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Grupos de teatro aproveitam o YouTube


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22/02/2007 01:15


Quem viu, viu; quem não viu, não viu. Essa regra, no teatro, continua em pé, uma vez que a arte dos palcos (ainda) pressupõe o encontro entre intérprete e platéia. Mas alguns profissionais das artes cênicas se deram conta de uma nova possibilidade à espreita, uma janela para os curiosos, ao descobrirem que os registros em vídeo de seus espetáculos não precisavam ir, necessariamente, para uma estante, uma gaveta ou um baú. E finalmente chegou o dia em que o teatro também encontrou o YouTube.

Já é possível rever cenas de espetáculos importantes, resgatar trechos de montagens históricas, ter acesso a peças exibidas em outros países e escolher uma opção no roteiro teatral depois de assistir a trailers na internet. "A postagem de vídeos, para nós, tem funcionado muito bem como meio de divulgação", conta um dos diretores do grupo Os Satyros, Rodolfo García Vázquez. Das peças do grupo em cartaz, é possível assistir a cenas de Inocência e Filosofia na Alcova.

Nesses dois casos, os trechos postados foram gravados especificamente para o YouTube e editados de forma a resumir o espetáculo, em linguagem de trailer. "Além do acesso espontâneo do usuário da internet, a gente recomenda a pesquisa no YouTube para quem nos liga perguntando como é tal peça, ou para amigos que estão em outra cidade e não podem vir a São Paulo", diz Vázquez.

Assim como as peças do Satyros, é possível encontrar cenas no YouTube de Os Sertões, no teatro Oficina, com direção de Zé Celso, de O Avarento, peça de MoliÕre com Paulo Autran e direção de Felipe Hirsch, e do musical Sweet Charity, com Claudia Raia e direção de Cláudio Botelho e Charles Möeller. Mas o maior número de acessos ainda parece coroar uma infinidade de esquetes cômicos interpretados por comediantes de espetáculos como Terça Insana, Humor de Quinta e Nunca se Sábado.

No caso da filmagem dos esquetes cômicos e dos shows de "stand up comedies", que não dependem muito de cenografia e raramente contam com mais de dois atores em cena, o vídeo até que passa uma noção mais completa do espetáculo. Em geral, são postadas apresentações inteiras, em seqüências que chegam a ter 20 minutos. Algumas dessas exibições foram colocadas na internet por espectadores que filmam com câmeras digitais e celulares.

Ziza Brizola, uma das integrantes do grupo Linhas Aéreas vê o YouTube ainda como uma ferramenta estratégica de divulgação de seu trabalho. "É como garrafas ao mar, você lança sem saber qual será o retorno, mas pode funcionar'', diz.

"A obra do videomaker que trabalha especificamente com teatro pode ganhar certa independência em relação à obra filmada depois de colocado na internet", diz Gabriel Fernandes, jovem de 25 anos que registra os trabalhos do teatro Oficina. "No meu caso, por exemplo, o vídeo é feito de dentro da cena. Eu chamo esse trabalho de "câmera-ator'. É mais orgânico, traz uma perspectiva mais subjetiva", explica.

Por enquanto, a questão da divulgação ainda é o que motiva a maior parte da movimentação, mas não toda ela. Para o ator português Rui Miguel Germano o YouTube permite "ver um bocadinho daquilo que se vai fazendo pelo mundo, o que nos serve para pesquisar novas formas de fazer teatro". (da Folhapress)


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