Política
FORTALEZA
Aliança governista deixa pouco espaço para oposição
Mesmo pré-candidaturas fortes, como de Moroni Torgan (DEM), Patrícia Saboya (PDT) e Lúcio Alcântara (PR), encontram problemas para fazer frente à ampla coligação que Luizianne arquiteta
Érico Firmo
da Redação
21 Fev 2008 - 00h45min
O PT, que já vem de quatro anos de relacionamento com o PSB, está namorando sério PCdoB, PMDB, além do bloco PHS, PSL e PMN. Quer levar todos, ao mesmo tempo, para o "altar" eleitoral de Fortaleza, em outubro. A oposição também está forte e se organiza. PSDB, DEM, PPS, PP, PDT e mesmo partidos menores, como PSC e PTC, também têm conversado. Mas, por enquanto, está difícil falar em casamento entre os adversários da Prefeitura. Enquanto a situação negocia a formação de uma forte coligação para apoiar a reeleição da prefeita Luizianne Lins (PT), a oposição sinaliza que terá várias candidaturas fortes, mas todas com dificuldade para conseguir aliados. Caso a prefeita confirme o palanque que pretende, seu tempo de rádio e TV ficará entre 25 e 30 minutos - algo sem precedentes na política de Fortaleza.
O DEM foi o primeiro a confirmar a candidatura, com o lançamento de Moroni Torgan. Segundo o vice-presidente da legenda no Estado, Rui Câmara, têm havido conversas freqüentes com Lúcio Alcântara (PR), Luiz Gastão (PPS), Alexandre Pereira (PP) - todos pré-candidatos a prefeito - e também com o PSDB, que quer lançar candidato próprio. "Mas todos querem esperar até mais perto para decidir", afirma Rui. Ele acredita que apoios políticos só serão firmados no fim de maio.
O maior empecilho, revela, é na negociação com os partidos de menor expressão. "Os partidos menores estão tentando negociar apoios. O DEM não tem muito o que negociar. Está sem participação em administração nenhuma, com candidato sem mandato. Só tem uma proposta de gestão e candidato com real possibilidade de vitória", afirma Rui.
No PDT, o obstáculo para que se busque alianças é a indefinição. Patrícia Saboya e Heitor Férrer são pré-candidatos à Prefeitura. Sem um nome definido, as conversas ocorrem com uma boa dose de incerteza. Na cúpula do partido, pedetistas admitem, internamente, preferência por Patrícia - apesar de a senadora estar filiada há apenas cinco meses, contra mais de duas décadas de militância de Heitor. Além do melhor desempenho na primeira pesquisa Datafolha, Patrícia vem sendo apontada como a mais cotada pela maior possibilidade de atrair alianças. Com Heitor, a possibilidade de acordo fica praticamente restrita aos partidos da esquerda histórica. Com Patrícia, o leque se abre para praticamente todo o espectro partidário.
PSDB
E tanto DEM como PDT estão de olho nas movimentações do PSDB. Dirigentes do partido tucano falam que o objetivo é ter candidato próprio, e já há um escolhido para essa missão: o secretário da Justiça Marcos Cals. O problema: convencê-lo de que não entrará na disputa apenas para fazer figuração. Para avaliar o potencial do secretário na disputa, tiveram início nesta semana reuniões em bairros da cidade, para verificar a popularidade do ex-presidente da Assembléia Legislativa entre o eleitor de Fortaleza.
Enquanto não confirma a candidatura própria, o apoio do PSDB é cobiçado por pedetistas e democratas. Mas, apesar do pré-acordo entre os tucanos e Moroni - que vem desde a frustrada campanha conjunta em 2006, que previa apoio do PSDB ao candidato do então PFL, hoje DEM - os tucanos, caso não tenham candidato próprio, estão hoje mais próximos de apoiar mesmo é Patrícia Saboya. O que não desanima a cúpula do DEM. "O namoro continua", diz Rui Câmara.
O PDT dá o primeiro passo para definir a candidatura no próximo dia 9 de março, quando o partido se reunirá para tratar das eleições na Região Metropolitana - com destaque para a Capital. A partir daí, serão programados encontros em bairros para discutir e avaliar a participação pedetista na campanha. O presidente estadual André Figueiredo, fazendo coro com o que têm dito os dois pré-candidatos da legenda, descarta disputa em convenção, e afirma que o objetivo é ir conduzindo a situação de forma a evitar o confronto no dia de oficializar a candidatura.
Figueiredo considera que a eventual demora decorrente dessa busca por consenso interno não atrapalhará a busca por alianças. Ele afirma que o partido tem conversado com PRP, PSC e até PCdoB. Mesmo com os comunistas em conversas avançadas com Luizianne, o presidente pedetista destaca que as duas legendas - PDT e PCdoB - integram a mesma frente nacional em Brasília, além de terem o que qualifica como excelente diálogo no Ceará.
LEIA AMANHÃ
As dificuldades que Luizianne enfrenta para fechar a coligação
EMAIS
- A possibilidade de aliança entre PDT e PSDB, defendida pela pré-candidata pedetista mais bem colocada nas pesquisas, Patrícia Saboya, não chega a ser rejeitada, mas causa desconforto no PDT. O presidente estadual André Figueiredo, citando frase de Leonel Brizola, descarta veto.
- "Na boléia do caminhão, vai quem a gente gosta que participe do comando. Na carroceria, a gente não pode impedir que ninguém participe", disse. Quando assumiu o comando do partido, em 2005, ele fez um duro discurso contra o senador Tasso Jereissati, comparando-o a uma mangueira, em torno da qual nada consegue crescer, pois a árvore suga tudo para si. Já Patrícia tem dito que gostaria de ter Tasso em seu palanque.
- André Figueiredo ressalta, porém, que a visão programática dos dois partidos é bem diferente. "O que nos aproxima é a amizade do Tasso com Patrícia e a necessidade de mudança em Fortaleza. Mas o teor da mudança é bem diferente para nós e para eles", afirmou.
O DEM foi o primeiro a confirmar a candidatura, com o lançamento de Moroni Torgan. Segundo o vice-presidente da legenda no Estado, Rui Câmara, têm havido conversas freqüentes com Lúcio Alcântara (PR), Luiz Gastão (PPS), Alexandre Pereira (PP) - todos pré-candidatos a prefeito - e também com o PSDB, que quer lançar candidato próprio. "Mas todos querem esperar até mais perto para decidir", afirma Rui. Ele acredita que apoios políticos só serão firmados no fim de maio.
O maior empecilho, revela, é na negociação com os partidos de menor expressão. "Os partidos menores estão tentando negociar apoios. O DEM não tem muito o que negociar. Está sem participação em administração nenhuma, com candidato sem mandato. Só tem uma proposta de gestão e candidato com real possibilidade de vitória", afirma Rui.
No PDT, o obstáculo para que se busque alianças é a indefinição. Patrícia Saboya e Heitor Férrer são pré-candidatos à Prefeitura. Sem um nome definido, as conversas ocorrem com uma boa dose de incerteza. Na cúpula do partido, pedetistas admitem, internamente, preferência por Patrícia - apesar de a senadora estar filiada há apenas cinco meses, contra mais de duas décadas de militância de Heitor. Além do melhor desempenho na primeira pesquisa Datafolha, Patrícia vem sendo apontada como a mais cotada pela maior possibilidade de atrair alianças. Com Heitor, a possibilidade de acordo fica praticamente restrita aos partidos da esquerda histórica. Com Patrícia, o leque se abre para praticamente todo o espectro partidário.
PSDB
E tanto DEM como PDT estão de olho nas movimentações do PSDB. Dirigentes do partido tucano falam que o objetivo é ter candidato próprio, e já há um escolhido para essa missão: o secretário da Justiça Marcos Cals. O problema: convencê-lo de que não entrará na disputa apenas para fazer figuração. Para avaliar o potencial do secretário na disputa, tiveram início nesta semana reuniões em bairros da cidade, para verificar a popularidade do ex-presidente da Assembléia Legislativa entre o eleitor de Fortaleza.
Enquanto não confirma a candidatura própria, o apoio do PSDB é cobiçado por pedetistas e democratas. Mas, apesar do pré-acordo entre os tucanos e Moroni - que vem desde a frustrada campanha conjunta em 2006, que previa apoio do PSDB ao candidato do então PFL, hoje DEM - os tucanos, caso não tenham candidato próprio, estão hoje mais próximos de apoiar mesmo é Patrícia Saboya. O que não desanima a cúpula do DEM. "O namoro continua", diz Rui Câmara.
O PDT dá o primeiro passo para definir a candidatura no próximo dia 9 de março, quando o partido se reunirá para tratar das eleições na Região Metropolitana - com destaque para a Capital. A partir daí, serão programados encontros em bairros para discutir e avaliar a participação pedetista na campanha. O presidente estadual André Figueiredo, fazendo coro com o que têm dito os dois pré-candidatos da legenda, descarta disputa em convenção, e afirma que o objetivo é ir conduzindo a situação de forma a evitar o confronto no dia de oficializar a candidatura.
Figueiredo considera que a eventual demora decorrente dessa busca por consenso interno não atrapalhará a busca por alianças. Ele afirma que o partido tem conversado com PRP, PSC e até PCdoB. Mesmo com os comunistas em conversas avançadas com Luizianne, o presidente pedetista destaca que as duas legendas - PDT e PCdoB - integram a mesma frente nacional em Brasília, além de terem o que qualifica como excelente diálogo no Ceará.
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As dificuldades que Luizianne enfrenta para fechar a coligação
EMAIS
- A possibilidade de aliança entre PDT e PSDB, defendida pela pré-candidata pedetista mais bem colocada nas pesquisas, Patrícia Saboya, não chega a ser rejeitada, mas causa desconforto no PDT. O presidente estadual André Figueiredo, citando frase de Leonel Brizola, descarta veto.
- "Na boléia do caminhão, vai quem a gente gosta que participe do comando. Na carroceria, a gente não pode impedir que ninguém participe", disse. Quando assumiu o comando do partido, em 2005, ele fez um duro discurso contra o senador Tasso Jereissati, comparando-o a uma mangueira, em torno da qual nada consegue crescer, pois a árvore suga tudo para si. Já Patrícia tem dito que gostaria de ter Tasso em seu palanque.
- André Figueiredo ressalta, porém, que a visão programática dos dois partidos é bem diferente. "O que nos aproxima é a amizade do Tasso com Patrícia e a necessidade de mudança em Fortaleza. Mas o teor da mudança é bem diferente para nós e para eles", afirmou.
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