
ELBA RAMALHO promete animar o público que for comemorar a entrada de 2007 no aterro da Praia de Iracema(Foto: DIVULGAÇÃO)
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ANO NOVO
Braços abertos para 2007
Os artistas nordestinos têm vez no Reveillon do aterro da praia de Iracema. Elba Ramalho fecha a noite da virada embalando o público com seus maiores sucessos. A carreira de mais de 25 anos endossa a promessa de um show contagiante logo nas primeiras horas de 2007
30/12/2006 05:14
Virada de ano com promessa de bons ventos para os 365 dias seguintes precisa ter muita energia positiva. Amanhã, no aterro da praia de Iracema, em Fortaleza, o som animado do Nordeste vai embalar os votos de felicidade pela chegada do ano novo. O Réveillon Fortaleza de Braços Abertos, organizado pela Prefeitura de Fortaleza, tem início com a apresentação do violonista cearense Manassés de Souza. Logo em seguida, seguem os shows do sanfoneiro pernambucano Dominguinhos e da cantora paraibana Elba Ramalho, que promete fechar a noite colocando todo mundo para dançar e recebendo 2007 no maior alto astral.
Há mais de 25 anos, o perfil contagiante de Elba é um dos principais cartões de visita de sua carreira. Não é à toa que, em datas festivas - do carnaval ao São João -, ela sempre se desdobra para atender a demanda de shows em todo o País. A alegria e a inspiração para os trabalhos estão sempre calcados no Nordeste, de onde ela saiu, na década de 70, em direção ao Rio de Janeiro, onde se transformou em estrela da Música Popular Brasileira, posto ocupado até hoje.
A permanência no 'Sul maravilha' só aprofundou a nordestinidade dela. "Nunca me distanciei das minhas raízes. Quanto mais regional, mais universal. Um bom espetáculo será sempre um bom espetáculo, seja no Sul ou no Norte do Brasil. Somos todos brasileiros e a nossa música é maravilhosa", disse Elba, numa entrevista por e-mail intermediada por seu produtor, Alexandre Valentim. Aproveitando os shows de fim de ano pelo Nordeste, ela improvisou férias: pegou o carro e a família e está viajando pela costa rumo a Fortaleza, curtindo as praias de nosso litoral.
Um dos diferenciais da atuação artística de Elba é a sua vertente teatral, aprofundada ainda na Paraíba durante o período em que era estudante universitária de Sociologia e Economia. Por isso, suas interpretações extrapolam os limites da voz e se colocam no corpo inteiro, em perfomances completas. Um dos momentos mais marcantes da carreira, em que esses dois talentos se aliaram, foi a participação, em 1978, na peça A Ópera do Malandro, de Chico Buarque, responsável pela projeção da cantora em nível nacional.
O artista plástico cearense Zé Tarcísio lembra da época em que trabalhou com Elba, no Rio, em meados dos anos 70. "Ela já tinha mostrado todo o potencial artístico muito antes do Chico aparecer, numa produção de Luís Mendonça, A Chegada do Lampião no Inferno. Era algo meio mambembe, muito difícil, sem dinheiro; uma temporada vivendo como ciganos. Ali eu vi que havia dentro daquela nordestina danada e teimosa um talento muito forte", afirmou. Para ele, naquele momento, o vigor de Elba já estava sendo reconhecido. "Ela cantava as coisas nordestinas de uma forma muito rica. Logo depois, deu no que deu".
Com seu carisma, a paraibana chegou a ter um dos fã-clubes mais organizados do Brasil. O Ave de Prata, iniciado no Rio de Janeiro, espalhou-se por meio de filiais em outros estados do País. No Ceará, de 1988 a 1995, o presidente foi Juracy Júnior, fã incondicional dela e amigo de Elba até hoje. "Naquela época, acho que era muito mais gostoso essa história de fã, porque tudo era muito artesanal. Fazíamos as carteirinhas e a Elba assinava uma a uma. Quando ela chegava aqui, organizávamos uma reunião e todo mundo ia conversar. Tinha um sabor diferente", contou.
Segundo ele, os fãs foram grandes responsáveis pela divulgação do trabalho da cantora. "A gente corria atrás de patrocinadores e batia na porta das rádios com liquidificador na mão. A gente pedia para tocarem a Elba e fazer uma promoção com os ouvintes, perguntando quem estava cantando aquela música. Quem acertava levava o liquidificador como prêmio. Também comprávamos fichas telefônicas para ficar pedindo as músicas dela", relata. "A gente não tinha noção do que era marketing e não fazia isso por causa da grana. Fazíamos por amor. Talvez por isso tenha dado tão certo".
Entre um show e outro, Elba está envolvida nas gravações de um novo disco com músicas inéditas, que deve contar com participação do Quinteto Violado, um dos primeiros grupos do qual participou. O último álbum do tipo foi Cirandeira, lançado em 2001. Depois disso, ela investiu em regravações e em parcerias, como a feita com Dominguinhos em um CD lançado ano passado e que arrebatou os prêmios de melhor canção e melhor dupla no Prêmio Tim de Música 2006.
Amanhã, ao dividir o palco com o músico pernambucano e Manassés (outro artista com o qual já trabalhou), Elba tem tudo para se sentir à vontade e caprichar na apresentação. "Os dois são virtuosos e talvez os melhores no que se propõem. Se não houver nenhum empecilho técnico, certamente vamos tocar juntos", afirmou. E o que o público fortalezense pode esperar da festa da virada? "Um show para lavar a alma. Um show para iniciar o novo ano com muita paz e boas vibrações. Estarei com oito bailarinos para abrilhantar ainda mais o evento", disse.
SERVIÇO
Réveillon Fortaleza de Braços Abertos - com shows de Manassés, Dominguinhos e Elba Ramalho. Amanhã, a partir das 21h, no aterro da Praia de Iracema (em frente ao Ideal Clube). Grátis.
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