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Como são feitas as pesquisas eleitorais

Por que pesquisas têm resultados diferentes? Quais as diferenças entre institutos? O POVO esclarece os mistérios e dúvidas

Gabriel Bomfim
Especial para O POVO

09 Ago 2008 - 13h34min

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Algumas perguntas surgem na cabeça do eleitor quando chega o período eleitoral. Além da preocupação com os candidatos e suas propostas, uma dúvida comum é: por que nunca fui entrevistado para uma pesquisa eleitoral? Uma questão que acaba levando a outra: por que acreditar nas pesquisas? A resposta não é tão fácil de entender, mas ela existe. O que está por trás desses números tão falados durante o período de eleições é a estatística, a ciência das probabilidades.

"Há uma teoria muito forte por trás. Isso não é balela. É (uma teoria) cientificamente argumentada", enfatiza André Jalles, estatístico e professor do Departamento de Estatística e Matemática Aplicada da Universidade Federal do Ceará (UFC). Ele explicou, que, além de uma metodologia bem formulada, há fiscalização por parte da Justiça Eleitoral, que exige o registro das pesquisas nos cartórios eleitorais. Os institutos têm de informar, entre outras coisas, o valor do serviço, quem o contratou, o nome do estatístico responsável e o questionário aplicado. Todas essas são informações públicas, às quais qualquer eleitor pode ter acesso.

Mas é possível que acabe mais uma eleição e você continue sem ser entrevistado. Considerando as cerca de 1,5 milhão de pessoas aptas a votar em Fortaleza, apenas um em cada 1.835 eleitores é ouvido em uma pesquisa como a O POVO/Datafolha, que ouviu 817 pessoas - maior amostra entre as pesquisas realizadas em Fortaleza até agora. O melhor mecanismo de fiscalização das pesquisas, no fim das contas, é o resultado das urnas. "O que os institutos mais vendem é credibilidade. Se eles perderem isso, vão vender o que? Quem é que vai comprar uma pesquisa de um instituto que não é confiável?", disse Jalles.

Metodologias
O estatístico informou que a base para as pesquisas de todos os institutos é a mesma: eles calculam o número de entrevistas que devem ser feitas a partir da complexidade do local a ser pesquisado e, ao contrário do que se pode pensar, não do universo representado, no caso, de eleitores na cidade. André Jalles citou o exemplo de Fortaleza e Sobral, que, mesmo tendo uma grande disparidade no total de eleitores, têm pouca diferença no número de pessoas ouvidas para pesquisas com a mesma margem de erro.

Cada empresa, contudo, apresenta algumas peculiaridades. O Datafolha, parceiro exclusivo do O POVO em Fortaleza nestas eleições, tem duas marcas que o destacam. Uma característica única do instituto é a posição de não trabalhar com candidatos ou partidos políticos, para evitar comprometimentos comerciais ou que seja levantada suspeição para favorecer clientes. O Datafolha também utiliza o método de pesquisa por "pontos de fluxo populacional", pelo qual as pessoas são entrevistas nas ruas, em locais estrategicamente escolhidos, sendo ouvidas as pessoas que por ali passam. De acordo com o instituto, a maior vantagem dessa abordagem é a rapidez na coleta de dados.

Já o Ibope trabalha com a pesquisa domiciliar - ou seja, feita na casa das pessoas entrevistadas. Segundo o diretor de atendimento e planejamento em Fortaleza, Maurício Garcia, com esse método, o instituto "perde um pouco de tempo" e tem um custo maior, mas abrange uma gama maior de pessoas. "É um complicador, mas a gente acha que está sendo mais fiel". Garcia também mencionou como diferencial as cotas utilizadas pelo Ibope.

André Jalles pondera que não é possível declarar uma metodologia melhor que outra sem cair no "achismo". E comentou o caso de Fortaleza, onde há três grandes institutos trabalhando nas eleições: Datafolha, Ibope e Vox Populi. "Todos eles estão certos. Se você pegar as margens de erro, todos eles, de alguma forma se cruzam, por candidato". E o estatístico conclui: "Se existisse uma maneira melhor, todos fariam do mesmo jeito. Se eu tiver, cientificamente mostrado, que há um melhor caminho, todos eles iam respeitar isso".


AS ÚLTIMAS PESQUISAS DIVULGADAS EM FORTALEZA

Entenda os termos
Amostra e universo: a amostra é o número de pessoas entrevistas para a pesquisa, que deve ser o mais representativa possível da complexidade social. O universo é o todo que se pretende recriar a partir da amostra, no caso, o total de eleitores.

Nível de confiança: representa o grau de certeza da pesquisa. Uma confiança de 95%, o número padrão, significa que a cada 100 pesquisas, 95 estarão dentro da margem de erro estabelecida.

Margem de erro: com uma margem de erro de três pontos percentuais, um candidato que tenha alcançado 50% em uma pesquisa está, na verdade, em uma faixa que vai de 47% a 53%. Ela depende da amostra e do nível de confiança. Quanto mais pessoas entrevistas, menor a margem de erro. Quanto maior o nível de confiança esperado, também maior é a margem de erro.

Empate técnico: acontece quando dois candidatos não ultrapassam os índices máximo e mínimo abrangidos tanto pela sua margem de erro, quanto a de seus concorrentes.

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