Erivaldo Carvalho
Enviado a Barbalha
Vinte anos depois de ser vice do atual prefeito de Barbalha, Rommel Feijó (PTB), o ex-aliado José Leite (PT) é a principal ameaça à sua reeleição
27/08/2008 00:18

O ano era 1988. Numa vitória previsível, o jovem médico Rommel Feijó, então filiado ao PMDB, chega com facilidade à Prefeitura de Barbalha. Como vice, foi eleito o também recém-formado José Leite, que cursou Economia. Vinte anos depois, os dois estão frente a frente, protagonizando uma das mais acirradas disputas da região do Cariri.
Famosa pela pujança cultural - a festa do Pau da Bandeira, por exemplo -, Barbalha também faz história na disputa pelo comando político da cidade. Ex-membro do PSDB e hoje filiado ao PTB, Rommel voltou à Prefeitura, em 2004, e é candidato à reeleição. O ex-aliado, há dois anos filiado ao PT, é a ameaça mais real e imediata.
Muito diferente de outras localidades cearenses, em que tendências e arcos de alianças misturam-se nos vários palanques, Barbalha preserva bem a clássica divisão entre projetos, visão de cidade e estratégias de poder. Nesse conflito direto, estão de um lado a coligação "Barbalha Quer Mais", liderada por PTB e PSDB, e, do outro, a frente "Por uma Barbalha Diferente", de partidos como PT e PCdoB.
Acusações mútuas
Entre os dois principais adversários, até as acusações mútuas são originais. Rommel diz que José Leite não é da cidade, pelo fato de o petista ter servido por 15 anos ao Banco do Brasil, em Fortaleza. Já o prefeito mora em sua cidade natal, a vizinha Juazeiro do Norte. A rigor, José Leite nasceu no município de Aurora.
Para o petista, um candidato a prefeito já ter assinado uma ficha do PSDB é praticamente uma acusação: "Ele (Rommel) sempre foi do PSDB de Tasso", afirma. "O Rommel sempre trabalhou contra o Lula", completa ele, instantes antes de posar para a foto, em frente a um banner com os seus principais cabos eleitorais: Lula e o governador do Estado, Cid Gomes.
A empolgação do candidato do PT vai aumentando à medida em que vai falando o nome do presidente da República, que, para Leite, é quase sinônimo de urna cheia de votos. Entre outras referências, ele cita o fato de Barbalha já ter dado um dos maiores índices de votação para o atual presidente, em 1998, e nas eleições estaduais de 2006, com Cid Gomes (PSB). "Os candidatos dele (Rommel) aqui foram o Lúcio (Alcântara) e o (Geraldo) Alckmin", arremata.
Em todo o Brasil, PT e aliados estão "colando" a figura de seus candidatos a imagens de líderes políticos maiores, com o objetivo de tentar se capitalizar eleitoralmente. Do alto de quem já derrotou o PT, nas eleições municipais passadas, o candidato à reeleição desdenha do método. "A campanha do PT é igual em todo canto", diz Rommel. "É sempre o esquema de achar que vão ser eleito por causa do encosto, mas esquecem do Município", afirma.
Para o atual prefeito, o que faz a diferença em uma campanha eleitoral não é quem está na foto, ao lado do candidato, e sim a percepção que a população tem da administração. "Em Barbalha, eles (oposição) estão misturando arroz com fumo". Para o prefeito, os cabos eleitorais dele são ele mesmo, o candidato a vice-prefeito, Ericson Sampaio (PSDB), e os que estão concorrendo à Câmara Municipal. E o Tasso, vai subir no palanque? "Ele é atual, se recicla e comparece", elogia o candidato à reeleição, informando que o senador deverá estar em um comício na cidade, na próxima quarta-feira.
E-Mais
Correndo bem por fora na disputa está o candidato do PSol, Francisco de Assis. Praticamente sem infra-estrutura para a campanha, ele não foi localizado pelo O POVO em Barbalha.
Na cidade, também não há sinal de militância do partido. O concorrente só foi visto na página da Justiça Eleitoral. Na urna, seu nome estará registrado como Tiquinho.
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