Vida & Arte
TELEVISÃO
Especialmente recomendado
O programa cearense Megafone recebeu o selo de programa televisivo especialmente recomendado para crianças e adolescentes
Samanta Petersen
Especial para O POVO
18 Dez 2006 - 01h20min
Espécie de porta-voz, instrumento para ampliar e direcionar o som. Este é, segundo o dicionário, o significado da palavra "megafone". E é com o intuito de ser o porta-voz dos jovens que o programa cearense de TV, Megafone, foi criado há quatro anos.
O Megafone é produzido por jovens de escolas públicas da grande Fortaleza, dentro da ONG Encine (Núcleo Sócio-Cultural de Arte Audiovisual), e discute semanalmente temas ligados à realidade dos jovens e aborda assuntos que precisam ser mais discutidos entre eles. "O programa não tem maquiagem. Retrata o que os jovens dizem, da forma que eles dizem. O que vale é o conteúdo, não a forma", destaca o coordenador geral do Encine, Ives Albuquerque.
Agora além de ser produzido pelos jovens e para os jovens, o programa foi o primeiro produzido pelo Nordeste a ganhar o selo de programa televisivo, especialmente recomendado para crianças e adolescentes. O selo foi criado para indicar obras educativas e informativas que promovam o respeito à diversidade, aos direitos humanos, à cultura de paz e à cultura regional, conforme critérios do Manual de Classificação Indicativa elaborado pelo Ministério da Justiça. "Receber esse selo tem uma importância muito grande por vários motivos. Um deles é que nós não nos inscrevemos para recebê-lo, fomos escolhidos para sermos analisados. Outro fator importante é que quem avalia os programas em Brasília são psicólogos, pedagogos, advogados, comunicólogos e profissionais que atuam na rede de proteção integrada à criança e ao adolescente. O que valida mais o selo", enfatiza o coordenador.
Os programas Cocoricó da TV Cultura de São Paulo, Um menino Maluquinho da TV Educativa do Rio de Janeiro foram as outras produções que receberam o selo.
Cada programa do Megafone tem duração de 30 minutos e é divido em três blocos e os temas são discutidos em dois programas. Um dos pontos altos do Megafone é o debate realizado com cerca de 150 jovens e pessoas especializadas no assunto escolhido. O debate, de acordo com Ives, "sempre leva ao confronto de idéias e é essencial para que os jovens saiam da zona de conforto e passem a refletir". Cada programa leva de uma a três semana para ser produzido e finalizado.
O maior problema do programa é a falta de recursos financeiros. Por esse motivo o Megafone só exibe programas inéditos no segundo semestre do ano. Nos primeiros seis meses de cada ano são exibidos os programas produzidos no ano anterior. "Espero que com o reconhecimento, os empresários possam se interessar e investir no projeto para que o Megafone não tenha esse intervalo e possa exibir somente programas inéditos o ano todo", explica Ives Albuquerque.
Os jovens que fazem o Megafone tem entre 14 e 21 anos, são alunos de escola pública e possuem baixa renda familiar. Para participar das aulas do Ensine cada jovem passa por várias seleções: a primeira é do perfil social, depois uma avaliação sobre conhecimentos gerais e de produção textual e para finalizar entrevistas com os professores da ONG. "Os jovens não precisam ter dom, nem aptidão para o trabalho do audiovisual. Eles precisam ser jovens interessados numa mudança de vida. Lembrando que mesmo participando do Megafone as dificuldades não diminuem, mas os jovens ganham uma nova postura em relação às coisas ao seu redor. Eles começam a questionar muita coisa".
Essa mudança é apontada pela jovem Fabricia Góis, de 18 anos, depois de virar telespectadora, a jovem conseguiu entrar no Encine e hoje é apresentadora do programa. Dois anos depois de entrar no Encine, ela afirma que vê a televisão de outra forma "Antes eu assistia à TV e achava que eu tinha que aceitar tudo o que era dito nela. Hoje eu vejo que eu tenho que questionar, saber por que esse ou aquele assunto está sendo mostrado dessa forma".
Para 2006, os desafios do Encine são exibir apenas programas inéditos e também conseguir colocar o Megafone na grade de programação de outras emissoras do Nordeste.
E quem ainda não conhece e quer conhecer, o Megafone é exibido aos domingos, às 14h, e reprisado aos sábados, às 15h30, na TV Ceará (TVC - Canal 5, filiada à TV Cultura). OS dois últimos programas do ano vão discutir a "Diversidade Cultural e os Direitos Humanos".
O QUE É O ENCINE
O Encine é uma organização não-governamental sem fins lucrativos, criado em 1998, com o intuito desenvolver o conceito de arte comunicadores sociais junto a alunos da escola pública. Dentro deste projeto os jovens aprendem noções de vídeo, expressividade e comunicação, história da arte, fotografia, design, teatro, além de filosofia, sociologia, direitos humanos e cidadania. "As aulas não são profissionalizantes. Claro que alguns dos jovens que passaram pela Encine continuaram na área do áudio-visual, alguns chegam até a ser monitores do projeto. Mas, a nossa intenção maior é que eles saiam daqui jovens com consciência do seu papel. Com uma maior segurança de como eles vão enfrentar a vida deles", enfatiza o coordenador geral do Encine, Ives Albuquerque.
Além da parte teórica os jovens colocam em prática tudo aquilo o que aprenderam sobre comunicação e viram apresentadores, entrevistadores, produtores, editores, câmeras, locutores. Na prática, os jovens desenvolvem o programa de televisão Megafone, o programa de Rádio Rolimã e o Jornal Olha aí!.
Anualmente, se inscrevem para participar do projeto cerca de 300 jovens, destes apenas 40 começam o curso, que dura cerca de um ano, no final deste período ficam apenas vinte jovens que saem da teoria e passam para a prática. No final de um ano dez se tornam monitores da próxima turma que vai entrar no Encine.
O Megafone é produzido por jovens de escolas públicas da grande Fortaleza, dentro da ONG Encine (Núcleo Sócio-Cultural de Arte Audiovisual), e discute semanalmente temas ligados à realidade dos jovens e aborda assuntos que precisam ser mais discutidos entre eles. "O programa não tem maquiagem. Retrata o que os jovens dizem, da forma que eles dizem. O que vale é o conteúdo, não a forma", destaca o coordenador geral do Encine, Ives Albuquerque.
Agora além de ser produzido pelos jovens e para os jovens, o programa foi o primeiro produzido pelo Nordeste a ganhar o selo de programa televisivo, especialmente recomendado para crianças e adolescentes. O selo foi criado para indicar obras educativas e informativas que promovam o respeito à diversidade, aos direitos humanos, à cultura de paz e à cultura regional, conforme critérios do Manual de Classificação Indicativa elaborado pelo Ministério da Justiça. "Receber esse selo tem uma importância muito grande por vários motivos. Um deles é que nós não nos inscrevemos para recebê-lo, fomos escolhidos para sermos analisados. Outro fator importante é que quem avalia os programas em Brasília são psicólogos, pedagogos, advogados, comunicólogos e profissionais que atuam na rede de proteção integrada à criança e ao adolescente. O que valida mais o selo", enfatiza o coordenador.
Os programas Cocoricó da TV Cultura de São Paulo, Um menino Maluquinho da TV Educativa do Rio de Janeiro foram as outras produções que receberam o selo.
Cada programa do Megafone tem duração de 30 minutos e é divido em três blocos e os temas são discutidos em dois programas. Um dos pontos altos do Megafone é o debate realizado com cerca de 150 jovens e pessoas especializadas no assunto escolhido. O debate, de acordo com Ives, "sempre leva ao confronto de idéias e é essencial para que os jovens saiam da zona de conforto e passem a refletir". Cada programa leva de uma a três semana para ser produzido e finalizado.
O maior problema do programa é a falta de recursos financeiros. Por esse motivo o Megafone só exibe programas inéditos no segundo semestre do ano. Nos primeiros seis meses de cada ano são exibidos os programas produzidos no ano anterior. "Espero que com o reconhecimento, os empresários possam se interessar e investir no projeto para que o Megafone não tenha esse intervalo e possa exibir somente programas inéditos o ano todo", explica Ives Albuquerque.
Os jovens que fazem o Megafone tem entre 14 e 21 anos, são alunos de escola pública e possuem baixa renda familiar. Para participar das aulas do Ensine cada jovem passa por várias seleções: a primeira é do perfil social, depois uma avaliação sobre conhecimentos gerais e de produção textual e para finalizar entrevistas com os professores da ONG. "Os jovens não precisam ter dom, nem aptidão para o trabalho do audiovisual. Eles precisam ser jovens interessados numa mudança de vida. Lembrando que mesmo participando do Megafone as dificuldades não diminuem, mas os jovens ganham uma nova postura em relação às coisas ao seu redor. Eles começam a questionar muita coisa".
Essa mudança é apontada pela jovem Fabricia Góis, de 18 anos, depois de virar telespectadora, a jovem conseguiu entrar no Encine e hoje é apresentadora do programa. Dois anos depois de entrar no Encine, ela afirma que vê a televisão de outra forma "Antes eu assistia à TV e achava que eu tinha que aceitar tudo o que era dito nela. Hoje eu vejo que eu tenho que questionar, saber por que esse ou aquele assunto está sendo mostrado dessa forma".
Para 2006, os desafios do Encine são exibir apenas programas inéditos e também conseguir colocar o Megafone na grade de programação de outras emissoras do Nordeste.
E quem ainda não conhece e quer conhecer, o Megafone é exibido aos domingos, às 14h, e reprisado aos sábados, às 15h30, na TV Ceará (TVC - Canal 5, filiada à TV Cultura). OS dois últimos programas do ano vão discutir a "Diversidade Cultural e os Direitos Humanos".
O QUE É O ENCINE
O Encine é uma organização não-governamental sem fins lucrativos, criado em 1998, com o intuito desenvolver o conceito de arte comunicadores sociais junto a alunos da escola pública. Dentro deste projeto os jovens aprendem noções de vídeo, expressividade e comunicação, história da arte, fotografia, design, teatro, além de filosofia, sociologia, direitos humanos e cidadania. "As aulas não são profissionalizantes. Claro que alguns dos jovens que passaram pela Encine continuaram na área do áudio-visual, alguns chegam até a ser monitores do projeto. Mas, a nossa intenção maior é que eles saiam daqui jovens com consciência do seu papel. Com uma maior segurança de como eles vão enfrentar a vida deles", enfatiza o coordenador geral do Encine, Ives Albuquerque.
Além da parte teórica os jovens colocam em prática tudo aquilo o que aprenderam sobre comunicação e viram apresentadores, entrevistadores, produtores, editores, câmeras, locutores. Na prática, os jovens desenvolvem o programa de televisão Megafone, o programa de Rádio Rolimã e o Jornal Olha aí!.
Anualmente, se inscrevem para participar do projeto cerca de 300 jovens, destes apenas 40 começam o curso, que dura cerca de um ano, no final deste período ficam apenas vinte jovens que saem da teoria e passam para a prática. No final de um ano dez se tornam monitores da próxima turma que vai entrar no Encine.
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