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Viagem & Lazer

PARANÁ

A bordo de um trem de luxo

Julia Contier
da Agência Estado

O Great Brazil Express percorre cerca de 500 km entre Ponta Grossa e Cascavel, no Paraná. Não há, porém, cabines para pernoite nem vagão-restaurante


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03/07/2008 00:47

(Foto: DIVULGAÇÃO)
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(Foto: DIVULGAÇÃO)

O champanhe começa a ser servido às 9 horas aos turistas instalados em vistosas poltronas de couro estofadas com penas de ganso. Volta e meia, os comissários de bordo oferecem comidinhas para enganar a fome. Pela janela - emoldurada com cortinas de seda -, corre a paisagem do interior do Paraná. A rotina será mais ou menos essa nos próximos 500 quilômetros da viagem entre Ponta Grossa e Cascavel a bordo do Great Brazil Express, primeiro trem turístico de luxo do País - outras tentativas sobre trilhos, como o Trem de Prata, não eram exclusivamente para turistas.

A viagem inaugural, em 22 de maio, foi restrita a empresários e jornalistas de sete países, incluindo o Brasil. O roteiro passou a ser regular em junho e o alvo são os visitantes estrangeiros - mas pode-se dizer que os brasileiros também vão se surpreender.

O trem, porém, é apenas uma parte do roteiro, de oito ou dez dias, que começa no Rio, termina em Foz do Iguaçu e inclui trechos de avião (do Rio a Curitiba) e de ônibus (de Curitiba para Ponta Grossa e, de lá, para um minicircuito entre Tibagi e Castro). No fim dos trilhos, em Cascavel, os viajantes voltam para o ônibus e vão até Foz do Iguaçu. Parece cansativo - e é -, mas pode ser bem divertido.

Cerca de R$ 2 milhões foram investidos para restaurar os dois vagões de passageiros, com 22 lugares cada, com decoração inspirada na fauna e na flora brasileiras. Além das poltronas de couro, há sofás adquiridos em antiquários. No teto da litorina Foz foram pintados coqueiros e nas paredes há reproduções de gravuras de Debret. No vagão Copacabana, há mais sobriedade: a estampa é em preto e branco, inspirada no calçadão mais famoso do Rio, e os quadros trazem reproduções do artista Rugendas. Quem estiver longe da janela não perde a paisagem, transmitida em monitores de LCD.

As estações, no entanto, são improvisadas. Também não há vagão-restaurante - as refeições são feitas nas paradas - nem cabines para pernoite. Os turistas têm de dormir em Guarapuava, no meio do caminho. Para uma eventual fome durante a tarde, há um cardápio em inglês e português com quiches, croissants, docinhos e frutas. Cada vagão tem ainda um bar bem abastecido. Os comissários de bordo são poliglotas e se especializaram no jeito brasileiro de servir, ou seja, a simpatia dá o tom. Eles procuram fazer amizade com os passageiros e ambientam os vagões com trilha sonora brasileira.

Além dos 248 quilômetros (trecho de Guarapuava a Cascavel) de linha construídos para esse projeto, a empresa pretende ligar Cascavel a Foz do Iguaçu. No futuro, a proposta é levar os trilhos até o Paraguai.


SERVIÇO
BWT Operadora (operadora oficial no Brasil) - Info.: www.bwtoperadora.com.br; www.greatbrazilexpress.com e (41) 3323-4007. O pacote de dez dias entre o Rio e Foz custa R$ 8.181,25 entre julho e agosto para acomodação dupla.


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