
A BANDA 2fuzz é um exemplo de grupo que sabe se produzir e atingir seu público (Foto: Alex Costa)
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ARTIGO
Mãos à obra
O músico e webdesigner George Frizzo joga a discussão de que o papel do artista independente não é só intelectual. Ele tem que botar a mão na massa para se promover e fazer seu trabalho circular
George Frizzo
Especial para O POVO
26/08/2006 17:26
Este ano o rock independente feito em Fortaleza iniciou uma fase bastante positiva em se tratando de apresentação midiática e exposição à grande massa juvenil, seu atual ou futuro público consumidor. Foi o ano que mais se viu bandas novas de rock estampando os cadernos de cultura nos jornais locais, dando entrevistas a programas de TV local e tocando ao vivo em um circuito restrito, mas existente, de casas noturnas pela cidade.
Vimos fazer e acontecer dois festivais de médio porte amplamente amparados por importantes meios de comunicação como jornais e televisão. No veterano ForCaos, em sua nona edição e este ano aberto, se apresentaram 31 bandas, sendo que 20 locais, e pelo menos duas de reconhecimento nacional. E, o caçula Ponto.CE, que em sua primeira edição colocou atrações de nome nacional como Dead Fish e Ludov ao lado de bandas locais. Algumas sem sequer terem lançado o primeiro CD ainda, ou terem público formado.
Também ganhamos uma quinta edição da Feira da Música. O evento, aberto ao público, reuniu uma boa quantidade de músicos, produtores, comerciantes e curiosos interessados em toda a movimentação que a música como objeto artístico e comercial faz. Além de ter proporcionado excelentes discussões e posto produtores e personalidades nacionais, de extrema importância para a produção da música independente nacional, e porque não dizer mundial, em contato com artistas locais.
Sem falar que esse ano, ainda teremos a sexta edição do Ceará Music, nosso 'festival de verão', que dá mais ênfase a artistas e bandas de pop-rock de grande exposição na mídia sendo uma excelente ferramenta para mostrar o rock e a cultura de "assistir" bandas tocando como uma saudável alternativa a grande massa que procura por divertimento frívolo. Afinal, todos podem ter seu lugar ao sol.
Como se pode ver, a problemática da falta de espaço tem se mostrada infundada. Este argumento muito utilizado pelos queixosos de plantão se vai perante as possibilidades que os artistas independentes possuem. Minha intenção também é deixar o leitor mais a par do que tem acontecido. Oportunidades que poderiam ser aproveitadas de melhor forma por nossos artistas independentes na divulgação e propagação de seus discos ou shows.
Afinal a música, além de ser uma expressão artística, também deve ser vista como um produto. É importante que ela seja tratada tal qual, românticos de plantão que atirem a primeira pedra, caso contrário, não será consumido de modo devido, por mais qualidade que tenha. Ou seja, sua música será ouvida por poucos, ou por ninguém. E esta é uma parte muito importante do ciclo produtivo do artista independente.
Então vejamos. O artista, ou a banda se apresenta para um público de duas mil pessoas, até mais, como foi contabilizado nos festivais Ponto.CE e ForCaos. Faz um bom show, conquista ali alguns fãs certos. É muito natural que após o show alguém se interesse em comprar material, CD ou camisa da banda. Ai temos um recurso para, pelo menos, conquistar mais um fã.
Outro ponto, situação diferente. Recentemente, na Feira da Música desse ano, pudemos conferir importantes produtores de shows e diretores de selos e distribuidoras de disco circulando pelos estandes do Sebrae (local onde se realizava a Feira). Podíamos contar nos dedos os artistas locais que entregaram material para importantes contatos. Qualquer banda com um CD-R e um release bem digitado podia facilmente ser um forte candidato a um importante festival independente em Recife ou Belém.
Porém, os mais "antenados" devem afirmar, de forma errada, a premissa de que o formato CD está morto e o que esta em voga é o Mp3. Ledo engano. É bem verdade que o disco mudou de papel na indústria musical de hoje. O CD como recurso de retorno financeiro esta realmente falido. É fato de que não se ganha mais dinheiro vendendo discos, é só vermos o sucateamento das grande gravadoras multinacionais. Alguns culpam a pirataria, outros a Internet. Enfim.
A bolachinha prateada continua sendo essencial. E por mais que um artista tenha um bom website com músicas disponíveis em Mp3 gratuitamente, o CD continua sendo um importante artifício promocional para o artista. Que, sendo usado como cartão de visitas atrelado a um verdadeiro trabalho de promoção, permitem que o artista abra portas valiosas e faça bons contatos. E isso tudo por conta própria, sem depender de uma corporação que o trate como um número em um catálogo de lançamentos.
Alguns artistas provavelmente irão argumentar que o papel do músico se resume apenas ao trabalho intelectual, a criação e composição das músicas. E que promoção e divulgação cabe a um produtor executivo e diretor de marketing. Não é errado pensar assim, porém em tempos de independência o artista é além de criador também o condutor da criatura, muitas vezes, deixar de ser só o músico para ser o produtor e o empresário de seu próprio negÓcio; a sua música. E mãos a obra!
George Frizzo, formado em Sociologia, é designer gráfico e músico das bandas Fossil e Siege of Hate
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