
FOTO EDIMAR SOARES
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ACERVO DIGITALIZADO
120 anos em um clique
Desde o mês passado, é possível acessar, com a facilidade de um clique, todo o acervo das revistas do Instituto Histórico, Geográfico e Antropológico do Ceará. São mais de 100 revistas de uma instituição que, em 2007, completa 120 anos de existência
08/11/2006 00:26
Em Faze o Bem, não Cates a Quem, Guilherme de Studart (o Barão) discorre sobre o senador José Martiniano de Alencar, pai do escritor homônimo. Em Os Dois Imperadores, Juvenal Galeno transforma em lirismo e ritmo a Revolução do México. Esses são dois dos textos que compuseram a primeira edição da Revista do Instituto do Ceará, publicada em 1887. Quase 120 anos depois, na tela retangular de um computador, esta e mais outras 125 edições da revista podem ser lidas - ou seja: o acesso a todo o acervo de revistas pode ser feito de casa, sem haver a necessidade de se deslocar até a sede do Instituto Histórico, Geográfico e Antropológico do Ceará, no centro da cidade.
Desde o mês passado, todo o acervo, composto por 119 revistas regulares - publicadas anualmente, sem interrupção - e sete tomos especiais voltados a temas específicos, pode ser acessado tanto no site do Instituto quanto conferido no CD-Rom distribuído gratuitamente em instituições de educação. De acordo com Jeferson Teixeira, gerente administrativo do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, apenas outros três institutos estaduais já digitalizaram suas revistas: o de Alagoas, o de Goiás e o da Paraíba.
Aqui, o processo de digitalização das revistas, que se iniciou ainda em 2005, faz parte de um projeto maior: o de organização e disponibilização do acervo documental do Instituto do Ceará, financiado pelo Ministério da Cultura por meio da Lei Rouanet. "O que nós temos aí? Temos acesso desde 1887 a todos os assuntos maravilhosos de pesquisas, artigos, documentos. Temos praticamente o resgate da história do Ceará. Com mais ou menos brilhantismo, dependendo da época, você tem sempre informações valiosíssimas", afirma Eduardo Campos, presidente do Instituto cearense. Assim, tanto se dissemina o conhecimento produzido ao longo das décadas quanto facilita o acesso do pesquisador a esse material.
O escritor admite que o Instituto, hoje, não é mais artífice solo na pesquisa e na produção de conhecimento, no Estado. "Hoje, eu posso dizer muito a contragosto que o prestígio maior do Instituto como espaço para pesquisadores caiu talvez 80, 90%, com os novos padrões de pesquisa universitária. Você hoje tem um universo enorme para pesquisar a base da ciência, história, antropologia; dá pra procurar na internet". Entretanto, para Eduardo, a importância histórica da Revista é inconteste, ao passo que sua função social hoje continua sendo a de fomentar debates nas áreas da antropologia, geografia e história.
Aos 83 anos, Eduardo Campos não deixa de se contemporizar. Além de ter arriscado no campo artístico e apresentado, ano passado, uma exposição de infogravuras (desenhos feitos no computador), o escritor não pára de pensar em projetos de "modernização" do Instituto e da Ceará Rádio Clube, que também é coordenada por ele. Assim, o relacionamento do Instituto com as novas tecnologias não pára na digitalização do acervo documental. "Nós entramos com um novo projeto: a edificação do Museu de História Barão de Studart, que vai funcionar na parte térrea do Instituto do Ceará. É um museu interativo, onde você toca em um botão e vê as peças. A proposta do museu abrange uma área de 300 metros quadrados", explica. Afinal, de acordo com o escritor, "museu não é mais aquela 'feição de coisas amontoadas'".
O projeto de digitalização do acervo foi construído pela arquiteta e museóloga cubana Lidia Sarmiento Garcia e está sob avaliação do Ministério da Cultura. Por meio da Lei Rouanet, deverão ser investidos R$ 450 mil, e o espaço deve ficar pronto seis meses após a efetivação do financiamento. "É, o negócio agora é moderno". E quem diz é Eduardo Campos.
SERVIÇO
Instituto Histórico, Geográfico e Antropológico do Ceará - Rua Barão do Rio Branco, 1594. Centro. Informações: 3231.6152. Horário de funcionamento: de segunda à sexta, das 13h às 17h.
http://www.institutodoceara.org.br
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