RETROVISOR
O esportivo VW SP-2
Arnóbio Tomaz

26/07/2006 04:08


No Brasil sempre foi pequena a oferta de automóveis esportivos. Na década de sessenta nós tínhamos neste segmento, apenas o Karmann-Ghia da Volkswagen e o Interlagos da Willys Overland do Brasil.

No início da década de setenta foi criado em São Bernardo do Campo (SP), o primeiro carro totalmente projetado e desenvolvido no Brasil, o SP. Esta sigla “SP” foi criada exatamente para homenagear a cidade de São Paulo. O esportivo foi desenhado por Senor Schiemann e apresentado pela primeira vez (ainda como protótipo), em março de 1971, na Feira da Indústria Alemã. A primeira versão fabricada foi o SP-1, cuja produção durou pouco, devido sua pouca potência (65 cv). Em meados de 1972 foi lançado o SP-2, simbolizando sua segunda versão; sendo mais potente (75 cv) e veloz do que o seu antecessor. O carro contava com detalhes estéticos exclusivos e um conjunto mecânico bem afinado. Suas formas arredondadas encantaram todo o mundo e se tornaram clássicas. O sucesso do seu lançamento repercutiu em toda a Europa e EUA.

O chassí do SP-2 era basicamente o mesmo da Variant, assim como a suspensão, que apenas passou por ajustes, para se adequar às velocidades mais altas. O bloco boxer (utilizado por seus “irmãos” refrigerados a ar da Volkswagen), teve sua capacidade cúbica aumentada para 1.700 cm3. O motor contava ainda com carburadores duplos Solex e maior compressão (7,5:1), despejando 75 cavalos de potência no solo a 5.000 rpm. Os números de desempenho foram satisfatórios para a época - com 160 km/h de velocidade final - visto que a carroceria era feita com chapas de aço e não de fibra como o seu rival Puma.

A frente do SP-2, com quatro faróis, acompanhava o padrão da perua Variant. O pára-choque de borracha com piscas integrados, contornava a carroceria em conjunto com os frisos laterais e os filetes vermelhos refletivos. Brilhando no pára-brisa, os limpadores de hastes pantográficas (que mantém a posição ideal das palhetas) também compunham o estilo jovial. Na parte traseira, chamavam a atenção a cobertura cromada do escapamento, as lanternas estreitas e a luz de ré colocada abaixo do pára-choque. Os pneus radiais 185/70 eram montados em rodas de aro 14 completando o visual esportivo. O interior requintado foi um dos seus diferenciais. Bancos confortáveis revestidos em couro, câmbio de quatro marchas e um painel que merece elogios, equipado com conta-giros, velocímetro, indicador de temperatura do óleo e motor, marcador de combustível e amperímetro, deixando o motorista com total controle do carro. O volante de pequeno diâmetro (coqueluche dos anos 70), também vinha de série, aumentando o prazer de dirigir.

O porta-malas na frente do carro, continha o estepe e ainda deixava um bom espaço para bagagens, que ainda podiam ser armazenadas no espaço atrás dos bancos. Após quatro anos de boas vendas, o SP-2 saiu de cena em fevereiro de 1976, com 10.205 unidades produzidas do modelo, das quais 681 foram exportadas para a Europa.

Externamente, o SP-2 chamava a atenção por onde passava, sendo considerado pela revista alemã Hobby, “O VW mais bonito do mundo”. O estilo chamou tanta atenção na época que um exemplar está preservado no museu da fábrica, em Wolfsburg, Alemanha. Hoje o SP-2 é considerado um clássico, tendo poucas unidades circulando em nosso País. Em Fortaleza podemos encontrar apenas quatro exemplares, o que demonstra sua raridade.


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