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Para sentir Moçambique
De hoje até 28 de fevereiro, a exposição fotográfica Como Salvar a Ilha de Moçambique? apresenta aspectos da cultura moçambicana, na Galeria de Artes do Sesc Fortaleza. O projeto inclui mostra de vídeos e jornadas interculturais África-Ceará para debater a situação pós-guerra da Ilha de Moçambique
05 Fev 2007 - 01h59min
Após circular pelo Rio Grande do Sul, Minas Gerais, São Paulo, Distrito Federal, Bahia, Pernambuco, Sergipe e Alagoas, a exposição itinerante chega a Fortaleza, com fotos que retratam a cultura local de Moçambique, incluindo danças, artesanato e gastronomia. Paralelo à exposição, uma mostra de cinema contemporâneo africano e a jornada intercultural África-Ceará acontecem na Casa Amarela Eusélio Oliveira e na Sala Cine-Vídeo do Sesc Fortaleza. "Estamos em Fortaleza para estabelecer elos de geminação entre as duas populações: a de Moçambique e a do Ceará. Vamos ver a possibilidade de fazer um giro pelo Estado do Ceará, passando por Iguatu, Crato e Juazeiro do Norte", comenta Carlos.
Idealizado pela organização não-governamental Círculo de Mulheres da Ilha de Moçambique, a idéia do projeto é questionar os visitantes sobre os efeitos do pós-guerra em Moçambique, coletando sugestões para os problemas como deficiências de saneamento e degradação dos monumentos. Nas duas últimas décadas, o número de habitantes da Ilha - a maioria composta por refugiados da guerra civil - sobe de três para 20 mil. Durante os séculos XVII e XVIII, a Ilha de Moçambique era colonizada por portugueses, que exportavam ouro, marfim e escravos da Ilha para o Oriente, Europa e Golfo Pérsico. A península é dividida em duas partes: uma abriga o antigo Centro Comercial, com suas lojas, armazéns, e magníficos edifícios, onde moravam os senhores de terra; a outra é construída por casas em terra batida, colmo e folhas de palmeiras, acolhendo a grande maioria da população: pescadores, artesãos e pequenos comerciantes.
A ONG Círculo de Mulheres da Ilha de Moçambique também soma esforços para a construção de um centro de estudos afro-brasileiros na Fortaleza de São Sebastião, em Moçambique, no ano de 2008. "Estamos trazendo a exposição para o Brasil, principalmente com esse objetivo. Fazemos um apelo à população brasileira para que a gente possa edificar o centro de estudos afro-brasileiros na Fortaleza de São Sebastião, que é nosso principal símbolo histórico", comenta Carlos. O espaço irá receber o nome do historiador brasileiro Luís da Câmara Cascudo, que viveu por dois anos em Moçambique.
Após a exibição do filme Little Senegal, do argelino Rachid Bouchareb, a abertura da Jornada Intercultural África-Ceará inclui debate sobre o tema A Igreja e os Escravos, com o escritor José Carlos Gentilli, de Brasília. Às 14h, o professor da Universidade de Brasília (Unb), Rafael Sanzio, lança o livro Quilombos e fala sobre matrizes africanas do território brasileiro, com a participação de alunos de escolas públicas. Independente dos grupos étnicos que vivem na ilha, as mulheres se empenham na manutenção da cultura da Ilha de Moçambique. A mostra Como salvar a Ilha de Moçambique? homenageia as mulheres cearenses que contribuíram com atividades em prol do desenvolvimento feminino ou em favor das comunidades locais no Ceará.
SERVIÇO
Como Salvar a Ilha de Moçambique? - Exposição itinerante de fotografias, mostra de filmes e debates interculturais África-Ceará. De hoje até 28 de fevereiro, na Galeria de Artes do Sesc Fortaleza (rua Clarindo de Queiroz, 1740 - Centro) e na Casa Amarela Eusélio Oliveira (avenida da Universidade, 2591 - Benfica). Grátis. Info.: 3452.9000.
PROGRAMAÇÃO
Hoje
8h30
Local: Casa Amarela Eusélio Oliveira
• Abertura das jornadas interculturais África-Ceará: projeção do filme Little Senegal, de Rachid Bouchareb, seguido de palestra e debate com o tema A Igreja e os Escravos, com a participação de José Carlos Gentilli (DF).
14h30
Local: Sala Cine-Vídeo Sesc Fortaleza
• Exibição do vídeo Atlântico Negro na Rota dos Orixás, de Renato Barbieri, e palestra com o tema Matrizes Africanas do Território Brasileiro, com a participação do prof. Rafael Sanzio (Unb).
18h
Local: Galeria de Artes e Praça de Eventos do Sesc Fortaleza
• Abertura da exposição itinerante de fotografias sobre a Ilha de Moçambique.
• Mulheres Cearenses: apresentação de Valéria Machado, porta-voz do Círculo de Mulheres da Ilha de Moçambique, no Ceará; contação de história de tradição oral de origem africana, por Tâmara Bezerra; recital da poetisa repentista Cristina Santos; apresentação do grupo folclórico do projeto Chão de Estrelas, de Maracanaú; apresentação do grupo de percussão de Guaiúba; lançamento do livro A Igreja e os Escravos, de autoria do advogado e escritor José Carlos Gentilli (DF).
• Encerramento com coquetel africano
MOSTRA DE CINEMA DA ÁFRICA CONTEMPORÂNEA
SALA CINE-VÍDEO SESC FORTALEZA
• Amanhã - 19h - ATLÂNTICO NEGRO NA ROTA DOS ORIXÁS
• Terça - 19h - MEMÓRIA ENTRE DUAS MARGENS
• Quarta - 19h - RASTROS, PEGADAS DE MULHER
• Quinta - 19h - RUANDA IN MEMORIAN
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