
VIVIAN SEIXAS preferi a house-music ao rock na hora de seguir carreira na música/FOTO DIVULGAÇÃO/ CAROL NOVAES
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FESTA
Herança na eletrônica
Os DJs e produtores João Lee e Vivian Seixas, se apresentam, hoje (2), na Louge Beach, na primeira edição do Mega Lounge, evento que pretende trazer à capital cearense, os maiores nomes da música eletrônica do Brasil
Angélica Feitosa
Especial para O POVO
01/09/2006 23:18
João Lee e Vivian Seixas, como os sobrenomes entregam, rebentos dos astros do rock Rita Lee e Raul Seixas, respectivamente, também enveredaram pela música. Mas por um caminho diferente ao dos pais. Em comum, não somente serem filhos de dois astros do rock brasileiro de primeira grandeza, mas também na estreita relação com a música eletrônica, especificamente a house music. Os dois DJs se apresentam hoje (2) em Fortaleza, na primeira edição da Mega Lounge, evento da música eletrônica que promete reunir mensalmente os maiores nomes da música eletrônica do País.
O costume de ouvir música boa desde pequena, influência de seus pais, Raul e Kika Seixas, foi o que pesou quando Vivian, 25, decidiu enveredar pelos caminhos das pistas, há cerca de dois anos. A beleza da moça lhe rendeu a capa da revista Trip, de agosto do ano passado, acompanhada por um ensaio sensual. "Com o dinheiro, investi no meu equipamento", conta. A capa da revista também ajudou na divulgação do trabalho e Vivian hoje tem uma agenda disputada. A caçula do Maluco Beleza nunca pensou em seguir o caminho do rock, a exemplo do pai. O contato com a música sempre foi construída pelos pick-ups e discos.
Na linha das novas tendências, Vivian se apaixonou pela música eletrônica na Austrália em 1998. "É a música da nossa geração", atesta. Quando decidiu seguir na carreira de DJ, ofício que aprendeu com um namorado, o DJ e produtor Lennox, em 2003, ela começou tocando Ambient, um estilo mais leve, menos veloz. Em 2004 optou pelo house (funk e tech house) por ser mais dançante e com maior aceitação nos clubes. "Eu sempre toco o que eu gosto de ouvir", explica.
As músicas eleitas são as da cena underground. Apesar de recente, o trabalho dela rendeu a residência do Clube 00, em 2004, um dos mais conceituados na cena eletrônica carioca. A conquista deu-se, em parte pelo repertório, que abrange um som pesado, com muito groove e uma forte linha de baixo, com BPMs (batidas por minuto) variando entre 125 e 130. No trabalho como produtora, remixou músicas de Raul Seixas com o seu projeto Sonic Lizard, e uma das faixas está no CD e DVD O Baú do Raul.
Já João Lee até que tentou seguir os rumos da família. A exemplo dos pais e dos irmãos, procurou na infância e na adolescência tocar instrumentos, mas não tinha a menor paciência. O menino queria mesmo era saber de futebol. "Foi somente quando comecei a ir pras baladas que me interessei pela cultura dos DJs internacionais. Daí, passei a comprar CDs mixados, singles, estudar sobre o assunto". Os pais, Rita Lee e Roberto Carvalho, foram os principais incentivadores de seu trabalho, tanto que João se tornou DJ quando ganhou um presente deles no 18º aniversário, um pick-up.
A escolha da house music, entre as diversas vertentes da música eletrônica, simplesmente aconteceu. Era a que João mais ouvia e a que considerava mais repleta de musicalidade. "Eu não gosto de barulho, gosto de música. Os estilos que trabalham apenas com barulho não me satisfazem. Além disso, house é a música que me faz dançar", explica.
No Brasil, o gosto pela música eletrônica é recente. Foi a partir do final da década de 80, de acordo com João, que os brasileiros começaram a escutar e entender o estilo. "Mas as possibilidades estão aumentando. O público, embora queira escutar o que já conhece, o que houve nas rádios, está gostando de conhecer novas músicas e é esse o trabalho do DJ. Pesquisar o que há de melhor pelo mundo a fora, trazer discos novos". Para isso, Lee realiza, além de constante pesquisas na internet, viagens principalmente pela Europa, onde procura escutar as novas tendências e, em seu trabalho como produtor, os melhores DJ do mundo para tocar aqui. Infelizmente, o trabalho do DJ ainda é muito voltado para as regiões sul e sudeste do país, mas o intuito é que as fronteiras sejam diminuídas e que a música chegue cada vez a mais estados.
Para os leigos, João explica o seu som. "O elemento comum de quase toda a house music é uma batida 4/4 gerada numa bateria eletrônica, com espaços constantes e não quebrados. Isso se completa com uma sólida linha de baixo e, em muitos casos, acréscimos de amostras ou pequenas porções de voz ou de instrumentos de outras músicas, os samples. Esse é o elemento comum. Mas na verdade, o house não é um só. Existem muitas sub-vertentes do house, como, funky-house, tech-house, disco-house, progressive-house, entre outros".
João Lee já conhece um pouco do gosto dos fortalezenses em relação à música eletrônica e, por isso, acredita que a apresentação de hoje será muito mais direcionada à preferência local. Esta é a segunda vez que o DJ se apresenta em por aqui. "Fortaleza gosta de um som um pouco electro, vocal, e gosta de dançar, não pode ficar suave, não, tem que colocar pra dançar". Alguém duvida que ele consiga?
SERVIÇO
Mega Lounge - Evento de música eletrônia com apresentação dos DJs Vivian Seixas e João Lee. Participações: banda Tropa de Choque, DJ Caca Maloy e DJ Pablo RTS. Hoje (2), a partir das 21h, na Lounge Beach (av. Zexé Diogo, 5011 - Praia do Futuro). Ingressos: Pista - R$ 20,00 (1º lote) e R$ 30,00 (2º lote); Camarote (Open Bar)- R$ 40,00 (mulher - 1º lote), R$ 60,00 (homem - 1º lote), R$ 60,00 (mulher - 2º lote) e R$ 80,00 (homem - 2º lote). Vendas Lojas Bunny's, Shopping Aldeota e Iguatemi e na Lounge Beach. Informações: 3262.6760.
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