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Vida & Arte

ORIGEM

Das cavernas ao digital

Uma arte que teve início com o homem primitivo. Nas paredes das cavernas, feitos diferentes materiais, desenhos iam surgindo e hoje ajudam a contar a história da humanidade


16 Dez 2006 - 16h28min

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Xilogravura do artista Sebastião de Paula
Tudo começou nas escuras cavernas pré-históricas, onde o homem gravava inscrições e desenhos. Carvão, fuligem, giz moído, terra, sangue, cera e gordura eram alguns dos materiais usados para produzir cor. Pedaços de ossos, chifres, cerdas, penas, pedras lascadas ou cascas de árvores serviam como instrumentos para demarcar linhas e fazer incisões nas paredes e nos tetos. O princípio da arte da gravura já estava aqui associado ao desenho. "A base da escultura, da pintura e da gravura é o desenho. Para fazer gravura, é preciso se aprimorar no desenho", afirma o xilogravurista cearense Francisco de Almeida. Aos poucos, a técnica de gravura foi se aperfeiçoando até que se legitimou como arte. Artistas reconhecidos como Paul Gauguin, Wassily Kandisky, Edvard Munch, Pablo Picasso, Toulouse-Lautrec e Goya chegaram a fazer gravuras como rito de passagem para experimentar suas abordagens estéticas.

De acordo com dados do site oficial do Clube de Gravura da Paraíba (www.clubegravura.hpg.ig.com.br), estima-se que, no Brasil, a introdução oficial da gravura acontece com a chegada da imprensa régia e, depois, com a Casa da Moeda, no final do século XIX. No entanto, a gravura como arte no País só começa a aparecer no século XX, com Carlos Oswald (1882-1971) e Raimundo Cela (1890-1954). Na década de 20, a gravura ganha força com o modernismo, mais precisamente com a produção de Oswaldo Goeldi (1895-1961) e Lívio Abramo (1903 - 1992). Outros artistas do modernismo brasileiro também experimentaram a gravura, como Tarsila do Amaral (1886 - 1973), Portinari (1903 - 1962) e Lasar Segall (1891 - 1957). Nos anos 50, várias gerações de gravuristas começam a surgir.

No Nordeste, a gravura tem presença marcante nos folhetos de cordel. "Desde a década de 30, existe um movimento de gravura popular forte em Juazeiro do Norte, que persiste até hoje", pontua o gravurista cearense Sebastião de Paula. Mestre Noza, Stélio Diniz, Abraão Batista e Walderedo Gonçalves são alguns artistas que marcam a gravura em Juazeiro. "O grande movimento de gravura no Ceará deu-se recentemente na década de 90, quando despontaram Eduardo Eloy, Hélio Rola, Roberto Galvão, Sérgio Lima, Náuer Spíndola e outros artistas", acrescenta Sebastião. Em Pernambuco, há gravadores populares ligados ao grupo de Caruaru, formado por José Costa Leite, J.Borges, Dila e Francisco Ainaro. Na Paraíba dos anos 80, surge o Clube da Gravura da Paraíba, que experimenta novas linguagens na gravura tradicional.

O volume de produção de gravura no Brasil e em outros países estimulou a criação da Bienal Internacional Ceará de Gravura, que já está na sua segunda edição. Na Bienal, participam 151 artistas do Brasil e de outros países em nove exposições montadas no Museu de Arte Contemporânea do Centro Dragão do Mar (MAC), Sesc Senac Iracema, Palácio da Abolição e Galeria Antônio Bandeira. Maria Bonomi, Sérvulo Esmeraldo, Anico Hercovits, Oswaldo Goeldi, Tarsila do Amaral, Di Cavalcanti e Rembrandt são alguns dos artistas com obras expostas na Bienal, que fica em cartaz até 7 de janeiro.

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