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Tin diz que aceitaria convite para vice

O presidente da Câmara Municipal, Tin Gomes (PHS), não confirma que deseja o cargo, mas admite que, se seu nome for escolhido, aceita se candidatar a vice-prefeito na chapa de Luizianne Lins (PT)

Déborah Vanessa
Especial para O POVO

06 Mai 2008 - 00h42min

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(Foto: Talita Rocha)
O presidente da Câmara Municipal, Tin Gomes (PHS), está na expectativa de ser indicado como vice-prefeito na chapa de Luizianne Lins (PT) nas eleições municipais. O vereador não confirma que quer o cargo, mas admite que, se seu nome for designado pelo governador Cid Gomes (PSB) - responsável pela escolha -, aceitará a proposta. "Se entenderem que eu somarei na chapa da prefeita e me formularem um convite oficial, darei a resposta positiva", declarou Tin, em entrevista ontem ao programa Debates do Povo, da Rádio O POVO/CBN.

Se for escolhido para compor chapa com Luizianne Lins, o presidente da Câmara promete reunir o bloco PHS-PSL-PMN-PRB, que é a favor de sua indicação. "Vou me reunir com o bloco, que totaliza 17 vereadores, e mais uns seis vereadores de outros partidos. Vamos analisar em conjunto. Se houver um consenso com esses dois blocos e o pessoal, eu aceitarei", ressaltou o vereador, entrevistado pelos jornalistas Plínio Bortolotti, apresentador do programa, Érico Firmo e Vicente Gioielli, respectivamente editor-adjunto e repórter do Núcleo Conjuntura do O POVO.

Tin Gomes afirmou ainda que nenhum dos projetos de vereadores, incluídos no Orçamento de Fortaleza por um acordo informal com a Prefeitura, saiu do papel. Desde o início da gestão Luizianne Lins, os parlamentares têm direito a uma cota de R$ 500 mil no Orçamento do Município, a ser aplicado em obras definidas por eles, para atender suas bases eleitorais. Funciona de forma semelhante às emendas parlamentares do Congresso Nacional, mas de forma extra-oficial. "Em nenhum dos três anos nós tivemos as obras executadas", ressalvou Tin.

A Câmara Municipal custa em média, anualmente, R$ 61 milhões aos cofres públicos. Tin explicou como a verba destinada à Casa é utilizada. "Os 61 milhões não é só (o salário) dos vereadores. É toda a conjuntura que existe na Câmara. Só de gasto de pessoal era R$ 3,8 milhões. Vai pra mais de R$ 4 milhões agora, que é quase o orçamento que a Câmara tem hoje por mês. E não fui eu que coloquei essas pessoas na Câmara não. Isso já vem de muitos anos", defende-se.

Questionado se considerava que o salário do vereador era muito alto para os parlamentares se dedicarem apenas a propor projetos com o intuito de nomear ruas ou dar título de utilidade pública a entidade de bairros, Tin discordou. "Eu não acho caro. A prerrogativa do vereador não é fazer projetos a nível pessoal. A Câmara foi feita também pra fiscalizar o Executivo. Vem agora o Plano Diretor, que é uma prerrogativa da prefeita ou do prefeito. Na hora que chega à Câmara, ele passa a ser prerrogativa nossa. Se quiser mudar o Plano Diretor todinho eu mudo. Nesse momento, você vê a responsabilidade que tem a Câmara e os serviços que pode prestar à sociedade", argumenta.

Tempo de discurso
Tin admitiu, porém, que muitos projetos ou requerimentos sugeridos pelos vereadores são apenas para conseguir tempo de discurso na tribuna da Câmara. "Existe o projeto que você quer realmente aprovar e existe o projeto mais para ter o espaço para se falar, para discutir o assunto. São técnicas que a gente usa para ter mais uma maneira de se falar", explica. "Projetos pessoais são feitos muito mais para poder ter um espaço para se falar do que propriamente para poder aumentar sua produção legislativa", acrescenta.

Indagado se a tendência que os vereadores ou deputados têm de se aliar ao governo poderia confundir os eleitores ou mostrar incoerência por parte dos parlamentares, ele também procurou defender sua atuação. "Na minha situação não, porque eu sempre fui governo. Seria incoerência se, numa gestão, eu defendesse o governo e, na outra, para poder me eleger, fosse oposição", contrapõe. "Há uma grande camada dos eleitores que votam naquelas pessoas que são do contra. É muito mais fácil ser opositor. Eles falam só o que o povo quer ouvir e não falam a realidade".

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deborahvanessa@opovo.com.br


SERVIÇO

O programa Debates do Povo, apresentado pelo jornalista Plínio Bortolotti, é exibido de segunda a sexta-feira, de 11 às 12 horas, na Rádio O POVO/CBN (1.010 Khz). A rádio pode ser sintonizada também no portal O POVO.com.br - www.opovo.com.br/radios/amdopovo

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