HUMBERTO TEIXEIRA e  Carmélia Alves na Alemanha. A cantora foi uma das intérpretes de Teixeira e considerada Rainha do Baiao (Reprodução: Arquivo de Carmélia Alves)
HUMBERTO TEIXEIRA e Carmélia Alves na Alemanha. A cantora foi uma das intérpretes de Teixeira e considerada Rainha do Baiao (Reprodução: Arquivo de Carmélia Alves)
HUMBERTO TEIXEIRA
Dr. do baião
De Iguatu para todo o Brasil. Assim se resume a trajetória a obra do compositor cearense Humberto Teixeira, autor de sucessos como Asa Branca e Kalu. A memória do Doutor do Baião, como era chamado pelo parceiro Luiz Gonzaga, vem sendo reavivada pela filha dele, a atriz Denise Dummont, por meio de um livo e de um filme, 27 anos após a morte dele

Amanda Queirós
da Redação

18/11/2006 15:10

Falar de Humberto Teixeira nas páginas de um jornal impresso é tarefa ingrata. Afinal, a obra do compositor cearense soa infinitamente melhor da maneira como foi originalmente pensada: na forma de música, do baião sertanejo que ele estilizou e urbanizou a partir da célebre parceria com o pernambucano Luiz Gonzaga, que durou de 1945 a 1950. Foi no escritório de advocacia de Teixeira, no Rio de Janeiro, que os dois tiveram um encontro definitivo para música popular brasileira. Dali, já saiu rabiscada a primeira música dos dois, aquela que nos conta como se dança o baião e que para aprender só nos basta prestar atenção.

Os mais de 50 anos que se seguiram a esse momento são o atestado da força da música do cearense. Impossível já não ter esbarrado durante esse tempo com pelo menos uma releitura de suas composições. É como um gato de sete vidas que está sempre de volta, como descreve a única filha do compositor, a atriz Denise Dummont, em entrevista para o Vida & Arte Cultura. A resistência da obra dele se traduz também no cotidiano, na Asa Branca cantada pelo menino da esquina, na Paraíba que coroa as festas de São João, na Kalu assobiada nos quatro cantos do País. Essas e outras centenas de melodias receberam letra e partitura das mãos do cearense nascido em Iguatu em janeiro de 1915 e tornado universal pelas suas composições.

Para o pesquisador Miguel Ângelo de Azevedo, mais conhecido como Nirez, a energia do trabalho de Humberto Teixeira reside na determinação dele em continuar a cantar o Ceará mesmo longe do Estado onde nasceu. No Rio de Janeiro, onde morou dos 16 anos até o final da vida - em outubro de 1979 -, ele construiu a carreira urbanizando e conferindo ainda mais lirismo às letras das cantigas já tradicionais do sertão nordestino. Seu elemento principal era a sofisticação da simplicidade, como aponta o cantor cearense Marcus Britto.

Na quarta-feira (22), a obra de Humberto Teixeira vai ser revisitada pelas letras. Neste dia, às 19h, no Centro Cultural Banco do Nordeste, será lançado o livro Cancioneiro Humberto Teixeira. São dois volumes com a biografia e algumas de suas principais composições, numa edição bilíngüe. Quem está à frente do projeto é a filha Denise, que também vem preparando, há cinco anos, um documentário sobre o Doutor do Baião, como Luiz Gonzaga costumava chamá-lo. As próximas páginas são dedicadas ao talento do cearense que abriu caminhos para que muitos outros saíssem daqui e conseguissem fazer com que a nossa música ressoasse em cada ouvido desse País.


SERVIÇO

Cancioneiro Humberto Teixeira. Será lançando no dia 22, quarta-feira no Centro Cultural Banco do Nordeste, às 19 h


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