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CURINGAS

Alunos de teatro dão as cartas


07 Dez 2006 - 22h18min

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CENA de esquete do espetáculo Curingas: inspiração em Boal/FOTO DIVULGAÇÃO
A partir da inventividade de Augusto Boal, ator e diretor, cuja concepção de teatro é radical, os alunos concludentes do Curso Princípios Básicos de Teatro, do Theatro José de Alencar, elaboraram a peça de encerramento do curso. Em Curingas, cada espetáculo é singularmente diferente do antecessor. Isso porque o público participa da escolha do que será apresentado. A combinação de esquetes será sempre diferente, tanto pelo que foi selecionado, quanto pela ordem de encenação.

Os esquetes abordam temas diversos. A condição humana é protagonista e com ela, as inquietudes da vida, desde as descobertas do amor e do sexo, o individualismo, desejos e frustrações. Esquetes poéticos e sentimentais contrapõem-se em harmonia à crítica social, influência de Augusto Boal. Assim como a falta de linearidade, o caráter de improvisação também lembram Boal.

O texto é uma construção coletiva dos alunos, e é composto de doze esquetes. Mas apenas a metade delas é representada. De acordo com Adriana Coelho, atriz e produtora, senhas são distribuídas na entrada do teatro. Antes das cortinas serem abertas, há um sorteio. Os sorteados vão ao palco e escolhem os seis esquetes da apresentação e, se atrás da placa estiver escrito "curinga", o sorteado ainda ganha um brinde.

Para Adriana, é onde entra a estrutura do baralho. Os esquetes embaralhados são ordenados pelos espectadores, como num baralho, de onde se podem tirar cartas aleatoriamente. Curinga é um título simbólico: "significa uma pessoa que pode fazer vários personagens, uma carta no baralho que te garante a vitória", elucida Adriana. Assim, os mesmos atores compõem diversos personagens. O figurino também é curinga. O collant bege confunde-se com a pele e leva, por cima, acessórios para diferenciar as caracterizações.

Saias coloridas, camisas, alguns instrumentos musicais e vez por outra, cadeiras. Os objetos cênicos são esparsos e escassos, privilegiando a placa de fundo, com o nome da peça e dos esquetes. Cada título é uma incógnita: Três solos sem chão, Pelo que não vivemos, Jorge, Alerta vermelho, Alfabeto do amor e O segredo das ondas. Poderia ser uma seqüência. Cada esquete é uma surpresa. E os títulos dos doze esquetes ficam expostos, provocando a curiosidade do espectador para o que ele não poderá ver naquele espetáculo.

A direção fica sob tutela de João Andrade Joca, professor e um dos idealizadores do Curso Princípios Básicos de Teatro (CPBT). Com quinze anos de história, o curso tem um ano de duração. Os alunos passam por um rigoroso processo de seleção, e o número de candidatos selecionados varia de acordo com a avaliação dos professores. Assim, a quantidade de alunos por turma não é constante. Por esses atributos, é esperar que os esquetes do baralho sejam dados e ver como fica o jogo. Difícil ficar em desvantagem, pois em posse do curinga, o jogo já está ganho.


SERVIÇO
Curingas - Espetáculo teatral com os alunos do Curso Princípios Básicos de Teatro. Direção: João Andrade Joca. Na Sala Nadir Papi Sabóia (anexa ao Theatro José de Alencar - Rua 24 de Maio, 600 - Centro). Hoje, às 15h30 e 18h. Sábado e domingo às 18h. Gratuito. Info.: 3101.2583.

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