12/02/2007 01:42
Os rumos do setor fonográfico diante das novas ferramentas de se consumir música é um dos assuntos mais debatidos na 1.ª Feira Música Brasil, concentrada no Recife Antigo e que terminou ontem. Não por acaso, o tema direciona grande parte do ciclo de conferências nas proximidades da sede da feira. Uma das mais procuradas - O Renascimento da Música: O Fim dos Selos como os Conhecemos? - trouxe o americano Brad Powell, fundador do CalabashMusic, comunidade global de distribuição por download de música que propõe soluções novas para a era digital.
Powell é advogado de músicos independentes pelo mundo afora e identifica formas eficazes de promoção de um artista, que vão além dos tradicionais modelos de divulgação pelo celular da mensagem de texto: "Isso já é feito em muitos lugares de maneiras diferentes", destacou ele. "O artista hoje dispõe de mecanismos de aproximação maior com os fãs, a partir da construção de uma base de informações detalhadas de cada um deles. Tendo em mãos esses dados, disponibilizados com o aval dos próprios fãs, é possível conhecer o perfil deles e, assim, privilegiá-los com alguns mimos, como ringtones de músicas gratuitos durante o período de lançamento de seu disco ou mesmo promoções em shows. "Quando os fãs estão no show, podem ganhar vídeos, ringtones, MP3 para seus celulares. Aí, eles mostram o vídeo do show para os amigos, que da próxima vez vão querer ir ao show também", disse Powell. "O álbum e a gravadora como conhecemos vão mudar, não vão sumir. Novo mesmo é o modelo: antes, você lançava um disco com lado A e B, agora você tem do lado A a Z."
Outra conferência concorrida foi a do americano Paul Miller ou DJ Spooky. Escritor, artista e músico de Nova York, Spooky falou sobre a história da relação de arte contemporânea com o som e as mídias do ponto de vista digital. "Vivemos numa era de customização em massa, tudo diz respeito à mixagem", sentenciou ele. A relação do DJ com o uso e a livre interpretação das obras alheias esteve em pauta no debate com o público. Spooky acredita que não tem como haver um policiamento no mundo em relação àquilo que ele chama de customização. "Acho que a lei de copyright não deve ser eliminada, mas adaptada à nova era digital", defendeu. Para ele, você não está destruindo a obra alheia, mas conferindo a ela uma interpretação própria. "Quando você pega uma obra, é uma volta ao registro original. Retoma a história, vai dar uma nova versão a ela." (da Agência Estado)