Política
IMPASSE
Cid ignora crise e reafirma apoio
Pouco confortável com os questionamentos sobre a escolha do vice de Luizianne, o governador reafirmou o apoio à reeleição da prefeita "até o fim das eleições", disse que não negocia a substituição de Raimundo Ângelo, nomeado emergencialmente, e disse que caberá à candidata anunciar o desfecho da novela sobre seu companheiro de chapa
Gabriel Bomfim
Especial para O POVO
04 Jul 2008 - 01h02min
"Meu apoio à prefeita Luizianne Lins é anunciado há mais de um ano e vou ficar com ela até o fim das eleições", afirmou Cid, na manhã de ontem, durante reunião em que negociou a vinda de uma fábrica de painéis solares para o Estado. Procurando mostrar unidade dentro do partido, o governador disse também ter "uma relação muito boa" com o presidente estadual do PSB, Sérgio Novais, que comanda a chamada "ala histórica" da legenda e trava queda-de-braço com os Ferreira Gomes.
Durante coletiva de imprensa, no fim da tarde de ontem, Cid mais uma vez adotou a postura de negar a crise e defender a existência da unidade na aliança pela reeleição de Luizianne. O governador declarou que não participa de nenhuma negociação para a substituição de Raimundo Ângelo (PT), nome indicado provisoriamente pelo próprio PT para preencher o vazio deixado pelo tumultuado processo de escolha, que deveria ter se encerrado desde o dia 30.
Mostrando-se pouco à vontade ao ser questionado sobre o assunto, ele insistiu que não havia indicado nenhum nome para a vaga de vice, nem iria indicar. Esquivando-se de antecipar uma possível mudança na chapa, ele repetiu várias vezes o pedido: "Homem, tenha calma", dirigindo-se aos repórteres. De acordo com Cid, o que quer que venha a ser decidido, será anunciado pela própria prefeita. "A ela compete anunciar. Melhor que saia da boca dela", disse.
Polêmica
Desde 2006, quando Luizianne ficou com a responsabilidade de indicar o vice na chapa que elegeu Cid Gomes governador, havia ficado acordado que seria ele quem indicaria o nome que iria compor a chapa que agora busca a reeleição da prefeita.
As dificuldades começaram por causa da resistência da prefeita ao nome que teria a preferência do governador: o presidente da Câmara Municipal, Tin Gomes (PHS). Sem acordo, a coligação chegou ao dia da convenção, no domingo passado, sem ter um nome para o posto. O impasse estremeceu as relações entre Cid e Luizianne. A tensão nos bastidores se tornou maior em função do histórico de relações familiares entre o governador e a também candidata Patrícia Saboya (PDT) - que, aliás, tem apoio do irmão de Cid, Ciro Gomes, que ignora a orientação do PSB para apoiar sua ex-esposa.
Pessoas próximas à prefeita não escondem o temor de que o governador faça "corpo mole" no engajamento para reeleger Luizianne. Com as declarações de ontem, Cid sinaliza que a crise do vice ainda não se tornou incontornável.
EMAIS
- Mesmo com a indicação de Raimundo Ângelo, o governador Cid Gomes (PSB) não deu a querela do vice por encerrado, ao transferir à prefeita a responsabilidade por anunciar a definição.
- Já o PT, através da assessoria do diretório municipal, afirmou que o nome do vice não está mais em pauta e que as reuniões, de agora em diante, tratarão de questões da campanha. Raimundo Ângelo, informou também a assessoria, só será substituído "se for preciso".
- Cotado para o posto, Tin Gomes, disse não querer comentar o assunto "de jeito nenhum". Ele também tentou encerrar a questão e afirmou que o nome já está decidido: "O vice é o Raimundinho".
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