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Sorridentes, Sérgio e Juraci depõem

Tanto o ex-prefeito Juraci Magalhães (PR), quanto o deputado cassado Sérgio Benevides (PMDB), pouparam palavras ontem à imprensa, quando chegavam ou saiam do prédio da Justiça Federal em Fortaleza

Vicente Gioielli
da Redação

21 Fev 2008 - 00h45min

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Juraci numa ponta e Sérgio na outra, separados pelo advogado Delano Cruz, que defende Sérgio (Foto: Sebastião Bisneto)
O ex-prefeito de Fortaleza, Juraci Magalhães (PR), e o deputado estadual cassado Sérgio Benevides (PMDB) prestaram depoimento, ontem, na 12ª vara da Justiça Federal. Os dois respondem a processo por denúncias de desvio de dinheiro da merenda escolar repassado pelo Governo Federal para a Prefeitura entre os anos de 1998 e 2000. Ambos negaram qualquer participação no esquema, que teria desviado, segundo o processo, mais de R$ 10 milhões. Nos depoimentos, ficou mal explicada a compra de empresa por Sérgio Benevides, em sociedade com assessores.

Após quase oito anos de idas e vindas na Justiça, o processo no qual Juraci e Benevides são acusados por fraude em licitações e contratos da administração municipal, lavagem ou ocultação de bens, formação de quadrilha e, no caso do ex-prefeito, crime de responsabilidade, começou finalmente a andar. Os dois chegaram separadamente e sorridentes. Ambos falaram pouco com a imprensa. Questionado pela reportagem do O POVO sobre o destino do dinheiro supostamente desviado, o ex-prefeito foi irônico: "Não sei. Você pegou?"

Na denúncia, apresentada pelo Ministério Público Federal, são apontadas irregularidades envolvendo o valor total de R$ 10,8 milhões do Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae), do Governo Federal.

Justificativas
Nos depoimentos, prestados ao juiz Augusto Lima Chaves, aos quais O POVO teve acesso, Juraci Magalhães, argumentou que estabeleceu na cidade uma administração descentralizada, que boa parte das tarefas eram executadas pelas Secretarias Regionais e que não participou de nenhuma licitação referente à merenda escolar. Benevides também disse não ter nenhum envolvimento com o caso e acusou a imprensa e adversários políticos de Juraci, que é seu sogro, de persegui-lo. Benevides chegou a afirmar que, se tivesse matado o presidente da República, talvez não tivesse ficado tanto tempo nos noticiários.

O que ficou mal explicada na audiência foi a compra de uma empresa de recolhimento de lixo por Benevides, em sociedade com seus ex-assessores, Francisco Vilmar Pinto e Francisco Robério Romero - que também são réus no processo. Ele disse não lembrar quando foi comprada a empresa, quanto gastou na compra e qual era o capital da mesma, que foi fechada logo.

Já Francisco Robério disse que a empresa custaria R$ 130 mil na época e que ele arcaria com R$ 30 mil e o resto seria dividido entre os sócios em quatro cheques de R$ 25 mil. Mas informou que cinco cheques, com outros valores, foram depositados em sua conta e que descobriu somente em depoimento ao MPF que eram de terceiros - alguns de empresas acusadas de serem beneficiadas no processo de contratação emergencial - e não de seus sócios.

Hoje mais seis acusados de fazerem parte do esquema de desvio de verbas públicas serão ouvidos pela Justiça Federal.


Bastidores

Tanto o ex-prefeito Juraci Magalhães (PR), quanto o deputado cassado Sérgio Benevides (PMDB), pouparam palavras ontem à imprensa, quando chegavam ou saiam do prédio da Justiça Federal em Fortaleza. Os dois usaram seus advogados como porta-vozes e preferiram não comentar muito sobre o processo em que são acusados de desviar verbas públicas.

No pouco que falou à imprensa, Benevides mandou um recado para seus ex-colegas de Assembléia Legislativa, onde foi cassado em 2004. "Todo dia eu sonho para que esse processo termine, para eu poder contar a história da Assembléia", disse, dando a entender que foi vítima de perseguição.

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