Em depoimento no Senado, o empresário Marco Antonio Audi, acusado de irregularidade no processo de compra da Varig e da VarigLog, diz que Valeska, filha de Roberto Teixeira, também suspeito, faz tráfico de influência no governo usando o nome do presidente Lula
04/07/2008 01:02
O empresário Marco Antonio Audi afirmou ontem em depoimento na Comissão de Serviços de Infra-Estrutura do Senado que Valeska, filha de Roberto Teixeira, e o marido dela, Cristiano, usam o nome do presidente Lula para fazer pressões e defender seus interesses dentro do governo, principalmente em relação a servidores públicos do segundo e terceiro escalões. Audi reafirmou informação segundo a qual o presidente é conhecido como "Dindo" entre os membros da família do advogado e empresário Roberto Teixeira, compadre de Lula e acusado de prática de tráfico de influência no processo de negociações que resultou na venda da Varig e da VarigLog.
Segundo Audi, Valeska, nas ocasiões em que usa o nome de Lula, costuma dizer que vai "passar o fim de semana na casa do 'Dindo'". Cristiano trabalha no escritório de advocacia de Teixeira e Lula é padrinho de seu casamento com Valeska. Acusado de ser "laranja" do Fundo Matlin Patterson, dos Estados Unidos, que comprou a VarigLog, Audi, que nega a acusação, repetiu para a comissão sua afirmação de que "Roberto Teixeira realmente faz chover", uma referência ao poder que o advogado e empresário consegue exercer no governo. O senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) reagiu à afirmação com ironia, dizendo que pediria a Teixeira para "fazer chover no Nordeste".
"Valeska e Roberto Teixeira são arrogantes por natureza", afirmou Audi. Ele disse que essa era a avaliação também do juiz Luiz Roberto Ayub, que conduziu o processo de falência da Varig e tinha "péssima" relação com o compadre de Lula. Audi disse ter ouvido de Ayub um desabafo em que este afirmou que Teixeira "era muito arrogante" e que, por isso, não falaria mais com ele.
Os senadores governistas não apareceram na comissão para fazer perguntas. O petista Delcídio Amaral (MS) esteve na sala por alguns instantes, mas nada falou. O senador Pedro Simon (PMDB-RS) é o único integrante de um partido governista que faz perguntas, mas ele não é um aliado do Palácio do Planalto. Os governistas adotam a tese de que o escândalo da venda da Varig e da VarigLog é um assunto restrito ao mundo das empresas privadas.
EMAIS
O empresário Marco Antonio Audi, um dos três acusados de irregularidades no processo de compra da Varig e da VarigLog, ressaltou ontem que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, nunca se envolveram nas negociações em relação às duas empresas. Segundo Audi, Lula e outras autoridades do governo tinham "preocupação social" em relação à Varig e à VarigLog. "O Roberto Teixeira é que usava o nome dele (Lula), mas não houve nenhuma interferência do governo na Varig", garantiu.