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Histórias premiadas

Antônio Almeida Silva, de 68 anos, e Rosa Paiva Almeida, de 70 anos, são dois contadores de história que representaram o Ceará entre os premiados da 8º edição do Concurso Talentos da Maturidade

Samanta Petersen
Especial para O POVO

29 Nov 2006 - 02h46min

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Rosa Paiva Almeida e Antônio Almeida Silva venceram na categoria contador de História
Qual criança, adolescente ou até mesmo adulto nunca se sentou ao lado de uma pessoa mais velha para ouvi-los contar histórias: verídicas ou não?! A arte de contar histórias não consiste apenas em relatar, mas em envolver o ouvinte na história. Antônio Almeida Silva, de 68 anos, e Rosa Paiva Almeida, de 70 anos, são dois cearenses que não apenas contam, mas nos transportam para o mundo das suas histórias.

Os dois foram vencedores da categoria "Contador de História" da 8º edição do Concurso Talentos da Maturidade, realizado anualmente pelo Banco Real, que premia pessoas com 60 anos ou mais nas categorias: Contadores de História, Literatura (contos e poesias), Artes Plásticas e Música Vocal. Cada uma das categorias premia cinco "talentos da maturidade" sem distinção entre primeiro, segundo ou terceiro lugar.

Antônio e Rosa foram os únicos vencedores do Ceará nesta edição do concurso. Eles e os outros três vencedores desta categoria concorreram com cerca de 1.500 outros contadores de história espalhados por todo o país. A premiação do concurso foi realizada em Curitiba na noite da última quarta-feira.

Rosa começou a contar histórias ainda criança. Ela ouvia as histórias de uma tia e depois corria para contar para seus amigos. Mesmo tendo estudando apenas até a 4º série do ensino médio, Rosa começou a escrever suas próprias histórias, que hoje conta para seus netos e para outras crianças. O amor pelas palavras fez com que ela voltasse à sala de aula. Há dois anos ela freqüenta uma escola de alfabetização de Jovens e Adultos.

Rosa tem dois sonhos: lançar um livro e reencontrar sua afilhada, filha da tia que lhe ensinou a contar histórias. "Eu queria reencontra-la para contar a história da sua mãe", diz emocionada.

Antônio também aprendeu a arte de contar histórias ainda na infância, mas seu aprendizado foi através dos cordéis: "Eu aprendi a contar histórias através do cordel. O cordelista é um verdadeiro contador de história, que dentro de um fato acontecido aumenta um pouco mais para a história ficar mais engraçada", explica.

Tanto Antônio quanto Rosa já haviam participado do concurso outras duas vezes, mas sem sucesso. Nos anos anteriores, ambos concorreram na categoria Literatura, mas foi quando decidiram mudar de categoria e contar eles mesmo suas histórias foi que o seus talentos foram reconhecidos.

Rosa foi premiada com uma história que segundo ela "conhece desde criança". "A história do Pescador e do Rei Velho", que conta história de um homem que achava cansativo pescar para viver até o dia em que começou a pescar coisas com poderes extraordinários. A história de Antonio foi inventada por ele mesmo: "O artesão e o santo de mandioca", que relata a história de um artesão que esculpiu, em uma mandioca gigante, um santo e o escondeu no mato. O santo é achado e levado para a igreja e aí começa a história que termina com o santo sendo devorado por um porco.

Além do reconhecimento do seu talento de contar histórias cada um dos vencedores recebeu um prêmio, no valor de R$ 7 mil. O dinheiro vai ajudar a realizar um sonho de Antonio. Com o dinheiro ele vai mandar imprimir cerca de 120 originais de cordéis que ele já tem pronto e apenas esperavam a oportunidade de serem rodados.

Nesta edição, o concurso recebeu mais de 36 mil inscrições, um número 70% a mais do que em 2005. A categoria mais popular é Literatura, que este ano teve 18 mil inscritos. Cerca de 80% dos inscritos já participaram de outras edições do concurso. Bahia, Ceará, Minas Gerais, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e São Paulo são os estados dos premiados na edição deste ano. Além das categorias para as pessoas com mais de 60 anos, o concurso ainda possui outras duas nas quais podem concorrer pessoas de qualquer idade. As categorias monografia e programas exemplares, que premia entidades ou projetos, implantados a mais de um ano. Os projetos devem realizar trabalhos com pessoas na terceira idade.

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