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De hoje até 28 de fevereiro, a exposição fotográfica Como Salvar a Ilha de Moçambique? apresenta aspectos da cultura moçambicana, na Galeria de Artes do Sesc Fortaleza. O projeto inclui mostra de vídeos e jornadas interculturais África-Ceará para debater a situação pós-guerra da Ilha de Moçambique


05 Fev 2007 - 01h59min

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A EXPOSIÇÃO Como Salvar a Ilha de Moçambique? fica em cartaz de hoje até 28 de fevereiro, na Galeria de Artes do Sesc Fortaleza(Foto: Divulgação)
Após a independência declarada em 25 de julho de 1975, a Ilha de Moçambique passou por uma longa guerra civil que perdurou até 1992. Vivendo agora o momento pós-guerra, os moradores da Ilha procuram restaurar a potência criativa e cultural da região, que foi reconhecida há 15 anos pela Unesco como Patrimônio Cultural da Humanidade. "Com o pós-guerra, começamos a arranjar nossa casa. Queremos transmitir uma mensagem positiva e afirmativa da nossa cultura, principalmente agora que estamos num momento de paz", afirma o moçambicano Carlos Pinto de Magalhães. Ele organiza a exposição fotográfica itinerante Como Salvar a Ilha de Moçambique?, que fica em cartaz de hoje até 28 de fevereiro, na Galeria de Artes do Sesc Fortaleza.

Após circular pelo Rio Grande do Sul, Minas Gerais, São Paulo, Distrito Federal, Bahia, Pernambuco, Sergipe e Alagoas, a exposição itinerante chega a Fortaleza, com fotos que retratam a cultura local de Moçambique, incluindo danças, artesanato e gastronomia. Paralelo à exposição, uma mostra de cinema contemporâneo africano e a jornada intercultural África-Ceará acontecem na Casa Amarela Eusélio Oliveira e na Sala Cine-Vídeo do Sesc Fortaleza. "Estamos em Fortaleza para estabelecer elos de geminação entre as duas populações: a de Moçambique e a do Ceará. Vamos ver a possibilidade de fazer um giro pelo Estado do Ceará, passando por Iguatu, Crato e Juazeiro do Norte", comenta Carlos.

Idealizado pela organização não-governamental Círculo de Mulheres da Ilha de Moçambique, a idéia do projeto é questionar os visitantes sobre os efeitos do pós-guerra em Moçambique, coletando sugestões para os problemas como deficiências de saneamento e degradação dos monumentos. Nas duas últimas décadas, o número de habitantes da Ilha - a maioria composta por refugiados da guerra civil - sobe de três para 20 mil. Durante os séculos XVII e XVIII, a Ilha de Moçambique era colonizada por portugueses, que exportavam ouro, marfim e escravos da Ilha para o Oriente, Europa e Golfo Pérsico. A península é dividida em duas partes: uma abriga o antigo Centro Comercial, com suas lojas, armazéns, e magníficos edifícios, onde moravam os senhores de terra; a outra é construída por casas em terra batida, colmo e folhas de palmeiras, acolhendo a grande maioria da população: pescadores, artesãos e pequenos comerciantes.

A ONG Círculo de Mulheres da Ilha de Moçambique também soma esforços para a construção de um centro de estudos afro-brasileiros na Fortaleza de São Sebastião, em Moçambique, no ano de 2008. "Estamos trazendo a exposição para o Brasil, principalmente com esse objetivo. Fazemos um apelo à população brasileira para que a gente possa edificar o centro de estudos afro-brasileiros na Fortaleza de São Sebastião, que é nosso principal símbolo histórico", comenta Carlos. O espaço irá receber o nome do historiador brasileiro Luís da Câmara Cascudo, que viveu por dois anos em Moçambique.

Após a exibição do filme Little Senegal, do argelino Rachid Bouchareb, a abertura da Jornada Intercultural África-Ceará inclui debate sobre o tema A Igreja e os Escravos, com o escritor José Carlos Gentilli, de Brasília. Às 14h, o professor da Universidade de Brasília (Unb), Rafael Sanzio, lança o livro Quilombos e fala sobre matrizes africanas do território brasileiro, com a participação de alunos de escolas públicas. Independente dos grupos étnicos que vivem na ilha, as mulheres se empenham na manutenção da cultura da Ilha de Moçambique. A mostra Como salvar a Ilha de Moçambique? homenageia as mulheres cearenses que contribuíram com atividades em prol do desenvolvimento feminino ou em favor das comunidades locais no Ceará.


SERVIÇO
Como Salvar a Ilha de Moçambique? - Exposição itinerante de fotografias, mostra de filmes e debates interculturais África-Ceará. De hoje até 28 de fevereiro, na Galeria de Artes do Sesc Fortaleza (rua Clarindo de Queiroz, 1740 - Centro) e na Casa Amarela Eusélio Oliveira (avenida da Universidade, 2591 - Benfica). Grátis. Info.: 3452.9000.


PROGRAMAÇÃO

Hoje
8h30

Local: Casa Amarela Eusélio Oliveira
• Abertura das jornadas interculturais África-Ceará: projeção do filme Little Senegal, de Rachid Bouchareb, seguido de palestra e debate com o tema A Igreja e os Escravos, com a participação de José Carlos Gentilli (DF).

14h30
Local: Sala Cine-Vídeo Sesc Fortaleza
• Exibição do vídeo Atlântico Negro na Rota dos Orixás, de Renato Barbieri, e palestra com o tema Matrizes Africanas do Território Brasileiro, com a participação do prof. Rafael Sanzio (Unb).

18h
Local: Galeria de Artes e Praça de Eventos do Sesc Fortaleza

• Abertura da exposição itinerante de fotografias sobre a Ilha de Moçambique.

• Mulheres Cearenses: apresentação de Valéria Machado, porta-voz do Círculo de Mulheres da Ilha de Moçambique, no Ceará; contação de história de tradição oral de origem africana, por Tâmara Bezerra; recital da poetisa repentista Cristina Santos; apresentação do grupo folclórico do projeto Chão de Estrelas, de Maracanaú; apresentação do grupo de percussão de Guaiúba; lançamento do livro A Igreja e os Escravos, de autoria do advogado e escritor José Carlos Gentilli (DF).

• Encerramento com coquetel africano


MOSTRA DE CINEMA DA ÁFRICA CONTEMPORÂNEA

SALA CINE-VÍDEO SESC FORTALEZA

• Amanhã - 19h - ATLÂNTICO NEGRO NA ROTA DOS ORIXÁS
• Terça - 19h - MEMÓRIA ENTRE DUAS MARGENS
• Quarta - 19h - RASTROS, PEGADAS DE MULHER
• Quinta - 19h - RUANDA IN MEMORIAN

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