
O DIRETOR Lírio Ferreira durantes as filmagens do documentário(Foto: LIA DE PAULA)
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MAKING OF
Nuvens com baião
O Homem Que Engarrafava Nuvens, documentário sobre a vida do compositor cearense Humberto Teixeira, tem suas imagens gravadas pelo Ceará desde a última quinta, 7
Felipe Gurgel
da Redação
11/12/2006 01:09
Apesar de tratar da vida de um dos membros da "corte" histórica do baião - ritmo nordestino que alicerçou a MPB - o projeto do documentário O Homem Que Engarrafava Nuvens, sobre o compositor cearense Humberto Teixeira, demorou a vingar. Foram cinco anos de maturação da idéia. Mais um tanto de esforço pela credibilidade da iniciativa. Enfim, a fase de apostas passou. Lírio Ferreira (cineasta), Walter Carvalho (fotografia), Denise Dummont (produtora e filha do homem) e equipe agora estão aqui no Ceará. Desde a última quinta, 7. Até o fim desta semana.
"Na verdade, em agosto de 2002, houve um show-tributo no Teatro Rival (RJ), e daí tivemos a idéia. Fizemos entrevistas pingadas (com o cineasta Anselmo Duarte, entre elas), amadurecemos o projeto. Agora, enfim, começou a filmagem oficial, quase diária, há um mês", conta Lírio (O Baile Perfumado), o diretor, em pausa rápida durante a manhã do segundo dia das filmagens em Fortaleza. Árido Movie, do mesmo Lírio, estreou na capital cearense na última sexta, 8, e está em cartaz no Espaço Unibanco do Centro Dragão do Mar (ver os horários do cinema na agenda do Vida & Arte, pág 4).
A produção trabalha em marcha-ré. Parte da consagração às origens. Ou seja, o caminho inverso do compositor que, ao lado de Gonzagão, "fez favor" de criar Asa Branca, Qui Nem Jiló e Juazeiro - para não dizer mais um monte de canções - hoje tombadas pela história da MPB.
"Começamos a filmar em Nova Iorque (EUA), onde o baião tem expansão por meio de David Byrne e outros músicos. Fomos depois para o Rio de Janeiro. Lá, fizemos a contextualização: o encontro dele com Luiz Gonzaga, era a capital federal até então, centro cultural do País. No Ceará, voltamos às origens. Ele começa a estudar música em Iguatu (onde nasceu) e depois vai a Fortaleza. Aqui é a contemplação do baião. Daqui, passamos por Choró, Quixadá, Quixeramobim, até Iguatu. Depois, temos o Cariri - área onde as raízes do baião estão bem impregnadas", explica Lírio.
O segundo batente na capital acontece no Cantinho do Faustino. Restaurante ali na Varjota, onde o próprio chef de cozinha, o Faustino, ensina a receita do baião-de-dois. "O baião é slow food, não fast food. Comer algo de qualidade com tranqüilidade", explica o chef, às câmeras. Ele tem mesmo esse perfil: óculos de grau, fala cadenciada, uma lerdeza sadia que revela sobriedade.
São vários takes (tomadas) rápidos. Lírio fala entre um e outro. Dedicado à trilha sonora desde seus primeiros filmes, o diretor diz que, neste projeto, a obra do homenageado basta. Não à toa, ele garante que o documentário não quer corrigir nenhuma injustiça - em alusão ao fato de Humberto não ser reconhecido como Luiz Gonzaga. E sim pontuar a relevância do iguatuense. "Ele nunca se preocupou com isso, e dizia isso para o próprio Nirez (pesquisador cearense). Diz que se ele tivesse que cantar, o baião não tinha chegado onde chegou", lembra o diretor.
A cada take, o baião de Faustino cheira mais forte. Um cheiro absurdamente bom, espalhado por todo o restaurante. Se no fogo já era bom, pronto aquele prato deve ter sido melhor ainda: a equipe traçou uma bandeja farta que levava queijo, cuentro e banana por cima. "Quem come isso, faz filho de seis em seis meses. É afrodisíaco", dizia Denise, chamando atenção para as coordenadas do chef.
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