Ir para a página sobre a Publicidade

O POVO Online

Vida & Arte

INFLUÊNCIAS

O jogo das invenções

Primeiro, o mestre influenciou o pupilo. Dez anos depois, foi a vez do jogo virar. Em entrevista ao Vida & Arte Cultura, o professor Rodrigo Queiroz, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Univesidade de São Paulo (FAU-USP), comenta a troca de influências entre Niemeyer e Le Corbusier


09 Dez 2006 - 15h08min

A+ A- Mudar tamanho

Rodrigo Queiroz, professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo de São Paul: as vanguardas da Europa olharam para o trabalho do arquiteto brasileiro Oscar Niemeyer(Foto: Arquivo pessoal)
"Não queria, como a maioria dos meus colegas, me adaptar a essa arquitetura comercial que vemos aí. E apesar das minhas dificuldades financeiras, preferi trabalhar, gratuitamente, no escritório do Lúcio Costa e Carlos Leão, onde esperava encontrar as respostas para minhas dúvidas de estudante de arquitetura. Era um favor que eles me faziam."


Arquitetura é invenção. Essa foi a principal lição que Oscar Niemeyer diz ter aprendido com o "velho mestre", o arquiteto suíço Le Corbusier. Nessa de inventar e reinventar, o pupilo superou o professor e acabou interferindo na própria obra de quem o inspirou. A Igreja de Notre-Dame du Haut, em Ronchamp, na França, é o exemplo maior de como a reinterpretação das formas sugerida pelo arquiteto brasileiro influenciou as obras do mestre suíço a partir de 1950.

Três anos antes, os dois haviam trabalhado juntos na edificação da sede da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York. Ali, Le Corbusier conhecera um Niemeyer mais maduro em relação àquele para o qual havia sido apresentado em meados da década de 30, quando veio ao Brasil realizar uma consultoria no projeto do Ministério da Educação e Saúde, no Rio de Janeiro.

O Niemeyer de 1947 já havia passado pela prova de projetar sozinho praticamente todo um bairro na cidade de Belo Horizonte: nos sete edifícios pensados para a Pampulha, o brasileiro definiu boa parte dos paradigmas que seguiriam o restante de suas obras ao longo dos mais de 70 anos de carreira. São as "sete pequenas jóias" de Niemeyer, segundo o professor Rodrigo Cristiano Queiroz, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP).

Em sua tese de doutorado, defendida em 2003, ele discute exatamente a troca de influências entre o brasileiro e o suíço. "Ronchamp é o grande divisor de águas de Le Corbusier. (...) A qualidade da obra de Niemeyer é de tal ordem que vai fazer o mestre e as vanguardas européias olharem para a obra dele", explica Queiroz em entrevista por telefone ao Vida & Arte Cultura.

Segundo o professor, é a reinvenção de Niemeyer em Pampulha que vai marcar a monumentalidade de suas obras, uma de suas principais características. "Niemeyer deu uma nova direção para a arquitetura moderna ocidental a partir do momento em que ele se permitiu uma liberdade criativa formal em cima de uma estrutura de raciocínio racionalista, típica das vanguardas européias".

Com uma produção constante e extensa - dada a longevidade da carreira -, a premissa da invenção adotada por Niemeyer torna-se cada vez mais desafiadora e versa em releituras do arsenal de signos já adotados para o seu trabalho. "Você não acorda gênio todo dia. Você tem 5% dessas obras que contam a história da arquitetura ocidental e os outros 95% são um exercício de repertório em cima dessas obras geniais, que dão o suporte e o fôlego para ele continuar". (Amanda Queirós)


O POVO - Qual o papel de Oscar Niemeyer na arquitetura brasileira e mundial?
Rodrigo Queiroz - O papel dele na arquitetura moderna brasileira é fundamental, mesmo porque a gente tem que partir do princípio de que a linguagem moderna vem das referências das vanguardas européias pelo percurso de diversos arquitetos. O grande mérito do Niemeyer vai ser justamente interpretar essa linguagem moderna a partir de um desenho nacional, que gera uma relação de identidade com a cultura brasileira. De alguma forma, o grande projeto dele que representa essa interpretação nacional legítima da modernidade vai ser o conjunto arquitetônico da Pampulha, em Belo Horizonte. O grande mérito do Niemeyer foi dar uma nova direção para a arquitetura moderna ocidental a partir do momento em que ele se permite liberdade criativa, formal, em cima de uma estrutura de raciocínio racionalista, típica das vanguardas européias. E aí ele faz o que o mundo inteiro não fez e todo o mundo volta os olhos para o Brasil.

O POVO -
Você disse que o mundo voltou os olhos para o Brasil por causa do Niemeyer. Ele é uma unanimidade na arquitetura?
Rodrigo - Não. Na verdade, a arquitetura moderna nunca foi uma unanimidade. Tanto que se fosse, seria um sucesso até hoje. A arquitetura moderna parte do principio de um homem ideal, onde todos têm os mesmos anseios. Quando ela parte do princípio dessa estandartização da linguagem, obviamente que ela vai enfrentar um problema quando ela se defronta com as culturas, diferentes locais, histórias. Nesse sentindo, a arquitetura moderna nunca foi uma unanimidade. E a arquitetura do Niemeyer também nunca foi. Se a gente pensar, ele projetou muita coisa. Se formos imaginar um cara que tem mais de 70 anos de prancheta, onde ele tem milhares de projetos... Você não acorda gênio todo dia. Então você tem aí 5% dessas obras que contam a história da arquitetura ocidental e os outros 95% são um exercício de repertório em cima dessas obras geniais, que dão o suporte e o fôlego para ele continuar. Ele tem ainda algumas viradas, algumas obras-primas que marcam esses 70 anos de carreira.

O POVO - Que obras-primas são essas?
Rodrigo - Basicamente, o conjunto arquitetônico da Pampulha, o Centro Cívico de Brasília... Alguma coisa que ele fez na Europa, como a sede do Partido Comunista Francês ou da editora Mondadori, em Milão; esses são projetos da fase do auto-exílio, quando ele vai para a Europa durante o regime militar. Se ele era o arquiteto do Estado democrático, ele não era mais o arquiteto do regime militar. Depois disso, vem o Museu de Arte Contemporânea de Niterói, acho que é a grande obra dele.

O POVO - Qual foi a grande sacana de Niemeyer no projeto do Museu de Niterói?
Rodrigo - A grande sacada dele foi compreender que é possível fazer uma arquitetura que contenha o máximo de expressão associada ao máximo de respeito com a paisagem. O Museu tem uma forma super-dinâmica, potencial. Ao mesmo tempo, essa forma é que faz você enxergar toda a paisagem do Rio de Janeiro que passa por debaixo dele. O Museu emoldura a própria paisagem. O Niemeyer lida com as duas coisas. Em alguns projetos dele a paisagem emoldura a obra; em Brasília, por exemplo, você tem esse vazio extenso, mas no caso de Niterói é o contrário.

O POVO - Você mencionou esse "vazio extenso" que permeia Brasília. Qual o papel do vazio na obra de Niemeyer?
Rodrigo - É fundamental, porque a arquitetura moderna - o raciocínio moderno - parte do princípio de um redesenho completo do espaço da cidade a partir do zero; é reconstruir tudo de novo. Então, essa arquitetura sempre vai se comportar melhor quando não existe uma referência existente no lugar. Quanto maior for a vastidão, melhor como esse objeto vai se comportar, mesmo porque ele tem uma linguagem super vinculada à arte abstrata. Você não vê na obra de Niemeyer um tijolinho, um arquinho, sabe? Algo que remeta à tradição. Então, essa paisagem também tem que ser nula. Nesse sentido ele constrói a própria monumentalidade da obra dele, que está na distância em que você se coloca da obra dele. Por exemplo, a gente não consegue imaginar um Museu de Niterói ou uma Catedral de Brasília num quarteirão qualquer. Ficaria uma coisa completamente fora do lugar. Nesse sentido, o vazio é fundamental para você enxergar. A obra dele é atraente à distância porque você consegue perceber a escala da obra em relação ao horizonte. Dificilmente ele faz um croqui que ocupe toda a folha de papel. O croqui é pequeno. O campo do papel, na cabeça dele, é o campo tridimensional da realidade. No papel, ele já desenha esse espaço, esse vazio necessário. Tanto que ele pouco desenha perspectiva, ele desenha fachada, porque quanto mais a gente se afasta de um objeto, mais a gente enxerga ele em fachada. Ele talvez seja o grande arquiteto que consegue aliar a linguagem do desenho à linguagem da obra, porque a obra dele é quase um desenho, você enxerga o desenho original. Só os grandes arquitetos da história, da arquitetura moderna, conseguem isso.

O POVO - Isso remete à forte presença das artes plásticas na obra do Niemeyer...
Rodrigo - No momento em que o Niemeyer aparece no final da década de 30, com o projeto da sede do Ministério da Educação e Saúde do Rio de Janeiro, em 1936, que é o primeiro edifício modernista feito no Brasil, feito com consultoria do Le Corbusier. Desde esse período, a arquitetura moderna sempre estabeleceu diálogo interessante com as artes plásticas. Por exemplo, os murais: tanto os do Ministério da Educação quanto os da Pampulha foram pintados pelo (Cândido) Portinari (artista plástico brasileiro falecido em 1962). Nesse período mais experimentalista, mais jovem, a arquitetura moderna brasileira vai estabelecer diálogo com a arte. E quando a arquitetura moderna já está mais amadurecida, ela vai servir de suporte para a arte abstrata e não mais para a arte figurativa, como no caso de Brasília, onde há poucos painéis desses. Essa arquitetura mais geométrica, mais pura, mais limpa se presta como suporte para uma arte também mais limpa, que é a geométrica. Em Brasília, o grande par do Niemeyer nesse sentido foi o Athos Bulcão, que fez os painéis do Congresso Nacional.

O POVO - Você mencionou a parceria do Le Corbusier com o Niemeyer no projeto do Ministério da Educação. Onde está a influência do arquiteto suíço no brasileiro?
Rodrigo - O próprio Niemeyer escreveu muito sobre isso e declara que, tanto no período de faculdade quanto no período profissional, de recém-formado, os livros que continham a obra do Le Corbusier funcionavam quase como um tira-dúvidas. Não só ele, mas essa turma carioca da arquitetura moderna brasileira se debruçava sobre ele. Toda obra do Niemeyer vai ser uma interpretação lírica e sensível de alguns instantes de liberdade que o Le Corbusier propõe na obra dele. O Niemeyer constrói uma linguagem própria a partir da interpretação do repertório formal do Le Corbusier. Pampulha é muito clara nisso. Os elementos que estão na Pampulha o Le Corbusier já tinha usado na década de 20. O pilar em V, a abóbada, marquise... Pampulha é o primeiro projeto em que Niemeyer tem liberdade criativa absoluta. A grande qualidade de Pampulha é que ele projeta sete edifícios que vão dizer como Oscar Niemeyer vai trabalhar durante os 70 anos seguintes. São sete pequenas jóias. O conjunto das abóbadas da Igreja da Pampulha você encontra também no Memorial da América Latina, na Universidade da Argélia. A marquise da Casa de Bailes você encontra depois no Ibirapuera... Indiretamente, ele se dá, ali, uma regra. Ele mesmo não compreende a obra dele a partir daí. Ele, na verdade, não quer desmascarar o próprio mito que existe em torno dele. Pra ele é muito confortável ser esse cara genial que tem um raciocínio inexplicável com um método de projeto que não existe, mas a gente sabe que existe. Ele trabalha com um sistema no qual há um repertório restrito de formas associadas em um arranjo compositivo no espaço. É daí que ele faz um conjunto arquitetônico. Ele trabalha muito a relação de hierarquias entre formas, na qual as obras dele sempre vão ter uma forma discreta, racional, que ajuda a valorizar um outra forma expressiva, dinâmica, presente ali. Ele nunca vai querer fazer um edifício que queira competir com o outro. Acho interessante falar é da contra-influência - a influência do Niemeyer na obra do Le Corbusier. O interessante ver como o mestre vai olhar para a obra do pupilo e mudar a própria obra a partir disso. Até Pampulha, o Niemeyer tinha uma relação de discípulo com ele. Em 1947, eles vão a Nova York realizar um projeto da sede da ONU (Organização das Nações Unidas). É nesse instante que o Le Corbusier é apresentado para o conjunto arquitetônico da Pampulha, essa obra já autônoma do Niemeyer, a partir de fotografias que o próprio arquiteto leva para lá. E o Le Corbusier tem projeto revolucionário que é a igreja de Ronchamp, na França. Ele inicia esses croquis em 1947, em Nova York, quando ele está com o Niemeyer. Ronchamp é o grande divisor de águas de Le Corbusier. Ele vinha de uma linhagem funcionalista geométrica e resolve adotar a forma livre justamente nesse projeto. A qualidade da obra de Niemeyer é de tal ordem, que vai fazer o mestre e as vanguardas européias olharem para a obra dele.

O POVO - Há quem critique Niemeyer ao afirmar que o trabalho dele prioriza as formas em detrimento à funcionalidade. O senhor concorda ou discorda?
Rodrigo - Existem duas qualidades básicas que a arquitetura tem que ter: beleza e funcionalidade. Se ela não é funcional, ela não é arquitetura e se não é bela, é mera construção, não atinge o sentido de arquitetura. O Niemeyer se apóia muito na fusão desses dois significados quando ele fala que a grande função da arquitetura é ser bela. Sendo bela, ela cumpre sua função como arquitetura. Claro que ele acaba procurando uma justificativa para legitimar a própria obra. Existem projetos que têm problemas. A questão é que os grandes nomes da arquitetura moderna sempre resolveram os problemas que tinham no limite de seus raciocínios. A regra do Niemeyer é o mínimo de função no máximo de espaço. Ele enxuga os problemas a ponto deles conseguirem ser resolvidos com a linguagem dele.

O POVO - As obras de Niemeyer em Brasília foram consideradas geniais. Cinqüenta anos depois, os trabalhos dele de hoje continuam geniais?
Rodrigo - Um artista que tem 70 anos de trajetória possui obras paradigmáticas que mudam os capítulos e viram as páginas de sua história. Brasília foi um desses capítulos porque foi um momento de síntese, de revisão e de amadurecimento de linguagens caracterizada por uma profusão de formas. Ali, ele filtra tudo o que fez em Pampulha, no parque do Ibirapuera, e encontra uma linguagem simples, mas de monumentalidade. A maioria dos grandes arquitetos modernos, quando encontram isso, reproduzem essa síntese até morrer. O Niemeyer, não. Ele se obrigou a se reinventar até pela própria longevidade dele. Se a gente for imaginar, nenhum desses artistas, a não ser o (artista plástico) Pablo Picasso viveu tanto tempo. Garanto que quando Brasília foi feita, nem o próprio Niemeyer se imaginaria depois de 50 anos. Vejo a obra dele hoje como um retorno a essa licença poética da diversidade das formas associada a uma concisão de desenho muito forte. Por exemplo, o Caminho Niemeyer que ele está fazendo em Niterói. Ele tem uma licença poética pessoal ali, ele não etá preocupado em provar mais nada para ninguém. Se você pensar, tem muitos projetos que ele faz hoje que ele tem consciência que talvez não os veja prontos. Ele está muito ressabiado com isso, porque o País inteiro quer obra dele agora, porque sabe que é o deadline. Ele pode ir embora a qualquer momento. Ele fica muito chateado com isso, ao perceber que muita gente quer ter o projeto dele, mas ele sabe que o cara não vai construir. Ele fica meio magoado com isso.

O POVO - Niemeyer é realmente o último dos modernistas, como se apregoa por aí?
Rodrigo - Se você for pensar nessa geração pioneira brasileira, formada nesse momento de transição entre a academia e o modernismo, o Niemeyer é o que ainda está produzindo em cima desse legado mesmo no mundo. A notoriedade que ele tem no mundo é muito maior que a que tem aqui. Tinha o Cícero Dias (artista plástico brasileiro) que estava competindo com ele, mas faleceu (em 2003). Talvez seja o trabalho que mantenha essa longevidade. Tive a oportunidade de ir algumas vezes ao escritório dele e ver o poder de mobilização que ele tem ali dentro.

O POVO - Qual a obra dele que lhe é mais cara e a menos interesante?
Rodrigo - Gosto muito de uma obra que, às vezes, as pessoas não dão muita atenção, que é o Cassino da Pampulha. Ele foi a primeira encomenda para o Niemeyer ali. O Cassino contém a tensão e a dúvida desse jovem arquiteto que está compromissado com o legado do mestre, Le Corbusier, mas ao mesmo tempo ele enxerga uma perspectiva de se libertar e partir para a forma livre. Tanto que depois do Cassino, ele faz a Igreja da Pampulha que é um projeto revolucionário. Mas tem muita obra que poderia ter sido melhor trabalhada e que deixa a desejar. O sambódromo que ele fez aqui em São Paulo poderia servir como um parque ao lado da Marginal do Rio Tietê. Poderia ser mais interessante. Esse é um projeto que carece dessa atenção com o contexto existente. Quando o contexto é a baía da Guanabara, ele faz uma obra-prima, mas quando o contexto é o rio Tietê...


"Nasci em Laranjeiras RJ), na Rua Passos Manuel, rua que depois recebeu o nome do meu avô Ribeiro de Almeida, então Ministro do Supremo Tribunal Federal. Uma rua íngreme, tão íngreme que até hoje me espanta como a corríamos de cima para baixo jogando futebol."


CRONOLOGIA

1907
Nasce Oscar Niemeyer no Rio de Janeiro.

"Nasci em Laranjeiras, na Rua Passos Manuel, rua que depois recebeu o nome do meu avô Ribeiro de Almeida, então Ministro do Supremo Tribunal Federal. Uma rua íngreme, tão íngreme que até hoje me espanta como a corríamos de cima para baixo jogando futebol."

1928
Niemeyer conclui o curso secundário e casa-se com Annita Baldo. Um ano depois, matricula-se na Escola Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro.

"Nessa época eu não tinha tomado rumo certo. Ao contrário, levava vida boêmia e despreocupada e tudo me parecia bem. Depois de casado comecei a compreender a responsabilidade que assumia e fui trabalhar na tipografia de meu pai, entrando depois para Escola Nacional de Belas Artes."

1934
Obtém o diploma de engenheiro arquiteto e, um ano depois, inicia a vida profissional no escritório de Lúcio Costa e Carlos Leão. Com eles, realiza o projeto do Ministério da Educação e Saúde, no Rio de Janeiro, e que o coloca em contato com o arquiteto suíço Le Corbusier e o então ministro da pasta, Gustavo Capanema.

"Não queria, como a maioria dos meus colegas, me adaptar a essa arquitetura comercial que vemos aí. E apesar das minhas dificuldades financeiras, preferi trabalhar, gratuitamente, no escritório do Lúcio Costa e Carlos Leão, onde esperava encontrar as respostas para minhas dúvidas de estudante de arquitetura. Era um favor que eles me faziam."

1939
Viaja com Lúcio Costa para projetar o Pavilhão do Brasil na Feira Mundial de Nova Iorque. No ano seguinte, conhece o então prefeito de Belo Horizonte, Juscelino Kubitschek, que o convida a projetar o Conjunto da Pampulha.

"Para mim, Pampulha é a obra que lembro com mais satisfação. Foi o meu primeiro projeto com essa arquitetura mais livre e diferente que prefiro. Foi nessa ocasião que conheci JK. Recordo-me de quando ele me disse: "Oscar, você vai fazer o bairro mais bonito do mundo". Quanto entusiasmo !à E em dois anos, com a mesma correria que se verificou em Brasília, as mesmas angústias, a mesma preocupação com o prazo fixado, a obra foi concluída." (Correio Brasiliense, 15/12/2005)

1945
Ingressa no Partido Comunista Brasileiro. Um ano depois, tem o visto de entrada nos EUA cancelado, o que o impede de aceitar o convite para ministrar um curso na Universidade de Yale. Em 1947, obtida a permissão de estada nos EUA, viaja a Nova York para desenvolver o projeto da sede da ONU em parceria com Le Corbusier.

1951
Projeta os conjuntos Ibirapuera e COPAN, em São Paulo.

1955
Funda a revista Módulo, no Rio de Janeiro, e assume chefia do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da NOVACAP, encarregada da construção de Brasília. Ele é quem organiza o concurso para escolha do Plano-piloto de Brasília, participando também da comissão julgadora. Para a nova cidade, ele projeta os principais prédios, entre os quais o Congresso Nacional, o Palácio do Itamaraty e o Palácio da Alvorada.

"Quando alguém vai à Brasília, eu pergunto se viu o Congresso Nacional e pergunto depois se gostou, se achou que o projeto era bom, certo de que ela podia ter gostado ou não, mas nunca podia dizer, que tinha visto antes coisa parecida".

1962
É nomeado coordenador da Escola de Arquitetura da recém criada UnB e, no ano seguinte, membro honorário do Instituto Americano de Arquitetos dos Estados Unidos.

1964
Viajando a trabalho para Israel, é surpreendido pela notícia do golpe militar no Brasil. Retorna ao país em novembro, quando é chamado pelo DOPS para depor.

"Durante a ditadura, tudo foi diferente. Meu escritório foi saqueado e o da revista Módulo, que dirigia, semi-destruído. Meus projetos pouco a pouco começaram a ser recusados. "Lugar de arquiteto comunista é em Moscou ",desabafou um dia à imprensa o Ministro da Aeronáutica. "

1965
Retira-se da Universidade de Brasília em protesto contra a política universitária. Viaja à Paris para a exposição de sua obra no Museu do Louvre. Projeta a sede do partido comunista francês. Dois anos depois, impedido de trabalhar no Brasil, decide se instalar em Paris.

1968
Projeta a sede da Editora Mondadori, na Itália, e desenvolve diversos projeto para a Argélia.

1969
Na Argélia, projeta a Universidade de Constantine.

"A Universidade de Constantine (em Alger, na Argélia) me deu muito prazer. Estabelecemos ali uma série de princípios. Fizemos uma universidade mais versátil, melhor para os alunos andarem de um lado para o outro (Istoé Gente, 11/02/2002".

1972 - 73
Em Paris, abre seu escritório nos Champs Elysées, em Paris.
Acompanha a exposição sobre sua obra na Europa.

1975
A revista Módulo volta a ser publicada.

1983
Projeta o Sambódromo do Rio de Janeiro.

"Lamento que no sambódromo não tenha prevalecido a minha idéia de fazer da pista um lugar de circulação do povo. Essa história de cadeira de pista fez voltar o monta-desmonta. O povo foi afastado da festa. Voltou a discriminação entre pobres e ricos" (O Globo, 01/02/2004)

1987 - 88
Recebe o Prêmio Pritzker de Arquitetura, dos Estados Unidos.
Projeta Memorial da América Latina em São Paulo.

1990
Desliga-se do Partido Comunista Brasileiro.

"Foi com tristeza que me desliguei do PCB, onde militei, corretamente, durante 46 anos e só saí porque, do jeito que está, lá não é o meu lugar. Sou comunista. (...) É bobagem dizer que a luta de classes acabou. O partido em que eu acredito é aquele de Luiz Carlos Prestes, de Astrogildo Pereira, de Carlos Mariguela e de muitos outros companheiros" ( O Estado de São Paulo, 12/01/1992)

1991
Projeta o MAC de Niterói, que seria inaugurado em 1996.

"Quando comecei a desenhar este museu, já tinha uma idéia a seguir. Uma forma circular, abstrata sobre a paisagem. E o terreno livre de outras construções para realçá-las. Não queria repetir a solução usual de um cilindro sobre o outro, mas caminhar no sentido do Museu de Caracas, criando uma linha que subisse com curvas e retas do chão à cobertura".

1993
É acusado de plágio pelo artista plástico surrealista Walter Levy, que acusa Niemeyer de ter copiado as formas dos prédios de Brasília de quadros seus que havia desaparecido em 1993.

"Eu não quero tratar dessa fofoca ridícula sobre um quadro que nunca vi. (...) Na arquitetura, tudo se entrelaça. Muitas formas se parecem e procurar convergências sob interesses subalternos é desmoralizante, mas inevitável nesse momento estranho em que vivemos" (O Globo, 29/04/1993)

1995
Recebe os títulos de Doutor Honoris Causa das Universidades de São Paulo e de Minas Gerais.

1998
No Pavilhão Manoel da Nóbrega - Parque do Ibirapuera, em São Paulo, é realizada a exposição retrospectiva sobre sua obra Oscar Niemeyer 90 Anos.
Recebe a Royal Gold Medal do Royal Institute of British Architects - RIBA.

2001
Recebe a Medalha da Ordem da Solidariedade do Conselho de Estado da República de Cuba, a Medalha do Mérito Darcy Ribeiro do Conselho Estadual de Educação do Estado do Rio de Janeiro, o Prêmio UNESCO 2001, na categoria Cultura e os títulos de Grande Oficial da Ordem do Mérito Docente e Cultural Gabriela Mistral, do Ministério da Educação do Chile e de Arquiteto do Século XX, do Conselho Superior do Instituto de Arquitetos do Brasil.

2002
Realiza-se a exposição Oscar Niemeyer 90 anos, na Galerie Nationale du Jeu de Paume em Paris, França.

2006
Dois anos após a morte de sua esposa Annita, casa-se com Vera Lúcia Cabreira, sua secretária.


Fonte: Fundação Oscar Niemeyer e arquivos do Jornal O POVO

Dê sua nota clicando nas estrelas

Espaço dos leitores:

Comentar essa notícia

Seu nome:

Seu e-mail:

Sua cidade:

Comentário:

Importante: Os comentários publicados são de exclusiva responsabilidade de seus autores e as conseqüências derivadas deles podem ser passíveis de sanções legais. O usuário que incluir em suas mensagens algum comentário que viole o regulamento será eliminado e inabilitado para voltar a comentar.

Botao para a página sobre a Publicidade

Indique essa notícia

Seu nome:

Seu e-mail:

Nome do destinatário:

E-mail do destinatário:

Ir para a página sobre a Publicidade

Ir para a página sobre a Publicidade

Ir para a página sobre a Publicidade

Charge

Ir para a página sobre a Publicidade

© 2008 O POVO - Todos os direitos reservados