Erivaldo Carvalho
da Redação
Ex-petista e ex-ongueiro, o candidato do PSol à Prefeitura de Fortaleza, Renato Roseno, tem a marca da militância pelos direitos humanos
04/07/2008 01:02

Ninguém realiza grandes coisas na vida se não for capaz de sonhar grande. Esse é o mote para se entender a cabeça do advogado Renato Roseno, 37 anos, candidato a prefeito de Fortaleza pelo PSol. Latino-americano, sem dinheiro no banco para gastar na campanha e vindo de São Paulo, ele percebeu que, mesmo assim, poderia entrar na disputa. A decisão não foi fácil. E foi justamente essa contagiante magia da política - recheada de duvidas e impasses - que o fez adiar o doutorado e abraçar a causa. As economias com que pagaria parte das despesas dos estudos, ele vai gastar na campanha.
O dinheiro é o de menos. Sem estrutura nem forças políticas tradicionais ao seu lado, Renato é candidato por uma questão quase filosófica, entendida como a Política com "P" maiúsculo. Mais do que ganhar a guerra, Renato quer retornar ao campo de batalha, ao qual foi apresentado em 2006, quando disputou o Governo do Estado. Dois anos depois, ele está de volta, para novamente tentar seduzir consciências, individuais e coletivas.
Sua origem é um pouco da história de migrantes nordestinos que um dia foram tentar a vida em São Paulo. É filho de cearenses do Interior - o pai, Oliveira, é de Amontada, e a mãe, Valda, de Acaraú. A família fez o caminho de volta em 1981, 10 anos depois de Renato Roseno de Oliveira vir ao mundo. É morador do Centro de Fortaleza desde 2002. Tem dois irmãos, Marcelo e Tatiane, e namora fixo. É ex de Luizianne Lins, assunto que prefere não comentar.
Típico exemplar classe média urbana que em pouco lembra o estereótipo de militante de esquerda, o candidato era, até pouco tempo, mais conhecido como ongueiro. Formado em Direito pela Universidade Federal do Ceará (UFC), em 1994, ele foi sócio-fundador, no mesmo ano, no Estado, do Centro de Defesa da Criança e do Adolescente (Cedeca). Lá ficou como dirigente por seis anos. Em 2000, passou a consultor da entidade. Em 2006, pediu demissão para concorrer a governador. Renato também tem passagem por associações, entidades e institutos do tipo, nacionais e internacionais.
O POVO conversou com conhecidos de Renato, para colher mais algumas impressões pessoais. Foram muitos elogios. "Não é todo mundo que dá a cara a tapa e tem essa ideologia para lutar pelo social", elogia uma admiradora, do PSol. Sem objetividade na hora de dar entrevistas - característica admitida pelo próprio -, o candidato tem essa mesma imagem entre os seus. "A experiência que eu tenho como militante do partido é que ele é uma pessoa muito expansiva, mas isso não atrapalha", diz um membro.
No meio partidário, o candidato do PSol à Prefeitura também é visto como uma pessoa que respeita o contraditório, que sabe abordar os companheiros e que mantém o respeito político e os pés no chão. "Ele sabe como lidar com o ser humano", diz um. "Ele é muito realista. Ele sabe que o socialismo não pode ser aplicado do dia para a noite. Ele tem plena consciência disso", afirma outro.
Roseno foi filiado ao PT (1989-2005), partido que nasceu socialista, chegou a negar o Capitalismo e que hoje se orgulha de administrar o status quo. Foram longos 16 anos, de pequenas e grandes vivências. Pequenas e grandes alegrias. Pequenas e grandes angústias. Política também são desencontros e rupturas. Um desses, em 2005, aconteceu na forma de um vento que soprou sobre o PT e que levou poucos dos últimos rebeldes com causa do partido. Naquele ano, no inchaço das pequenas feridas ideológicas, que foram aos poucos mostrando-se incuráveis, uma leva de petistas deixou o barco. Outros tantos já haviam sido expulsos.
Política é mistura de acomodação e incômodo. Na Prefeitura de Fortaleza, isso não custou a acontecer com o grupo que chegava para gerir a cidade. Sem o hábito da convivência nem sempre salubre com o poder, o PSol não deixou de sonhar grande, mas escolheu outro caminho para realizar seus sonhos. É o que Renato chama de "contradições inconciliáveis do sistema capitalista", nas quais uma metrópole como esta seria apenas uma correia de transmissão (eles adoram essa expressão). Ou nas palavras do satírico Ambrose Bierce (1842-1914): "A política é a condução dos assuntos públicos para o proveito dos particulares".
Experiência
Mas sua passagem pelas hostes petistas não foi em brancas nuvens. Juntamente com a principal referência do PSol no Estado - o ex-deputado federal João Alfredo - Renato foi um militante ativo, como todo militante deve ser. Na campanha de 2004, teve papel de destaque na formulação e formatação de muitas das idéias que ganharam corações e mentes para Luizianne Lins.
Movimento eco-ambiental, pensamento sistêmico e desenvolvimento comunitário são algumas das expressões-chave para abrir as janelas do mundo político do candidato. Com essa sólida formação, Renato foi um dos responsáveis diretos pelo programa de governo da então candidata do PT. Para se chegar ao produto final, foram mais de 40 seminários para discussões temáticas, seguidos de grupos de trabalho específicos. "Eu apenas finalizava o texto-síntese", minimiza Renato.
Ele sabe que não foi bem assim e, a partir desse privilégio, tem consciência, como poucos na corrida eleitoral deste ano, do que poderia ter sido feito e que não foi. Onde a atual gestão deveria ter insistido mais, e não insistiu. Por falta de um plano de vôo, que o hoje candidato do PSol ajudou a traçar, não foi. "Nada impede que a cidade seja mais democrática", diz ele.
Mas Renato não é daqueles que falam sobre isso com ar de cobrança. Ele prefere empregar suas energias políticas para de novo buscar novas formas de desenvolver uma cultura de esquerda na gestão pública. Uma chance que Fortaleza terá, com sua candidatura, de debater formas de superação de dicotomias e de criação de novos espaços para o exercício da política. "Queremos uma gestão comprometida com a real consciência da utopia concreta", diz Renato, mostrando que, na política, nem tudo que é impossível é falso. Basta sonhar grande.
Quem é RENATO ROSENDO no jogo do bicho? O que esse moço fez ou faz por Fortaleza. Chegou aqui ontem e já quer ser Prefeito? Vá se enxergar!!! Deve ser um pobre diabo deslumbrado que deseja aparecer na telinha. De gaiato?
Carlili Andrade
Pois o Zé Pövim, acostumado como está com tanta porcaria na política (o xerife, a luzim-anne, o jura-merendinha, o marionete cambraia, o veneranda miguelito, o sérgio canalha, a aliança real gomes & jeREIssati) diz que SE NÃO FOSSE VOTAR NULO, votaria certamente no Roseno. Justamente por ser sangue novo e por não ser --em tese-- candidato viciado no jogo sujo da política --repito, habitat natural de mentirosos, cínicos e hipócritas. MAS, AINDA QUE O RAPAZ PAREÇA BONZIM... NÃO SE ILUDAM! VOTEM NULO! VOTEM NULO! VOTEM NULO!
Ze Povim