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Vida & Arte

Um ritmo com história


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10/02/2007 15:07


Gênero tipicamente urbano, o frevo nasce em meio às novas categorias profissionais que surgem no início do processo de industrialização de Recife, nas últimas décadas do século XIX, como conta o sociólogo Francisco de Oliveira, em texto publicado na coletânea Decantando a República - Inventário histórico e político da canção popular moderna brasileira - vol.3: "O frevo é uma música da desordem urbana, a partir da formação na cidade das classes populares, dos novos pobres, operários industriais. O frevo é uma criação do fim do século XIX, quando Recife se industrializava com as primeiras fábricas têxteis".

Daí as primeiras agremiações carnavalescas de Recife levarem nomes de profissões operárias: Pão Duro, Clube das Pás, Vassourinhas, Madeiras do Rosarinho, Batutas de São José, fazendo referência, respectivamente, aos padeiros, trabalhadores da construção civil, funcionários da limpeza urbana, fabricantes de vassouras, lenhadores, e os batutas, ou seja, valentões.

Estes últimos têm importância central na formação do passo, a dança do frevo. Os "arruaceiros", como costumavam ser chamados, iam à frente de sua agremiação, desafiando os integrantes de clubes adversários. Utilizavam golpes e gingados da capoeira, que aos poucos foram convertendo-se em dança, dando origem aos complexos passos do frevo. As atuais sombrinhas eram, em sua origem, velhos guarda-chuvas usados como armas de defesa. "Os desfiles, que depois ganharam em organização, eram, primordialmente, arruaças públicas, forma ostensiva de desobedecer à lei, a insolência popular frente aos mandões locais. São arruaceiros, prostitutas, valentões, confundidos todos na categoria das classes perigosas. Publiciza-se o conflito", afirma Francisco de Oliveira, no mesmo artigo.

Os ágeis movimentos dos capoeiras teriam influenciado também o ritmo da música, obrigando as bandas militares que acompanhavam os clubes a acelerarem seu dobrado. Porém, outros ritmos, bastante populares na época, como a polca e o maxixe, foram acrescentados, formando a complexa composição rítmica do frevo. Dança e música vão formando-se simultaneamente, como explica Valdemar Oliveira, no clássico livro Frevo, Capoeira e Passo: "Foi de fato, no Recife dos fins do século XIX, começos do XX, que a música foi aparecendo, conduzindo a dança, ou a dança foi tomando corpo, sugerindo a música. É impossível distinguir bem: se o Frevo, que é música, trouxe o Passo ou se o Passo que é dança, trouxe o Frevo. As duas coisas foram se inspirando uma na outra - e completaram-se".

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