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Estrela da canção

Maria Bethânia como você nunca viu. A intimidade musical da cantora é mostrada em Maria Bethânia: Música é Perfume, dirigido pelo francês Georges Gachot


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16/03/2007 01:56

FOTO DIVULGAÇÃO
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Mesmo considerada uma das intérpretes mais aclamadas da sua geração, pouco (ou quase nunca) se vê Maria Bethânia em programas dominicais de televisão, talk shows ou em capas de revistas de celebridades. Despojada de afetações, a artista conduz a carreira de mais de 40 anos com integridade irreparável e prefere reservar-se à intimidade. Talvez resida aí o grande prazer de descobri-la mais de perto e vê-la em pleno domínio do seu ofício no documentário Música é Perfume, dirigido pelo francês Georges Gachot. O cineasta consegue superar a famosa aversão da cantora às câmeras e mostrá-la à vontade, em prosa e em verso. O próprio título do filme vem de um dos depoimentos da cantora. "Música é uma coisa que é como perfume. É imediato. É sensorial", diz.

Semelhante ao esquema de um making off de DVD, o filme focaliza o processo criativo da cantora, ao alternar cenas dos ensaios e da turnê do disco Brasileirinho com as gravações do CD Que falta você me faz, um tributo ao poeta Vinícius de Moraes, realizado em 2005, além dos depoimentos de familiares, como a mãe Dona Canô e o irmão Caetano Veloso, e amigos e parceiros, como Chico Buarque de Holanda, Nana Caymmi, Gilberto Gil e o diretor artístico Jaime Alem. Diretor de Martha Argerich, Conversas Noturnas, um de seus documentários mais clássicos, Gachot busca contextualizar a história artística de Bethânia no Brasil. Talvez pelo próprio olhar estrangeiro do cineasta francês radicado na Suiça, há uma tentativa de compor uma ligação entre imagens do cotidiano e das paisagens do Rio de Janeiro, de Salvador e de Santo Amaro, interior da Bahia, terra natal da cantora, com o repertório calcado em sambas canções, serestas e canções românticas.

Narrado pela própria Bethânia, o filme capta toda a elegância da cantora, seja numa conversa com os músicos, no jeito como move as mãos ou no magnetismo da performance no palco. É - sem exagero da palavra - um deleite. Melhor ainda é vê-la interpretar, entre outras canções, Negue, (Adelino Moreira e Enzo de Almeida Passos), O que tinha de ser(Vinícius de Moraes e Antônio Carlos Jobim), Olhos nos olhos (Chico Buarque de Holanda), Tarde em Itapoã (Vinícius de Moraes e Antonio Pecci Filho) e Luar do sertão (João Pernambuco e Catulo de Paixão Caerense). Entre uma conversa e outra, Bethânia relembra traços da infância, como os primeiros exercícios de concentração quando brincava de faquir no alto das árvore com o irmão mais velho Caetano, o que significava ficar lá sem fazer nada, por horas a fio, e fala da maneira como lida com a música. Ela revela, por exemplo, que costuma telefonar para compositores, como o fez com Gonzaguinha e Vinícius de Moraes, para sugerir mudança na letra das canções. "Há certas palavras que eu não digo, e não há quem me faça dizer. Pode ser uma música de Chico Buarque de Holanda, que eu venero, mas não vou dizer", afirma.

O documentário culmina com a confirmação da idéia da própria Bethânia ("nada como um cheiro ou uma música para nos fazer sentir, viver, lembrar"), ao cantar Melodia Sentimental (Heitor Villa Lobos e Dora Vasconcelos). "A voz mora em mim, mas não sinto como se fosse minha. É uma expressão de Deus, uma fagulha", diz a cantora. Para quem perdeu no último domingo, hoje à meia-noite o canal GNT exibe mais uma vez o documentário, também disponível em DVD pela gravadora Biscoito Fino.


SERVIÇO
Música é Perfume - O documentário sobre Maria Bethânia pode ser conferido hoje, à meia-noite, no Canal GNT (reprise). O DVD custa, em média, R$ 50.


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