Vida & Arte
ENTREVISTA
Transversalidade radical
O escritor e ensaísta Silviano Santiago faz uma leitura contrastante e epistemológica dos livros Raízes do Brasil, de Sérgio Buarque de Holanda, e O labirinto da solidão, de Octavio Paz
28 Out 2006 - 16h50min
"Quem viu a esperança não a esquece. Procura-a debaixo de todos os céus e entre todos os homens" (Octavio Paz, citado por Silviano Santiago)
Poeta, professor universitário, romancista, crítico, ensaísta. O mineiro (de Formiga) Silviano Santiago, 70, agrega toda a sua complexa relação com a palavra escrita e realiza assim uma leitura dupla (em "fricção") de duas obras seminais para um possível entendimento do Brasil e dos nossos vizinhos de fala hispânica, em seu novo livro As Raízes e o Labirinto da América Latina. Santiago destrinça os significados aparentes e em latência do texto de Sérgio Buarque de Holanda (Raízes do Brasil) e do poeta mexicano Octavio Paz (O labirinto da solidão), utilizando-se, dentre outras ferramentas conceituais, desse hibridismo temporal aventado pelo filósofo francês Jacques Derrida em seu estudo La différance, publicado em 1967: "a marca do passado corroída pela marca de sua relação com o elemento futuro".
Entre o estudo de Sérgio Buarque de Holanda, publicado em 1936, e o de Octavio Paz (de 1950), repara Santiago, aconteceu o hiato dramático da II Guerra Mundial. A "política de boa vizinhança" do presidente Roosevelt estava no auge - marcando a expansão dos Estados Unidos que se arvorariam em vencedores do conflito e mediadores entre dois universos paralelos, corroborados pela tensão crescente da Guerra Fria. Um deles, representado pela então União Soviética. O outro universo em expansão são os próprios EUA, que passam a exportar sua "influência, vigilância, controle e poder", particularmente para os demais países da América.
Contrastes e confrontos. Sob este signo duplo (por sinal, título de um livro de Euclides da Cunha), Silviano Santiago vai penetrando o labirinto radical da nossa identidade ibero-americana. Repara como, em Raízes, Sérgio Buarque de Holanda fala da nossa cultura como sendo "importada", nos transformando em "desterrados em nossa terra". Já o poeta Octavio Paz tece reflexões tomando como elemento singularizante a figura do pachuco, o trabalhador emigrado nos Estados Unidos, uma espécie de pária, malandro e conquistador que, através de um visual desconcertante, exercita "a exasperada afirmação de sua personalidade", única forma de distinguir-se do anonimato aviltante e segregador. Em contraponto, a "afirmação da personalidade", embasando nossa psicologia identitária, estaria na matriz do populismo à brasileira. A percepção escorreita, fluente, multifacetada, universalizante de Sérgio Buarque se complementa ao olhar poético, individualizador, sensível e pertinente do poeta mexicano. E Silviano acrescenta um dado novo, apenas indiciado ou sugerido (ou nem isso) nos livros em foco: a questão de gênero, numa abordagem pós-feminista muito corajosa.
As Raízes e o Labirinto da América Latina é um livro de maturidade. Uma obra em que as várias inquietações intelectuais de Silviano Santiago estão presentes e permitem uma abordagem multifacetada sobre o Brasil. O escritor foi um dos primeiros críticos a (re)conhecer a obra ímpar de Ariano Suassuna, publicando, em 1975, uma antologia da prosa e da poesia do genial paraibano. Mesmo ano em que publica, em parceria com Affonso Romano de Sant´Anna, uma edição comentada de Iracema, de José de Alencar. Em 1978 publica Crescendo durante a guerra numa província ultramarina (poesia) e Uma literatura nos trópicos, conjunto de ensaios sobre dependência cultural. Com o romance Em Liberdade, de 1981, ele ganha o prêmio Jabuti na categoria, feito que se repetiria em 93, com outro romance: Uma história de família.
Em 1982, o inquieto Silviano Santiago lança Vale quanto pesa, com ensaios sobre questões político-culturais. Dois anos após, sai um dos seus romances mais contundentes - sobre um rapaz "exilado" pela família nos Estados Unidos por conta de sua orientação sexual. E do encontro dele com um militar brasileiro, notório torturador, que, travestido, assume a identidade de Stella Manhattan, título do livro. Ainda em 85, ele traduz um volume de poemas de Jacques Prévert. Em 93, ele coordena a equipe responsável pelo volume reunindo toda a poesia de Drummond, uma edição crítica publicada pela coleção Archives, e também lança um volume de poemas, Cheiro forte. Silviano Santiago é também autor dos livros Viagem ao México (de 1995)e Keith Jarrett no blue note (em 96). Além de As Raízes e o Labirinto da América Latina, publicado este ano, Silviano Santiago participa com um conto da antologia Quartas Histórias, em homenagem a Guimarães Rosa, coordenada pelo escritor cearense Rinaldo de Fernandes.
A coletânea reúne escritores de várias gerações que se inspiraram em contos de Rosa, entre eles, Tércia Montenegro, Pedro Salgueiro, Nilto Maciel e Marcelino Freire. Sobre sua participação, Santiago escreveu, em adendo à entrevista feita por e-mail: "Meu conto se chama Ceição Ceiçim. Trata-se dos primeiros anos de vida dum bastardinho que é depositado pela mãe à porta da casa dum rico fazendeiro, solteiro, que o adota. O menino é engraçado porque não titubeia diante de qualquer pergunta que se lhe faz. Responde: 'Sei não', ou 'Sei sim'. Daí o apelido que ganha em casa e dá título ao conto. Mas o verdadeiro nome dele é Ignacio, Guinacinho, porque foi acolhido no dia de santo Ignacio de Loiola. E por aí vai o bastardinho, entre o pai adotivo e solteiro, a mãe, a ama de leite e o cachorro da família". (Eleuda de Carvalho)
OP - Você escreve, em As Raízes e o Labirinto da América Latina, que o livro de Sérgio Buarque de Holanda seria o "complemento épico cosmopolita" ao nacionalismo moderno de Macunaíma, do Mário de Andrade, e aos poemas de Pau-Brasil, do Oswald. E lembrei de um outro livro, anterior, que é uma epopéia de paradoxos - Os Sertões. Há como estabelecer uma linha relacional com esta outra raiz, que é a obra de Euclides da Cunha?
Salviano - Vamos por partes. A comparação que faço entre a geração dos anos 1920 e Sérgio Buarque visa a mostrar como, depois da publicação em 1936 de Raízes do Brasil, aquela geração, que no fundo é a dele, passa a ser "anterior" a ele. Dentro do próprio grupo de intelectuais modernistas houve um racha. O causador dele é Sérgio Buarque. Esse é o fato mais esclarecedor da posição insólita que o ensaio ocupa no panorama das idéias. Por isso, Raízes do Brasil tem menos a ver com Macunaíma e a Poesia Pau-Brasil e mais com a escrita e o espírito dos grandes romances dos anos 1930, que já se apresentam ao leitor brasileiro como descompromissados da atitude de vanguarda. Refiro-me, é claro, aos romances de Graciliano Ramos e Ciro dos Anjos, escritos em português castiço e técnica romanesca tradicional. Pretendi mostrar como Sérgio, de maneira silenciosa, é um extraordinário crítico dos próprios contemporâneos, daqueles que, no processo de conhecimento da realidade nossa, estavam exagerando na dose nacionalista, como Mário e Oswald. Tanto exageravam, que abriram espaço para o grupo Anta, nitidamente integralista. Já Sérgio abre para si e para seus leitores um espaço original de reflexão sobre o Brasil, espaço cosmopolita, que não se confunde com o "marco zero" do modernismo nos anos 1920. Daí a importância que ele dispensa - e nós o acompanhamos no movimento - ao conhecimento dos "territórios-ponte" da Europa, ou seja, a Espanha e Portugal, territórios desprezados pelos de 1920. Está vendo que o empenho maior dele, desde a primeira frase do ensaio, é o de uma sólida pesquisa na tradição ocidental que contextualiza o Brasil pelo viés da península ibérica. Ele tenta enquadrar a jovem nação no contexto europeu, para que conheçamos a nós por padrões de maior exigência, universais. Menos ufanistas. A lembrança de Os sertões faz sentido, mas faz mais sentido (a meu ver) a inserção de Sérgio Buarque na rabeira de um grande e às vezes negligenciado pensador que é Joaquim Nabuco. Por cima de 1920, Sérgio dá as mãos ao Nabuco amigo de Machado de Assis, e de mãos dadas com os dois, ele encontra no meio do caminho Graciliano Ramos e Ciro dos Anjos. Eis o panorama nacional em 1936, de maneira simplificada.
OP - Em outro capítulo do seu livro, você ressalta a dicotomia construída por SBH para compreender a origem e formação do país - como um binômio de oposição entre a cidade e o campo. Podemos pensar que, 70 anos depois, esta premissa ainda é válida? Se deslocarmos a questão urbano-rural para centro-periferias?
Salviano - Em Sérgio Buarque, mais do que uma oposição entre a cidade e o campo, há uma distinção que é a seguinte: o modo como o espanhol ladrilha a cidade é muito diferente do modo como o português vai semeando as cidades. Racional e geométrico, o espanhol, bem inspirado pelo espírito jesuíta, "ladrilha" a cidade de maneira não-natural, ou seja, a constrói artificialmente, como uma combinação de retas (ruas) e quadrados (praças). Já o português, em particular aquele que fomenta o espírito bandeirante, vai abrindo caminho, alargando fronteiras e deixando para trás como que cidades "semeadas". De acordo com a parábola cristã, que inspira a metáfora de Sérgio Buarque, o bandeirante constrói os povoados ao acaso, naturalmente, seguindo os pendores da própria natureza geográfica. O ladrilhador e o semeador. Essa distinção é importante porque ela merece uma avaliação de Sérgio, avaliação esta que será responsável por uma classificação hierárquica. Na avaliação de Sérgio, a colonização espanhola foi feita pelo "zelo" (ladrilhador) e a do português, pelo "desleixo" (semeador). Portanto, a América Latina foi sendo colonizada pelo zelo e o desleixo, e entre os dois fica claro que Sérgio opta pelo "zelo" como construtor da civilização superior. Gilberto Freire detectou a preferência de Sérgio pela colonização espanhola e jesuítica e a criticou acidamente, pois via nela uma opção ideológica nefasta a uma boa compreensão do Nordeste dos senhores de engenho. Acredito, finalmente, que tanto a interpretação de Sérgio quanto a de Gilberto são insuficientes para se conhecer a relação centro-periferia, a que você se refere. Para compreender os anos 1970, seria aconselhável que o interessado lesse o ensaio de Octavio Paz (e, se for gentil, as páginas que lhe dedico), em especial no tocante ao migrante mexicano que vai trabalhar na Califórnia. No problema que você apresenta está, em miniatura, a questão que Paz estuda na relação entre a América Latina e os Estados Unidos, o neocolonialismo, que é também nosso nos dias de hoje. Esse é o principal interesse de uma leitura "contrastiva", que é a que o meu livro apresenta. O que não está em um, Sérgio, pode estar no outro, Paz.
OP - Queria que você comentasse a figura emblemática do bandeirante em contraponto àquele "desleixo", também tão brasileiro, de que falava Sérgio Buarque. (E agora fico pensando na viagem dos modernistas, em especial o Mário de Andrade, que, ao modo de um bandeirante pelo avesso, rendeu-se à diversidade cultural do povo nordestino, que ele registrou com seu olhar duplo - de professor e de poeta).
Salviano - Como estou salientando, quem tem pouco a ver com a viagem dos modernistas às cidades históricas de Minas Gerais é o próprio Sérgio Buarque. Aquela viagem, como também a viagem que o professor e poeta Mário de Andrade faz ao Nordeste, tem a ver com a busca duma tradição nacional, popular, miscigenada, para embasar o modernismo, que tinha começado "errado", ou seja, por um processo de imitação das vanguardas européias. É difícil querer enquadrar as "raízes" que Sérgio Buarque busca nas "raízes" que Mário e Oswald buscavam. Não é porque os dois movimentos de busca das nossas origens sejam antípodas; pelo contrário, eles são apenas diferentes. Não são antípodas porque, ao final das contas, eles se complementam numa visada do nacional que é menos universal (caso de Mário) e mais universal (caso de Sérgio). Vamos aprendendo que não há uma única maneira de interpretar o Brasil. Nosso país é feito de várias interpretações complementares. A nossa compreensão de Brasil e, por extensão, de América Latina, tem de ser múltipla e democrática, para não recair na nossa tendência ao autoritarismo. Veja você, por exemplo, que Sérgio Buarque, ao contrário de Gilberto Freire, pouco trata no seu ensaio da questão da escravidão. Não se pode enxergar tudo num só livro. Sérgio enxerga coisas que Mário não via, ao mesmo tempo em que é cego diante de coisas que Mário via deslumbradamente. Ótimo que já possamos hoje interpretar as interpretações e termos um conhecimento diferenciado e mais rico do Brasil e da América Latina.
OP - E por falar em poeta... Você ressalta, n´O Labirinto da Solidão de Paz, a opção do poeta mexicano por uma linguagem que incorpora a dicção popular. Em contraponto, temos o brasileiro cordial de Sérgio Buarque - percebido pela
mirada do homem cosmopolita. Na transversal das duas obras, você penetra o labirinto das raízes latino-americanas?
Silviano Santiago - É isso aí. Falamos antes como Sérgio Buarque suplementa Mário de Andrade, que é por sua vez suplementado por Gilberto Freire e Câmara Cascudo. Podemos acrescentar, agora no escopo da América Latina, que Octavio Paz suplementa Sérgio Buarque. Num certo sentido, Octavio Paz está ideologicamente mais próximo de Mário de Andrade do que Sérgio Buarque. Isso porque Paz e Mário começam sempre as suas reflexões sobre a questão cultural (brasileira, num caso, e mexicana, no outro) na qualidade de etnógrafos-amadores. Há, no entanto, uma diferença entre eles. Mário se interessa sempre pela manifestação artística popular (no caso de Minas, a arte barroca; no caso do nordeste, o canto popular), enquanto Octavio Paz, com ouvido de poeta, sempre se interessa pelo modo como o povo expressa o seu estar-no-mundo através de certas e poucas palavras. O etnógrafo amador Octavio Paz está sempre de ouvido aberto para um linguajar que, em última instância, é o de um México que não estava sendo escrito (no sentido de compreendido) pelos grandes ensaístas eruditos do século 19. Seria muito pertinente comparar o Octavio Paz de O labirinto da solidão com o Manuel Bandeira do poema Evocação do Recife. Um e o outro salientam bem o falar "certo" (e não "errado", como reza a tradição letrada) do povo. Veja você que, mais conversamos, mais vamos enriquecendo o nosso repertório. É isso que meu livro pretende despertar no leitor.
OP - Que leitura você faz do novo cenário político latino-americano atual, no caso de uma provável reeleição de Lula? (Digo, tendo em vista aquilo que você chama de "infixidez das classes sociais").
Salviano - "A infixidez das classes sociais" não é uma idéia minha. É do próprio Sérgio Buarque, e é o principal fundamento para que a gente conheça melhor o que ele entende por "homem cordial". Sérgio depreende a idéia da leitura que faz da literatura portuguesa na época dos grandes descobrimentos. Ele deduz a infixidez das classes sociais na sociedade portuguesa através da análise do modo como a burguesia mercantil cosmopolita adota postiçamente o vocabulário da nobreza de paço para poder constituir-se como classe social hegemônica. Na falta de um "novo" vocabulário que pudesse dar conta das suas conquistas e do seu lugar no mundo, a burguesia mercantil cosmopolita portuguesa "imita" a nobreza de paço e passa a assumir como seu o "velho" vocabulário dela. É dessa forma que aparecem pelo mundo que o português coloniza os "barões" postiços, de que fala Sérgio Buarque, agora já se referindo aos donos do poder em território brasileiro. No capítulo sobre a burguesia mercantil, a conclusão nos induz ao melhor conhecimento do homem cordial: "Como nem sempre fosse vedado a netos de mecânicos alçarem-se à situação dos nobres de linhagem e misturarem-se a eles, todos aspiravam à condição de fidalgos". Está lá em Raízes do Brasil. O próprio leitor pode concluir.
OP - Messianismo e cangaço - duas vertentes populares, nordestinas e sertanejas que também estão na base, no assento, na raiz do Brasil - e aqui me refiro especificamente ao Caldeirão (comunidade liderada pelo beato José Lourenço, no Crato, destruída pelo governo Getúlio Vargas exatamente no ano de publicação do Raízes do Brasil), e ao fenômeno Lampião. Temas que permeiam a literatura brasileira, a partir do final do século 19, com o chamado romance cearense (Franklin Távora, com O Cabeleira; O Reino Encantado, do Tristão de Araripe), e depois no romance de 30. Quando e de que modo estes temas vão entrar no cardápio de preocupações dos nossos investigadores sociais?
Silviano Santiago - Como tentei dizer atrás, não há uma única interpretação que explique tudo. Um grande pesquisador, como é o caso de Sérgio Buarque, Gilberto Freire, Florestan Fernandes e tantos outros, não pode ser confundido com o responsável pela edição de uma enciclopédia. Cada um trabalha com as suas próprias preocupações, com as suas próprias obsessões intelectuais, dentro de limites que lhe são impostos de fora para dentro e que cada um impõe de dentro para fora. Não é mais possível hoje que um grande pesquisador e pensador tenha o espírito enciclopédico. Estamos inapelavelmente destituídos das grandes interpretações do mundo, que deram grandeza ao século 19. Somos pós-modernos, com muito orgulho. Passando à sua pergunta, digo que para se compreender os dois fenômenos que você apresenta, o messianismo e o cangaço, temos uma grande especialista, que é Maria Isaura Pereira de Queiroz. Seria indispensável que se fosse conhecendo um outro e diferente Brasil que está mais nos livros dela do que nos ensaios que analisamos. Foi principalmente através dela que os dois temas mencionados, candentes ambos, entraram para o cardápio de preocupações dos nossos investigadores sociais, para retomar as suas palavras.
SAIBA MAIS
Silviano Santiago nasceu em Minas, no mesmo ano da publicação de Raízes do Brasil pelo historiador Sérgio Buarque de Holanda. Hoje é considerado um dos principais críticos literários. É romancista, contista, poeta. Este ano arrebatou o terceiro Prêmio Jabuti com o livro Histórias mal contadas de conto e crônica. É autor de livros como Em Liberdade, que está no rol dos dez melhores romances brasileiros dos últimos 30 anos. Escreveu ainda Stella Manhattan, traduzido para o inglês e francês. No livro, um dos personagens centrais é um militar torturador que se torna travesti. Entre os livros de ensaio, destacam-se Uma literatura nos trópicos, Nas malhas da letra e O cosmopolitismo do pobre. Como professor, ele lecionou em universidades de renome internacional, como as de Yale, Stanford, Texas, Indiana e Toronto. Atualmente, é professor aposentado de Literatura Brasileira da Universidade Federal Fluminense.
LEIA MAIS
As Raízes e o Labirinto da América Latina. Neste livro recém-lançado, Santiago faz uma análise do livro Raízes do Brasil, do Sérgio Buarque de Holanda e do Labirinto da Solidão, de Octávio Paz Editora Rocco, 249 pg. R$ 31
Histórias mal contadas. Livro de Contos e crônicas lançado no ano passado
e que ganhou o Prêmio Jabuti este ano. Editora Rocco, 200 pg. R$ 26
Nas Malhas da Letra. Nele, Santiago faz uma análise da produção literária pós-64 entre outros temas. Editora Rocco. 276 pg. R$ 39
Poeta, professor universitário, romancista, crítico, ensaísta. O mineiro (de Formiga) Silviano Santiago, 70, agrega toda a sua complexa relação com a palavra escrita e realiza assim uma leitura dupla (em "fricção") de duas obras seminais para um possível entendimento do Brasil e dos nossos vizinhos de fala hispânica, em seu novo livro As Raízes e o Labirinto da América Latina. Santiago destrinça os significados aparentes e em latência do texto de Sérgio Buarque de Holanda (Raízes do Brasil) e do poeta mexicano Octavio Paz (O labirinto da solidão), utilizando-se, dentre outras ferramentas conceituais, desse hibridismo temporal aventado pelo filósofo francês Jacques Derrida em seu estudo La différance, publicado em 1967: "a marca do passado corroída pela marca de sua relação com o elemento futuro".
Entre o estudo de Sérgio Buarque de Holanda, publicado em 1936, e o de Octavio Paz (de 1950), repara Santiago, aconteceu o hiato dramático da II Guerra Mundial. A "política de boa vizinhança" do presidente Roosevelt estava no auge - marcando a expansão dos Estados Unidos que se arvorariam em vencedores do conflito e mediadores entre dois universos paralelos, corroborados pela tensão crescente da Guerra Fria. Um deles, representado pela então União Soviética. O outro universo em expansão são os próprios EUA, que passam a exportar sua "influência, vigilância, controle e poder", particularmente para os demais países da América.
Contrastes e confrontos. Sob este signo duplo (por sinal, título de um livro de Euclides da Cunha), Silviano Santiago vai penetrando o labirinto radical da nossa identidade ibero-americana. Repara como, em Raízes, Sérgio Buarque de Holanda fala da nossa cultura como sendo "importada", nos transformando em "desterrados em nossa terra". Já o poeta Octavio Paz tece reflexões tomando como elemento singularizante a figura do pachuco, o trabalhador emigrado nos Estados Unidos, uma espécie de pária, malandro e conquistador que, através de um visual desconcertante, exercita "a exasperada afirmação de sua personalidade", única forma de distinguir-se do anonimato aviltante e segregador. Em contraponto, a "afirmação da personalidade", embasando nossa psicologia identitária, estaria na matriz do populismo à brasileira. A percepção escorreita, fluente, multifacetada, universalizante de Sérgio Buarque se complementa ao olhar poético, individualizador, sensível e pertinente do poeta mexicano. E Silviano acrescenta um dado novo, apenas indiciado ou sugerido (ou nem isso) nos livros em foco: a questão de gênero, numa abordagem pós-feminista muito corajosa.
As Raízes e o Labirinto da América Latina é um livro de maturidade. Uma obra em que as várias inquietações intelectuais de Silviano Santiago estão presentes e permitem uma abordagem multifacetada sobre o Brasil. O escritor foi um dos primeiros críticos a (re)conhecer a obra ímpar de Ariano Suassuna, publicando, em 1975, uma antologia da prosa e da poesia do genial paraibano. Mesmo ano em que publica, em parceria com Affonso Romano de Sant´Anna, uma edição comentada de Iracema, de José de Alencar. Em 1978 publica Crescendo durante a guerra numa província ultramarina (poesia) e Uma literatura nos trópicos, conjunto de ensaios sobre dependência cultural. Com o romance Em Liberdade, de 1981, ele ganha o prêmio Jabuti na categoria, feito que se repetiria em 93, com outro romance: Uma história de família.
Em 1982, o inquieto Silviano Santiago lança Vale quanto pesa, com ensaios sobre questões político-culturais. Dois anos após, sai um dos seus romances mais contundentes - sobre um rapaz "exilado" pela família nos Estados Unidos por conta de sua orientação sexual. E do encontro dele com um militar brasileiro, notório torturador, que, travestido, assume a identidade de Stella Manhattan, título do livro. Ainda em 85, ele traduz um volume de poemas de Jacques Prévert. Em 93, ele coordena a equipe responsável pelo volume reunindo toda a poesia de Drummond, uma edição crítica publicada pela coleção Archives, e também lança um volume de poemas, Cheiro forte. Silviano Santiago é também autor dos livros Viagem ao México (de 1995)e Keith Jarrett no blue note (em 96). Além de As Raízes e o Labirinto da América Latina, publicado este ano, Silviano Santiago participa com um conto da antologia Quartas Histórias, em homenagem a Guimarães Rosa, coordenada pelo escritor cearense Rinaldo de Fernandes.
A coletânea reúne escritores de várias gerações que se inspiraram em contos de Rosa, entre eles, Tércia Montenegro, Pedro Salgueiro, Nilto Maciel e Marcelino Freire. Sobre sua participação, Santiago escreveu, em adendo à entrevista feita por e-mail: "Meu conto se chama Ceição Ceiçim. Trata-se dos primeiros anos de vida dum bastardinho que é depositado pela mãe à porta da casa dum rico fazendeiro, solteiro, que o adota. O menino é engraçado porque não titubeia diante de qualquer pergunta que se lhe faz. Responde: 'Sei não', ou 'Sei sim'. Daí o apelido que ganha em casa e dá título ao conto. Mas o verdadeiro nome dele é Ignacio, Guinacinho, porque foi acolhido no dia de santo Ignacio de Loiola. E por aí vai o bastardinho, entre o pai adotivo e solteiro, a mãe, a ama de leite e o cachorro da família". (Eleuda de Carvalho)
OP - Você escreve, em As Raízes e o Labirinto da América Latina, que o livro de Sérgio Buarque de Holanda seria o "complemento épico cosmopolita" ao nacionalismo moderno de Macunaíma, do Mário de Andrade, e aos poemas de Pau-Brasil, do Oswald. E lembrei de um outro livro, anterior, que é uma epopéia de paradoxos - Os Sertões. Há como estabelecer uma linha relacional com esta outra raiz, que é a obra de Euclides da Cunha?
Salviano - Vamos por partes. A comparação que faço entre a geração dos anos 1920 e Sérgio Buarque visa a mostrar como, depois da publicação em 1936 de Raízes do Brasil, aquela geração, que no fundo é a dele, passa a ser "anterior" a ele. Dentro do próprio grupo de intelectuais modernistas houve um racha. O causador dele é Sérgio Buarque. Esse é o fato mais esclarecedor da posição insólita que o ensaio ocupa no panorama das idéias. Por isso, Raízes do Brasil tem menos a ver com Macunaíma e a Poesia Pau-Brasil e mais com a escrita e o espírito dos grandes romances dos anos 1930, que já se apresentam ao leitor brasileiro como descompromissados da atitude de vanguarda. Refiro-me, é claro, aos romances de Graciliano Ramos e Ciro dos Anjos, escritos em português castiço e técnica romanesca tradicional. Pretendi mostrar como Sérgio, de maneira silenciosa, é um extraordinário crítico dos próprios contemporâneos, daqueles que, no processo de conhecimento da realidade nossa, estavam exagerando na dose nacionalista, como Mário e Oswald. Tanto exageravam, que abriram espaço para o grupo Anta, nitidamente integralista. Já Sérgio abre para si e para seus leitores um espaço original de reflexão sobre o Brasil, espaço cosmopolita, que não se confunde com o "marco zero" do modernismo nos anos 1920. Daí a importância que ele dispensa - e nós o acompanhamos no movimento - ao conhecimento dos "territórios-ponte" da Europa, ou seja, a Espanha e Portugal, territórios desprezados pelos de 1920. Está vendo que o empenho maior dele, desde a primeira frase do ensaio, é o de uma sólida pesquisa na tradição ocidental que contextualiza o Brasil pelo viés da península ibérica. Ele tenta enquadrar a jovem nação no contexto europeu, para que conheçamos a nós por padrões de maior exigência, universais. Menos ufanistas. A lembrança de Os sertões faz sentido, mas faz mais sentido (a meu ver) a inserção de Sérgio Buarque na rabeira de um grande e às vezes negligenciado pensador que é Joaquim Nabuco. Por cima de 1920, Sérgio dá as mãos ao Nabuco amigo de Machado de Assis, e de mãos dadas com os dois, ele encontra no meio do caminho Graciliano Ramos e Ciro dos Anjos. Eis o panorama nacional em 1936, de maneira simplificada.
OP - Em outro capítulo do seu livro, você ressalta a dicotomia construída por SBH para compreender a origem e formação do país - como um binômio de oposição entre a cidade e o campo. Podemos pensar que, 70 anos depois, esta premissa ainda é válida? Se deslocarmos a questão urbano-rural para centro-periferias?
Salviano - Em Sérgio Buarque, mais do que uma oposição entre a cidade e o campo, há uma distinção que é a seguinte: o modo como o espanhol ladrilha a cidade é muito diferente do modo como o português vai semeando as cidades. Racional e geométrico, o espanhol, bem inspirado pelo espírito jesuíta, "ladrilha" a cidade de maneira não-natural, ou seja, a constrói artificialmente, como uma combinação de retas (ruas) e quadrados (praças). Já o português, em particular aquele que fomenta o espírito bandeirante, vai abrindo caminho, alargando fronteiras e deixando para trás como que cidades "semeadas". De acordo com a parábola cristã, que inspira a metáfora de Sérgio Buarque, o bandeirante constrói os povoados ao acaso, naturalmente, seguindo os pendores da própria natureza geográfica. O ladrilhador e o semeador. Essa distinção é importante porque ela merece uma avaliação de Sérgio, avaliação esta que será responsável por uma classificação hierárquica. Na avaliação de Sérgio, a colonização espanhola foi feita pelo "zelo" (ladrilhador) e a do português, pelo "desleixo" (semeador). Portanto, a América Latina foi sendo colonizada pelo zelo e o desleixo, e entre os dois fica claro que Sérgio opta pelo "zelo" como construtor da civilização superior. Gilberto Freire detectou a preferência de Sérgio pela colonização espanhola e jesuítica e a criticou acidamente, pois via nela uma opção ideológica nefasta a uma boa compreensão do Nordeste dos senhores de engenho. Acredito, finalmente, que tanto a interpretação de Sérgio quanto a de Gilberto são insuficientes para se conhecer a relação centro-periferia, a que você se refere. Para compreender os anos 1970, seria aconselhável que o interessado lesse o ensaio de Octavio Paz (e, se for gentil, as páginas que lhe dedico), em especial no tocante ao migrante mexicano que vai trabalhar na Califórnia. No problema que você apresenta está, em miniatura, a questão que Paz estuda na relação entre a América Latina e os Estados Unidos, o neocolonialismo, que é também nosso nos dias de hoje. Esse é o principal interesse de uma leitura "contrastiva", que é a que o meu livro apresenta. O que não está em um, Sérgio, pode estar no outro, Paz.
OP - Queria que você comentasse a figura emblemática do bandeirante em contraponto àquele "desleixo", também tão brasileiro, de que falava Sérgio Buarque. (E agora fico pensando na viagem dos modernistas, em especial o Mário de Andrade, que, ao modo de um bandeirante pelo avesso, rendeu-se à diversidade cultural do povo nordestino, que ele registrou com seu olhar duplo - de professor e de poeta).
Salviano - Como estou salientando, quem tem pouco a ver com a viagem dos modernistas às cidades históricas de Minas Gerais é o próprio Sérgio Buarque. Aquela viagem, como também a viagem que o professor e poeta Mário de Andrade faz ao Nordeste, tem a ver com a busca duma tradição nacional, popular, miscigenada, para embasar o modernismo, que tinha começado "errado", ou seja, por um processo de imitação das vanguardas européias. É difícil querer enquadrar as "raízes" que Sérgio Buarque busca nas "raízes" que Mário e Oswald buscavam. Não é porque os dois movimentos de busca das nossas origens sejam antípodas; pelo contrário, eles são apenas diferentes. Não são antípodas porque, ao final das contas, eles se complementam numa visada do nacional que é menos universal (caso de Mário) e mais universal (caso de Sérgio). Vamos aprendendo que não há uma única maneira de interpretar o Brasil. Nosso país é feito de várias interpretações complementares. A nossa compreensão de Brasil e, por extensão, de América Latina, tem de ser múltipla e democrática, para não recair na nossa tendência ao autoritarismo. Veja você, por exemplo, que Sérgio Buarque, ao contrário de Gilberto Freire, pouco trata no seu ensaio da questão da escravidão. Não se pode enxergar tudo num só livro. Sérgio enxerga coisas que Mário não via, ao mesmo tempo em que é cego diante de coisas que Mário via deslumbradamente. Ótimo que já possamos hoje interpretar as interpretações e termos um conhecimento diferenciado e mais rico do Brasil e da América Latina.
OP - E por falar em poeta... Você ressalta, n´O Labirinto da Solidão de Paz, a opção do poeta mexicano por uma linguagem que incorpora a dicção popular. Em contraponto, temos o brasileiro cordial de Sérgio Buarque - percebido pela
mirada do homem cosmopolita. Na transversal das duas obras, você penetra o labirinto das raízes latino-americanas?
Silviano Santiago - É isso aí. Falamos antes como Sérgio Buarque suplementa Mário de Andrade, que é por sua vez suplementado por Gilberto Freire e Câmara Cascudo. Podemos acrescentar, agora no escopo da América Latina, que Octavio Paz suplementa Sérgio Buarque. Num certo sentido, Octavio Paz está ideologicamente mais próximo de Mário de Andrade do que Sérgio Buarque. Isso porque Paz e Mário começam sempre as suas reflexões sobre a questão cultural (brasileira, num caso, e mexicana, no outro) na qualidade de etnógrafos-amadores. Há, no entanto, uma diferença entre eles. Mário se interessa sempre pela manifestação artística popular (no caso de Minas, a arte barroca; no caso do nordeste, o canto popular), enquanto Octavio Paz, com ouvido de poeta, sempre se interessa pelo modo como o povo expressa o seu estar-no-mundo através de certas e poucas palavras. O etnógrafo amador Octavio Paz está sempre de ouvido aberto para um linguajar que, em última instância, é o de um México que não estava sendo escrito (no sentido de compreendido) pelos grandes ensaístas eruditos do século 19. Seria muito pertinente comparar o Octavio Paz de O labirinto da solidão com o Manuel Bandeira do poema Evocação do Recife. Um e o outro salientam bem o falar "certo" (e não "errado", como reza a tradição letrada) do povo. Veja você que, mais conversamos, mais vamos enriquecendo o nosso repertório. É isso que meu livro pretende despertar no leitor.
OP - Que leitura você faz do novo cenário político latino-americano atual, no caso de uma provável reeleição de Lula? (Digo, tendo em vista aquilo que você chama de "infixidez das classes sociais").
Salviano - "A infixidez das classes sociais" não é uma idéia minha. É do próprio Sérgio Buarque, e é o principal fundamento para que a gente conheça melhor o que ele entende por "homem cordial". Sérgio depreende a idéia da leitura que faz da literatura portuguesa na época dos grandes descobrimentos. Ele deduz a infixidez das classes sociais na sociedade portuguesa através da análise do modo como a burguesia mercantil cosmopolita adota postiçamente o vocabulário da nobreza de paço para poder constituir-se como classe social hegemônica. Na falta de um "novo" vocabulário que pudesse dar conta das suas conquistas e do seu lugar no mundo, a burguesia mercantil cosmopolita portuguesa "imita" a nobreza de paço e passa a assumir como seu o "velho" vocabulário dela. É dessa forma que aparecem pelo mundo que o português coloniza os "barões" postiços, de que fala Sérgio Buarque, agora já se referindo aos donos do poder em território brasileiro. No capítulo sobre a burguesia mercantil, a conclusão nos induz ao melhor conhecimento do homem cordial: "Como nem sempre fosse vedado a netos de mecânicos alçarem-se à situação dos nobres de linhagem e misturarem-se a eles, todos aspiravam à condição de fidalgos". Está lá em Raízes do Brasil. O próprio leitor pode concluir.
OP - Messianismo e cangaço - duas vertentes populares, nordestinas e sertanejas que também estão na base, no assento, na raiz do Brasil - e aqui me refiro especificamente ao Caldeirão (comunidade liderada pelo beato José Lourenço, no Crato, destruída pelo governo Getúlio Vargas exatamente no ano de publicação do Raízes do Brasil), e ao fenômeno Lampião. Temas que permeiam a literatura brasileira, a partir do final do século 19, com o chamado romance cearense (Franklin Távora, com O Cabeleira; O Reino Encantado, do Tristão de Araripe), e depois no romance de 30. Quando e de que modo estes temas vão entrar no cardápio de preocupações dos nossos investigadores sociais?
Silviano Santiago - Como tentei dizer atrás, não há uma única interpretação que explique tudo. Um grande pesquisador, como é o caso de Sérgio Buarque, Gilberto Freire, Florestan Fernandes e tantos outros, não pode ser confundido com o responsável pela edição de uma enciclopédia. Cada um trabalha com as suas próprias preocupações, com as suas próprias obsessões intelectuais, dentro de limites que lhe são impostos de fora para dentro e que cada um impõe de dentro para fora. Não é mais possível hoje que um grande pesquisador e pensador tenha o espírito enciclopédico. Estamos inapelavelmente destituídos das grandes interpretações do mundo, que deram grandeza ao século 19. Somos pós-modernos, com muito orgulho. Passando à sua pergunta, digo que para se compreender os dois fenômenos que você apresenta, o messianismo e o cangaço, temos uma grande especialista, que é Maria Isaura Pereira de Queiroz. Seria indispensável que se fosse conhecendo um outro e diferente Brasil que está mais nos livros dela do que nos ensaios que analisamos. Foi principalmente através dela que os dois temas mencionados, candentes ambos, entraram para o cardápio de preocupações dos nossos investigadores sociais, para retomar as suas palavras.
SAIBA MAIS
Silviano Santiago nasceu em Minas, no mesmo ano da publicação de Raízes do Brasil pelo historiador Sérgio Buarque de Holanda. Hoje é considerado um dos principais críticos literários. É romancista, contista, poeta. Este ano arrebatou o terceiro Prêmio Jabuti com o livro Histórias mal contadas de conto e crônica. É autor de livros como Em Liberdade, que está no rol dos dez melhores romances brasileiros dos últimos 30 anos. Escreveu ainda Stella Manhattan, traduzido para o inglês e francês. No livro, um dos personagens centrais é um militar torturador que se torna travesti. Entre os livros de ensaio, destacam-se Uma literatura nos trópicos, Nas malhas da letra e O cosmopolitismo do pobre. Como professor, ele lecionou em universidades de renome internacional, como as de Yale, Stanford, Texas, Indiana e Toronto. Atualmente, é professor aposentado de Literatura Brasileira da Universidade Federal Fluminense.
LEIA MAIS
As Raízes e o Labirinto da América Latina. Neste livro recém-lançado, Santiago faz uma análise do livro Raízes do Brasil, do Sérgio Buarque de Holanda e do Labirinto da Solidão, de Octávio Paz Editora Rocco, 249 pg. R$ 31
Histórias mal contadas. Livro de Contos e crônicas lançado no ano passado
e que ganhou o Prêmio Jabuti este ano. Editora Rocco, 200 pg. R$ 26
Nas Malhas da Letra. Nele, Santiago faz uma análise da produção literária pós-64 entre outros temas. Editora Rocco. 276 pg. R$ 39
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