ANO NOVO
Sete cantos pra gente
30/12/2006 17:44
Quem estava aflorando na década de 80, grandinho o bastante para usufruir da cena musical da cidade, lembra de cara da figura, cabeleira ao vento, e aquela voz, quente, embalando canções como Equatorial, que diz: "Quando vejo no quintal/ uma pequena paisagem/ equatorial, vento e varal/ vejo você/ E você, dizendo adeus/ palmeiral nos olhos teus/ sopro da brisa que vem lá do mar/ e Fortaleza é um mar, cidade litoral/ só pra te ver hoje à tarde..." Pois é, é Calé Alencar, cantor, compositor e produtor musical, que decidiu, desde os anos 90, mostrar ao Ceará o que temos e desconhecemos. Por exemplo: o compositor Lauro Maia, que ganhou antológico LP com encarte, resgatando seus deliciosos balanceios na voz da nova geração. Contemplado pelo Programa de Difusão Cultural do Ministério da Cultura, Calé realizou, em setembro, palestras, oficinas e show de lançamento do disco Loas de Maracatu Cantigas de Liberdade, durante o III Congresso Internacional de Culturas Afro-americanas, em Buenos Aires. No momento, está finalizando a produção do primeiro disco do Maracatu Nação Fortaleza, É de Bambaliê. No próximo dia 17 de janeiro, Calé Alencar será uma das atrações do 1º Festival BNB Rock-Cordel, do Centro Cultural Banco do Nordeste, onde também ministrará o curso de apreciação de arte Origem e Evolução do Maracatu no Ceará, com início em 6 de fevereiro. E quando fevereiro chegar, como nos últimos anos, ele estará, a plena voz, puxando a loa do Nação Fortaleza, fazendo o carnaval mais colorido - mesmo se apenas em cena estiver o branco das roupas e as faces tisnadas de negro.
1 Assis Valente, Boas Festas.
Por tudo o que pode representar uma canção de Natal criada em 1932 pelo talento de um compositor brasileiro. "Eu pensei que todo mundo fosse filho de Papai Noel".
2 Pixinguinha e Braguinha, Carinhoso.
Pelo que tem de voz nacional, por ter sido canção de abertura nas apresentações de Orlando Silva, por ser uma canção entoada pelo Brasil inteiro, do primeiro ao último verso. Porque "meu coração, não sei porque, bate feliz quando te vê e os meus olhos ficam sorrindo".
3 Moraes Moreira e Fausto Nilo, Meninas do Brasil.
Por ser um dos mais perfeitos casamentos de letra e melodia da música brasileirinha e "Deus me faça brasileiro, criador e criatura, um documento da raça pela graça da mistura".
4 Caetano Veloso, Uns.
Porque para Caetano todos ainda é muito pouco e "uns vão, uns tão, uns são, uns dão, uns não e uns hão de. Uns pés, uns mãos, uns cabeça, uns só coração".
5 Gilberto Gil, O Compositor Me Disse.
Porque ele disse que eu continuasse no caminho da Música, que "todas as vezes que eu canto é amor transfigurado em luz", que os meus olhos têm muito brilho e eu disse a ele que Humberto Teixeira, o Doutor do Baião, nasceu no Ceará.
Lauro Maia, Trem de Ferro.
Porque na década de 1940, ainda morando no Ceará, este belo moreno já tinha suas canções gravadas e divulgadas em discos e programas de rádio feitos no sudeste. Porque batucou seu molengo tengo no carnaval da Fortaleza velha. "Lá na curva o trem apita, desce a serra e a saudade aumenta".
Para Ednardo, Terral.
Porque "eu venho das dunas brancas, de onde eu queria ficar". Porque ser do Ceará é ser moleque, mamulengo, da terra do Conselheiro, ser do coco, do batuque, do forrock, do pandeiro. Corpo e embalagem todo gasto na viagem, a viola na mão e um punhal entre os dentes. "Porque cantar parece com não morrer, é igual a não se esquecer que a vida é que tem razão".
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