Gabriel Bomfim
Especial para O POVO
04/07/2008 01:02

O local que o candidato escolheu para a entrevista não está listado entre os pontos turísticos de Fortaleza. O Sindicato dos Comerciários, na rua Tristão Gonçalves, foi o local que José Carlos Vasconcelos, o Carlinhos, presidente do diretório estadual do PCB, escolheu para falar de sua candidatura a prefeito, a última a aparecer na disputa deste ano. No Centro da cidade, num prédio ornamentado por várias fotos da Revolução Cubana e cartazes de manifestações, o candidato diz se sentir mais próximo da base de sua militância, os trabalhadores.
Carlos Vasconcelos, que é professor do município, até semana passada ainda ocupava o cargo comissionado de chefe do Departamento de Alimentação Escolar da Prefeitura. Desligou-se apenas nesta semana, para se lançar candidato a prefeito - o prazo para desincompatibilização, no caso, é de três meses antes da eleição. A decisão pela candidatura própria significou uma mudança de rumos radical. Até semana passada, o PCB nem cogitava entrar na disputa - estava dividido entre apoiar a reeleição de Luizianne Lins (PT), que era sua chefe há poucos dias e cuja gestão a legenda apóia, ou fechar aliança com PSol e PSTU, com quem o PCB se coligou nas eleições de 2006. As duas possibilidades, segundo Carlinhos, foram discutidas até com a direção nacional. Mas o comando municipal afirma que optou pelo caminho que poderá trazer maior visibilidade para o PCB.
Carlinhos, paradoxalmente, afirma que sua candidatura não foi um racha nem com Luizianne, nem com Renato Roseno (PSol), ambos por ele reconhecidos como "de esquerda". A candidatura própria é, para ele, a oportunidade de divulgar as propostas e "mostrar a cara" do PCB. Mas não representa nem mesmo a saída do partido da base de apoio à gestão de Luizianne - o secretário do Planejamento, José Meneleu, por exemplo, é filiado à legenda. Insistindo no respeito que tem pela prefeita, Carlinhos diz que não é um cargo que vai mostrar à população a ideologia da sigla.
O PCB pretende também, com sua candidatura, alcançar o que ele aponta como prioridade neste pleito: a eleição de pelo menos um vereador. Possibilidade que o candidato mesmo admite que seria improvável sem uma candidatura própria.
Mesmo reconhecendo estar ainda em "fase de preparação" do plano de governo, Carlinhos afirmou que sua campanha "não tem dinheiro, mas tem aquilo que eles (os outros candidatos) não têm: propostas". Saúde, educação, meio ambiente e apoio aos presidentes da Venezuela (Hugo Chávez) e da Bolívia (Evo Morales) dividiram a atenção do candidato. Carlinhos disse que pretende construir uma "Fortaleza nova", priorizando a maioria da população e não a "burguesia". Mas disse também não esperar, caso venha a ser prefeito, colocar em prática todos os ideais do partido: socialismo é "um outro passo", reconhece.