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Vida & Arte

TRANSMISSÃO DE CARGO

Auto promete gestão bolivariana da cultura

Em cerimônia concorrida, o professor de filosofia da Uece, Francisco Auto Filho, recebeu o cargo de secretário da Cultura das mãos de Cláudia Leitão. Em seu discurso, ele defendeu uma gestão marcada pelo "espírito bolivariano e internacionalista da cultura cearense"


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06/01/2007 00:43

FRANCISCO Auto Filho novo secretário da Cultura toma possa ontem no Palácio da Abolição/FOTO TALITA ROCHA
FRANCISCO Auto Filho novo secretário da Cultura toma possa ontem no Palácio da Abolição/FOTO TALITA ROCHA

Os próximos quatro anos da Secretaria de Cultura devem se voltar para uma gestão "democrática e republicana", marcada pelo "espírito bolivariano e internacionalista da cultura cearense". Foi com esse discurso que o novo secretário, Francisco Auto Filho, recebeu o cargo na manhã de ontem, no Palácio da Abolição, das mãos da antiga gestora, Cláudia Leitão. Numa cerimônia concorrida e acompanhada por uma forte chuva, os cerca de 800 convidados se apinharam no salão nobre do local para conferir a transmissão do posto.

Em seu discurso, Auto Filho lembrou nomes de grandes personalidades latino-americanas para reforçar seu interesse em colocar a cultura do Ceará em diálogo com esse países "irmãos". "Hoje a inspiração criativa nos desafia a refundar aquele espírito internacionalista da cultura cearense. Devemos substituir o complexo transôceanico de que falava Capistrano de Abreu pelo estilo bolivariano que inspira os nossos irmãos rebelados da América Latina", disse. José Martí, Frida Khalo, Glauber Rocha, João Pedro Stédile e Hugo Chavez foram citads como alguns dos que já seguiram esta disposição. "O Ceará deve fazer cumprir o artigo 15 da Constituição Federal, que proclama a necessidade de engajar o Brasil na construção da comunidade dos povos e das nações latino-americanas", afirmou.

Auto, que também é professor de filosofia da Universidade Estadual do Ceará (Uece) e marxista, lembrou algumas palavras de seu "mestre" Leon Trostky para reafirmar o caráter revolucionário e emancipador da arte. Defendeu ainda uma política cultural de Estado, baseado na pluralidade de idéias. "Essa gestão deve ser fundada no princípio de que a cultura é um direito de cidadania e não uma simples atividade econômica regida pelos imperativos do mercado capitalista", concluiu. A cerimônia também marcou a nomeação da jornalista Delânia Azevedo como secretária-adjunta da pasta.

Antes disso, Cláudia Leitão também discursou. Na fala, fugiu dos costumeiros balanços de gestão para ressaltar os eixos que embasaram seu trabalho e a necessidade contínua de expanção das ações da pasta para o interior do Estado. Afirmou também que a cultura não pode estar à mercê dos interesse político partidário, mas sim do "partido único das culturas". "Não vim aqui prestar contas. Vim me despedir e agradecer à minha equipe. Tenho a crença de que as políticas públicas começadas aqui vão continuar", disse ela.

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