FILME procura ser fiel à estética de Frank Miller do mesmo a fatos históricos verossímeis(Foto: DIVULGAÇÃO)
O FILME procura ser fiel à estética de Frank Miller do mesmo a fatos históricos verossímeis(Foto: DIVULGAÇÃO)


A produção Os 300 de Esparta mal chegou às salas de cinema nos Estados Unidos e já anda causando polêmica. O longa revoltou a imprensa e autoridades do governo do Irã. "A mensagem para o espectador é que o Irã, que forma atualmente parte do 'eixo do mal' é há muito tempo fonte do mal e que os ancestrais iranianos são os selvagens e imbecis que aparecem em 300", afirmou o jornal Ayandeh-No, citado pela agência de notícias France Press (AFP). Segundo a agência, o conselheiro cultural do presidente Mahmud Ahmadinejad, Javad Shamag Gari, teria qualificado o filme como "uma guerra psicológica dos Estados Unidos contra o Irã". Segundo a agência Fars, três deputados pediram ao Ministério das Relações Exteriores que proteste oficialmente contra o que denominou de "filme hollywoodiano antiiraniano". Os iranianos, também segundo as agências noticiosas, estariam indignados com cenas de teor homoerótico protagonizadas pelos reis Xerxez e Leônidas.

Para o professor de História Geral da Faculdade de Educação, Ciências e Letras do Sertão Central (Uece) e do Instituto Teológico Pastoral do Ceará, Edilberto Reis, a reação iraniana é "forçação de barra". "A própria história grega da época já retratava os persas como povos bárbaros. Esses filmes somente reproduzem essa visão etnocêtrica grega da época, do ocidente como portador da civilização", explica. Além disso, o historiador aponta para fatores históricos que ao longo dos tempos diferenciaram os povos persas dos iranianos. "A civilização persa e o Irã de hoje têm em comum apenas a localização, porque de resto não há quase nada. É um outro padrão civilizacional", diz.

O historiador, doutorando em História pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, acredita que a "carapuça serviu" graças ao tipo de relação que se estabelece atualmente entre o Ocidente e o Oriente. "Quando os nervos estão à flor da pele, qualquer coisinha é motivo para os ânimos se exacerbarem. O Irã olha para um lado e vê o Iraque invadido, grande aliado dos Estados Unidos nos anos 80, e do outro o Afeganistão, que recebeu ajuda norte-americana na libertação das mãos da União Soviética. E o Irã sempre foi inimigo, então imagine a tensão que eles têm, qualquer movimento é considerado agressão", diz.

Quanto ao homoerotismo, o historiador afirma que há registros na historiografia e na filosofia que comprovam essa prática na Grécia Antiga. "(A homossexualidade) chegou inclusive a ser chamada de 'vício grego'", lembra. "Mas é complicado deduzir que era igual com os persas", completa. O professor diz não ter conhecimento de registros sobre a homossexualidade de Xerxez. "Além disso, é meio esquisito essa relação entre dois generais inimigos. Imagina o Bin Laden com George Bush trocando carícias. É estranho...", compara.


QUEM É FRANK MILLER
Norte-americano de Olmie, Maryland (EUA), Frank Miller (1957) é referência no mundo dos HQs e considerado um mestre na arte do claro-escuro, no jogo entre luz e sombra. O quadrinista começou a desenhar ainda muito jovem, colaborando para vários fanzines. Na revista Daredevil (Demolidor), a partir de 1979, Miller criou personagens inesquecíveis como a ninja Elektra. Em 1982, desenhou a mini-série Wolverine, escrita por Chris Claremont. Em 1986, para a Marvel, ele escreveu a graphic novel Demolidor: Amor e Guerra, a mini-série Elektra Assassina e aquela que é considerada a melhor história do Demolidor, A Queda de Murdock. Ainda neste mesmo ano, a DC lançou Batman - O Cavaleiro das Trevas, escrita e desenhada por ele, uma das séries mais premiadas e cultuadas de todos os tempos. Em 1987, ele escreveu outro marco na carreira do Homem-Morcego na história Batman: Ano Um. Em 1991, Miller escreveu e desenhou aquela que é considerada sua obra-prima: Sin City - A Cidade do Pecado, que daria origem a toda uma série de histórias espetaculares e mais tarde (em 2005) ao filme homônimo do cineasta Robert Rodriguez, considerado uma das melhores e mais fiéis adaptações de uma história em quadrinhos para o cinema. Em 1998, Miller criou a mini-série Os 300 de Esparta, escrita e desenhada por ele. Em 2001, ele escreveu e desenhou para a DC a tão aguardada mini-série Batman: O Cavaleiro das Trevas 2."
(fonte: www.300desesparta.com.br)

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