Gravura na escola
16/12/2006 16:28
Com a difusão da gravura no Brasil, grupos de formação de gravuristas começaram a surgir, seja nas universidades ou em instituições independentes. É o caso da Oficina Guaianases de Gravura, fundado por João Câmara em 74, em Recife, e transferida dois depois para Olinda. "Vários cursos foram organizados na Guaianases e o público não só de Olinda, mas do Recife freqüentava e que desejava aprender a técnica da litogravura", afirma Sebastião Pedrosa, que participa do projeto desde sua formação inicial, que inclui artistas como Tereza Costa Rego, Maria Tomaselli, Gil Vicente, José de Barros, Raul Córdula e outros.
A Oficina Guaianases de Gravura mantém um acervo com cerca de duas mil gravuras, na Biblioteca Joaquim Cardoso do Centro de Artes e Comunicação da Universidade Federal de Pernambuco. Para o pernambucano Sebastião Pedrosa, é difícil fazer gravura no Brasil por causa da carência de materiais adequados, pelo clima úmido e pelo preconceito e desinformação das pessoas. "Estou certo de que quando o artista é sério e persistente seu trabalho será um dia reconhecido. Sou entusiasta da pesquisa e da produção em gravura. Quero cada vez mais experimentar a gravura enquanto expressão, técnica e conceito".
Na Universidade Federal do Paraná (UFPR), a gravurista paranaense Dulce Osinski coordena o projeto Oficina Permanente de Gravura, criado em 1999 como espaço destinado à produção e reflexão da gravura em relação com outras linguagens artísticas. "Vejo que é preciso formar ateliês públicos de gravura no Brasil. No nosso ateliê, mais de 100 pessoas por ano, entre estudantes, artistas e educadores, fazem cursos de iniciação à gravura. Levamos ao ateliê artistas para falarem sobre seus trabalhos, discutimos a gravura e organizamos exposições", afirma Osinski, que faz gravura desde a década de 80, procurando ampliar a técnica. "Não penso a gravura como peça mística. Gosto de misturar matrizes para produzir painéis e instalações. Ainda não fiz experiência com arte digital, mas procuro desvincular a gravura de seu contexto tradicional".
Com o avanço das novas tecnologias, a gravura na arte contemporânea expande suas possibilidades, com o uso de diversos materiais e até suportes digitais. "Mesmo que a gravura mude de meio de acordo com a proposta de cada artista, ainda persiste o método. Não há como fazer gravura sem planejamento. Ainda existe preconceito em relação à gravura, porque muitos artistas usam papel sem qualidade, mais frágil e que mofa rápido. Mas o que acontece hoje são incursões que enriquecem o campo e que não ficam presas à gravura ortodoxa", afirma Osinski.
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