02/01/2007 23:54

"A Secretaria e o Estado ganharam com a indicação do professor Auto Filho para secretário da Cultura. Isso porque o Auto é um intelectual e é um militante político, no sentido positivo do termo. No sentido de usar o saber para a práxis política, de colocá-lo a serviço da transformação da realidade. Ele foi o único intelectual que participou, do começo ao fim, das discussões da Lei Orgânica do Município. Com certeza ele vai se cercar de pessoas que conhecem e possam contribuir na área da Cultura. Ele vai ouvir intelectuais e por ser militante, vai ouvir também pessoas diretamente ligadas à Cultura. Ele vai dialogar com todos, até porque a Cultura é o patrimônio de toda a sociedade; é produto da história de um povo". Francisco José Soares Teixeira, autor de vários livros sobre Marx. É professor da Uece
"Eu conheço ele como professor, então para mim foi uma surpresa, não sei qual é a relação dele com a cultura, não posso ter uma opinião formada. Como eu freqüento muito esse meio da cultura, e ele não é uma pessoa conhecida nesse meio, ele é conhecido na política, foi uma surpresa, nem negativa, nem positiva. Foi esse desconhecimento do Auto Filho nesse mundo da dança, do teatro, da fotografia, do hip hop. A cultura passa pela amizade, pelos afetos, não é um devir. É sem julgamento de valor, é um sentimento de desconhecimento nosso em relação a ele. O mundo da cultura é muito aberto, então ele pode fazer uma gestão maravilhosa. Mas tem que conversar. Tomara que dê tudo certo. Nós estamos precisando. O mundo cultural está triste, foram quatro anos de inércia, então temos que confiar." Daniel Lins, professor do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal do Ceará
"O Auto é uma pessoa que não estava sendo cotada, havia outros nomes, mas eu confesso que fiquei contente com a indicação dele, porque ele tem uma história de vida importante, uma preocupação intelectual, ele tem uma das maiores bibliotecas do Ceará. Ele pode fazer muito pela cultura do estado. Ele é uma pessoa muito séria, um intelectual. Por isso, ele deve compreender importância da formação, a política de formação que ficou de lado, o Instituto Dragão do Mar, a escola de dança. Acho que ele tem muitas realizações de projetos nessa trajetória, tenho certeza que a parte da cultura ganhou nesse novo governo. Fico contente no sentido de achar que esse secretário pode ter propostas interessantes na área da cultura. Acho que no ponto de vista das artes, o Auto deve manter os editais, uma política que tem um alinhamento com o governo federal e municipal, só que ele agrega uma formação intelectual muito boa e isso é importantíssimo." Beatriz Furtado, professora do Curso de Comunicação Social da UFC e ex-presidente da Funcet
"Conheço Auto desde os tempos estúpidos da ditadura militar, quando foi meu aluno no Curso de Filosofia da Uece e atuava na imprensa; era politicamente, como boa parte de seus colegas, um militante enragé e um empenhado estudioso. Hoje, maduro e com mais sabedoria, que vem do realismo que dilui os excessos de idealismo adolescente, se souber aproveitar-se disso para aglutinar forças criativas e ouvir inclusive os que pensam diferente dele, poderá fazer algo de significativo. Mas um dos graves problemas de nossa formação é a descontinuidade da ação pública que, no intuito novidadeiro, elimina projetos e pessoas que estão a funcionar bem. Espero que saiba evitar isso".
Eduardo Diatahy Bezerra de Menezes, professor emérito da Universidade Federal do Ceará e professor titular do mestrado e doutorado em Sociologia da UFC.
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