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Beber e dirigir: questão de razão?

Fernando Calmon


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12/07/2008 00:49

(Foto: Banco de dados)
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(Foto: Banco de dados)

A grande polêmica causada pela nova lei de tolerância zero para quem bebe e dirige parece longe de um consenso e ainda vai dar motivo para muita discussão. De um lado estão entidades médicas e de segurança ligadas ao trânsito (Abramet, Cesvi) que se colocaram francamente a favor, respaldadas por estatísticas. Do outro, motoristas que consideram o ato de "beber socialmente" um hábito cultural e, dentro de limites, acham possível dirigir sem problemas.

Referências quanto às taxas de concentração de álcool no sangue (CAS) são impostas por todos os países. Os efeitos deletérios do álcool atuam de forma diferente em relação a raça, sexo, massa corporal e idade. Mulheres, por exemplo, têm menor quantidade de água no organismo e, assim, mais suscetíveis. Uma lata de cerveja ingerida por um homem de 100 kg indica CAS de 0,15 g/litro; se pesasse 70 kg, o teste de alcoolemia acusaria 0,25 g/l. Jovens e idosos também são mais sensíveis. Baseados nessas informações e nos índices de acidentes de trânsito, os limites mudam entre os países.

O Brasil praticava um valor de referência de 0,6 g/l e, antes mesmo da nova lei, já previa punições extremamente severas. Pesquisa da entidade internacional ICAP, abrangendo 80 países, aponta concentrações de 0,5 g/l a 0,8 g/l como os índices mais utilizados. No entanto, 26 países são bem mais rígidos: de 0 a 0,3 g/l, entre eles Japão, Suécia, Noruega e Rússia. Na realidade, algo na faixa de 0,3 g/l contempla margens de erros do etilômetro (bafômetro) e, na prática, correspondem a zero. Aqui, essa margem está estabelecida, provisoriamente, em 0,2 g/l e, na opinião da coluna, precisa ser mantida a fim de evitar discussões estéreis.

Sabe-se também que o tempo é a única forma de neutralizar os efeitos do álcool no organismo. Estudos apontam o ritmo de 0,15 g/l/hora. Um copo de chope, uma taça de vinho, meia dose de uísque (ou outro destilado) leva a CAS a 0,2 ou 0,3 g/l. Portanto, no máximo em duas horas, em média, estaria totalmente eliminada e ninguém precisaria se privar disso num jantar ou encontro social. Mesmo dobrando a dose e respeitando o intervalo de duas horas, provavelmente ficaria dentro da margem de erro do aparelho.

A grande mazela é que, em geral, a pessoa acha que o limite de parar ela mesmo sabe. E tomar a temível "saideira", trata-se apenas de um pecadilho. Se a fiscalização do antigo limite fosse eficaz, motoristas que se imaginavam ainda sóbrios para dirigir teriam uma surpresa desagradável com a pesadíssima multa. Quantos vão a um bar para degustar somente duas tulipas?

O Instituto Nacional sobre Abuso do Álcool, dos EUA, onde estatísticas são levados a sério, é citado pelo presidente do Cesvi, José Ramalho: "Sua pesquisa apontou que homens e mulheres, de 21 a 34 anos, com alcoolemia variando de 0,2 a 0,49g/l têm três vezes mais chance de morrer em acidente do que quem não bebeu; entre 0,5 e 0,79g/l, a probabilidade é multiplicada por sete; de 0,8 a 0,99g/l, sobe para 13 vezes mais."

Argumentos estão postos e a melhor fonte é a razão, como se costuma dizer. Fácil descobrir com quem está a razão.

PRIMEIRO semestre fechou com todos os recordes de produção, vendas e exportações (em valores) superados. Balanço da Anfavea indica que o ritmo de expansão cairá no segundo semestre - até desejável, pela conjuntura da inflação, segundo economistas. Base comparativa com mesmo período de 2007 é muito forte e terminar 2008 com 20% a mais de vendas, resultado excepcional.

MESMO ainda distante de um verdadeiro utilitário esporte pelo formato da carroceria, a station Palio Adventure Locker impressiona pela altura livre do solo e adereços nos pára-lamas e pára-choques que chamam atenção por onde passa. Em curvas pode assustar um pouco, sem comprometer a segurança. Vantagem inquestionável: enfrenta sem medo maioria dos quebra-molas.

PARA desmistificar propalada economia de combustível dos motores de 1 litro de cilindrada, eis os dados do novo Gol, norma NBR 7024, no ciclo de medição em estrada: 18,6 km/l (gasolina). O mesmo carro, com motor de 1,6 litro, 101 cv (potência 40% superior) alcança 18,5 km/l. Na cidade, claro, motor menor vai melhor, mas diferença é de apenas 6,5%.

CHRYSLER decidiu seguir a lei - aplausos - e atrasou lançamento do Jeep Grand Cherokee com motor diesel. Ele possui caixa redutora (ao contrário do Mercedes ML 320 CDI), mas foi difícil desenvolver suporte para guincho. Em um ou dois meses chegará ao mercado, totalmente legal.

fernando@calmon.jor.br


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