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Vida & Arte

EXPOSIÇÃO

Retrospectiva dourada

Há cerca de 40 anos uma geração de artistas plásticos era revelada e trazia como traço comum objetivos profissionais com uma perspectiva de mercado


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12/03/2007 02:05

CAIXA ABERTA, obra de Sérgio Pinheiro, e tapeçaria de Carlinhos Moraes (abaixo) são duas obras que estarão na exposição Juventude Dourada, com abertura amanhã no CCBN
CAIXA ABERTA, obra de Sérgio Pinheiro, e tapeçaria de Carlinhos Moraes (abaixo) são duas obras que estarão na exposição Juventude Dourada, com abertura amanhã no CCBN

Há quarenta anos, eles eram jovens e queriam viver de arte. Não buscavam apenas desenvolver vieses estéticos. Queriam, também, obter sustento financeiro a partir de seus próprios trabalhos. Em comemoração aos 40 anos dessa geração de artistas, conhecida como 'Juventude Dourada', acontecerá amanhã a abertura da exposição Juventude Dourada - Artistas das décadas de 60 e 70, às 19 horas, no Centro Cultural Banco do Nordeste.

A curadoria da exposição é do artista plástico Roberto Galvão, também participante dessa prole de artistas. "Nossa geração foi pejorativamente chamada de 'Juventude Dourada' pela crítica, isso porque éramos artistas com objetivos profissionais, que queriam viver de arte numa perspectiva de mercado", explica o curador.

O contexto histórico data do fim da década de 1960, ocasião em que o panorama cultural efervescia no Ceará. Para se ter uma idéia, em 1961 surgiu o Museu de Arte da UFC (Mauc). Em 1964 foi reaberto o Salão de Abril, que passou a ser organizado pela Prefeitura de Fortaleza. Em 1967 foi criada a Secretaria de Cultura do Estado (Secult) e, nesse mesmo ano, surgiu o Centro de Artes Visuais, a Casa Raimundo Cela. "Foi do Centro de Artes Visuais que surgiram esses artistas", acrescenta Galvão. Alguns nomes famosos dessa geração, que estarão na exposição, são Aderson Medeiros, Batista Sena, Gilberto Cardoso, Hipólito Rocha, Joaquim de Souza, Kleber Ventura, Marcus Jussier, Marcos Alcântara, Sergei de Castro, Sérgio Pinheiro e Tarcísio Félix.

Outros artistas da exposição não surgiram no Centro de Artes Visuais, mas eram contemporâneos da 'Juventude Dourada'. José Tarcísio, Inácio Rodrigues, Descartes Gadelha e Sérgio Lima serão contemplados. "Eu me preocupo em mostrar o ponto áureo da década de 1960 e 1970. Esses artistas não podiam faltar". Segundo o curador, a exposição será dedicada à artista plástica Heloysa Joaçaba, uma das primeiras apoiadoras. "Heloysa ajudou tanto na divulgação das exposições como viabilizou os espaços. Ela articulava tudo e foi a primeira a referendar nosso trabalho."

A exposição apresentará três salas temáticas, que contemplarão os principais vieses da época, que consistem, segundo o curador, no Fantástico, no Social e no Abstrato. "Poderia ter acrescentado a Paisagem, mas percebo que ela só foi importante no fim da década de 1970", diz Galvão. Os trabalhos permanecerão em cartaz no CCBNB até 6 de maio. "O importante dessa exposição é que muitos artistas desconhecidos pelas gerações mais novas poderão novamente ter seus trabalhos contemplados", finaliza o curador.


SERVIÇO

Juventude Dourada - Artistas das décadas de 60 e 70 - Exposição reunindo trabalhos de artistas revelados há cerca de 40 anos com curadoria de Roberto Galvão. Abertura amanhã, 13/ 3, no Centro Cultural Banco do Nordeste (Rua Floriano Peixoto, 941 - Centro), às 19h. Aberta ao público de 14/3 a 6/5. Grátis.


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