Daniela Nogueira
da Redação
Um abraço. É tudo o que eles oferecem em estão dispostos a receber. Sem muitas explicações. Os participantes do movimento Abraços Grátis já foram confundidos com membros de movimentos político ou religioso. Eles distribuem sorrisos e braços abertos, convidando os apressados do dia-a-dia a darem aquele abraço
06/02/2007 01:16

Quase meio-dia de sábado, Praça do Ferreira, gente caminhando apressada, sol fazendo suar. Chega, então, um grupo de jovens com cartazes que exibem a frase Abraços grátis. Começa a distribuição de carinho e o estranhamento do povo. Uns se assustam. Outros ficam receosos, param, analisam com mais atenção. Alguns nem hesitam. Não resistem e correm em direção aos braços abertos. Junto ao abraço, vai o inevitável sorriso e ainda rola um tapinha nas costas.
Assim atua o grupo que tem em comum a vontade de querer arrancar um sorriso e fazer o dia de alguém mais feliz. Meio clichê? "Não precisa ter nenhuma explicação filosófica", resume Danilo Maia, 24, um dos participantes do movimento Abraços Grátis, que surgiu, em 2005, na Austrália, sob o título original, no inglês, de Free Hugs. Os participantes cearenses se conheceram a partir da criação da comunidade Free Hugs Fortaleza, no site de relacionamentos Orkut, em novembro do ano passado.
Desde a criação, feita pela universitária Lívia Silva Pinto, 21, os membros já organizaram cinco encontros para dar e receber abraços. O quinto foi no último sábado, 3. Já passaram pelo calçadão da avenida Beira Mar, pelo Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, pelo Shopping Aldeota e pela avenida Monsenhor Tabosa. De histórias eles já ouviram um monte e casos para contar também têm de sobra: cômicos e trágicos, mas todos sinceros, reconhecem.
As melhores lembranças que os participantes do Abraços Grátis guardam são, especialmente, de crianças e idosos. Tem a senhora que, depois do abraço, se emocionou e começou a chorar. Tem a criança que prendeu as pernas na cintura do outro e não quis mais largar o abraço. Tem o senhor viúvo que desabafou dizendo que o último abraço foi há 10 anos, antes da morte da esposa e da saída dos filhos de casa. Mas há também quem ache que é uma brincadeira. "Pensei que fosse pegadinha", soltou, uma vez, uma mulher com medo do ridículo.
Também há quem queira saber mais. Como se abraçar precisasse de motivo. É movimento político? Religioso? Algo ligado à universidade? "Não, não. A gente só quer abraçar", eles sorriem, respondendo. Será que estão precisando de carinho? "A gente não precisa estar carente. Só precisa estar feliz", explica a advogada Aêrta Cristina, 25.
O pré-requisito para fazer parte do ato vem, então, por conseqüência - é querer se doar. Se for alguém carinhoso, ajuda, mas também não é exigência. A receptividade, em geral, é boa. "O máximo que as pessoas fazem é ignorar. Nunca chegaram a hostilizar", diz o universitário Guilherme Muchale, 22. Mas foi difícil ouvir certa vez: "A atitude é legal, mas é coisa de quem não tem o que fazer". E o que se responde depois disso? É Aêrta Cristina quem diz: "E fazer o bem não é nada?".
Ação mútua, o movimento acaba fazendo bem (e talvez principalmente) aos membros que oferecem o abraço. Uma espécie de terapia. "A melhor que já fiz. E olhe que eu tenho anos e anos de terapia! Se não fossem esses abraços, eu nem estaria conversando com você agora de tão tímida que eu era", conta Lívia Silva Pinto, que, de tanto nos sorrir e falar, nem parece que era "tão tímida" assim.
Mas cuidados precisam ser tomados porque há quem confunda, há quem reclame que seja "só abraço" e peça uns beijinhos às meninas. "Aí, a gente diz que beijo é com o Guilherme ou com o Danilo", explicam as meninas, apontando para os colegas.
SERVIÇO
Mais informações sobre o movimento Abraços Grátis (Free Hugs) em Fortaleza podem ser obtidas pela comunidade no site de relacionamentos Orkut Free Hugs Fortaleza (http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=24054898).
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